A fundição feita de pedra artificial (mármore ou granito) é um processo onde uma mistura líquida, composta por pó ou fragmentos de mármore ou granito, resina, pigmentos e catalisadores, é vertida em moldes para criar peças com alta precisão. Este material oferece uma alternativa mais barata e versátil ao mármore e granito natural, sendo usado há séculos, principalmente para fins decorativos, para produzir colunas, obeliscos, escadarias, vasos, estátuas e elementos decorativos.

A pedra artificial tem como objetivo exclusivo substituir os pesados blocos de mármore ou granito que teriam que ser cortados e transportados de uma pedreira distante para o local da obra. Essa tecnologia possibilita a moldagem gradual e sem esforço do objeto desejado, independentemente do seu tamanho, no local da obra, sem necessidade de esculpir o mármore ou granito com cinzéis e martelo. O polimento da superfície do artefato é feito após a fundição e remoção da fôrma.

Atualmente, para movimentar grandes pedras em pedreiras, as máquinas mais utilizadas incluem escavadeiras de esteiras, pás carregadeiras (para içamento e transporte) e caminhões articulados ou fora de estrada para transporte em terrenos irregulares. Máquinas de serra de arame e rachadores hidráulicos também são usados para dividir blocos grandes.

Mesmo hoje, essas máquinas tem problemas para içar e transportar grandes e pesados blocos de pedra, então imagina o quão problemático era içar e transportar blocos de pedra séculos atrás? A quantidade de homens, cavalos, equipamentos e carroças necessárias. Além de ser muito trabalhoso tinha os altos custos do transporte. Era muito mais prático e econômico utilizar pedras artificiais.

Hoje em dia, ao criar mármore artificial, resinas sintéticas são usadas como aglutinante. Mas no século XIX e muito antes, é claro, o mármore artificial era feito inteiramente de materiais inorgânicos. A receita para fazer esse mármore claramente não foi desenvolvida no século XX. Isso aconteceu muito antes. Nossos antepassados sabiam como criar pedras artificiais nos tempos antigos.

Não é um grande problema para a mente humana curiosa desenvolver uma tecnologia para criar mármore artificial baseada na tecnologia de granito artificial. A essência é a mesma, toda a diferença está nos ingredientes. O segredo da fabricação de pedra artificial chegou aos escultores renascentistas desde a antiguidade, e eles não deixaram de aproveitar essa oportunidade para criar suas esculturas únicas.

A técnica de produzir pedra artificial fundida tem milhares de anos e vem do antigo Egito, pois os egípcios aprenderam essa técnica com os “deuses” extraterrestres que tinham um porto espacial e base subterrânea no Planalto de Gizé. Quando os gregos, romanos, babilônicos e outros povos foram ao Egito, aprenderam a técnica com eles.

As fotos mostra tigelas gigantes de alabastro com bordas serrilhadas e reentrâncias circulares em Abu Ghorab no Egito. Ninguém sabe qual sua utilidade, mas certamente é pedra artificial fundida.  Nas três pirâmides de Gizé, os blocos de pedra que revestiam as pirâmides foram criados como uma espécie de concreto. Os egípcios moeram o calcário e o transformaram em uma pasta com água e aglutinantes, depois despejaram em moldes que formariam os blocos de pedra artificial.

Há séculos estátuas, colunas e elementos decorativos são feitos de pedra artificial fundida. 1 Há séculos estátuas, colunas e elementos decorativos são feitos de pedra artificial fundida. 2

Acontece que na Inglaterra, desde meados do século XVIII, a produção de pedra artificial esteve a todo vapor. Receitas foram inventadas para um polímero líquido que, quando solidificado, poderia imitar qualquer tipo de pedra natural. Além disso, desde o início do século XIX, houve um rápido crescimento na invenção da “cola” para blocos, ou seja, essencialmente um material entre costuras. Como cimento entre tijolos agora.

Havia realmente uma competição acontecendo na Inglaterra para ver quem poderia tornar a pedra artificial melhor, mais forte, mais brilhante e, claro, o vencedor era aquele cujo material final era mais barato. É claro que houve muitas receitas, mas há apenas duas principais que revolucionaram o mundo da pedra artificial. O mais popular e difundido.

Quando eu estava fazendo uma pesquisa sobre a cidade de São Petersburgo na Rússia fiquei encantado com as belas esculturas e ornamentações de pedra que decoram a cidade. Elas parecem ser de granito e mármore mas são na verdade pedra artificial. São Petersburgo foi fundada em 27 de maio de 1703 pelo czar Pedro, o Grande (Pedro I) para ser uma nova capital moderna, com acesso ao Mar Báltico para a Frota do Báltico, transferindo a sede de Moscou em 1712.

Além dos egípcios e romanos, tanto a China quanto a Índia tentaram criar materiais de construção artificiais. Na Rússia, a questão do uso de pedra artificial surgiu durante a construção da nova capital. No século XVIII, Pedro I, sendo um rei progressista, e compreendendo perfeitamente todas as vantagens econômicas deste tipo de acabamento e revestimento de edifícios, interessou-se por diversas imitações de pedra natural como mármore, granito, labradorite e outras pedras de revestimento, para embelezar São Petersburgo.

O primeiro tipo de pedra artificial usada na construção foi a pedra fundida. Após sua invenção, começaram a aparecer as variações mais ousadas deste material. Ela tem muitas vantagens sobre a pedra natural, o que serviu para desenvolvê-la ainda mais. Em particular, pesa menos que a pedra natural, o que reduz a carga na superfície de suporte.

Na construção da cidade russa de São Petersburgo, a técnica de moldagem de pedra artificial foi utilizada em muitos projetos de construção. Isso significa que era bastante comum e, portanto, barato de produzir. Além disso, as fundações de muitos edifícios, pedestais de monumentos e muitos elementos de aterros e pontes de pedra foram moldados utilizando essa técnica. Fiz uma pesquisa em russo no Yandex sobre pedras artificiais na decoração dos monumentos de São Petersburgo e descobri coisas bem interessantes.

Há vários séculos, nossos ancestrais já sabiam o que era argamassa de concreto. Além disso, na antiguidade, eles conseguiam criar granito e mármore artificiais. A produção bem-sucedida de granito e mármore artificiais na Idade Média (e até mesmo na antiguidade) está documentada no livro “Manual do Artesão”, Edição – Brodersen GG, de 1931 e no livro “Sobre a importância da investigação química no círculo das ciências e das artes” de Alexandre Alekseevich Iovsky, publicado em 1827. Ambos livros estão em russo.

É crucial lembrar que o granito artificial NÃO É DIFERENTE DO GRANITO NATURAL. O mesmo pode ser dito do mármore. Nenhum geoquímico, mesmo após realizar testes químicos, será capaz de distinguir o mármore artificial do mármore natural, pois eles compartilham os mesmos componentes.

O granito e o mármore artificial foram produzidos na antiguidade da seguinte forma, segundo o Manual do Artesão:

Granito artificial

Mistura-se areia fina limpa, pirita ou qualquer outra massa contendo sílica, com cal recém-queimada e moída na seguinte proporção: 10 de areia ou pirita e 1 de cal. A cal, apagada pela umidade da areia, corrói a sílica e forma uma fina camada ao redor de cada grão de areia de sílica. Após o resfriamento, a mistura é amolecida com água. Em seguida, pega-se 10 de granito moído e 1 de cal e mistura-se no local.

Ambas as misturas são colocadas em um molde metálico de tal forma que a mistura de areia e cal forme o próprio centro do objeto, e a mistura de granito e cal a casca externa de 6 a 12 mm (dependendo da espessura do objeto sendo preparado). Ao final, a massa é prensada e endurecida secando-a ao ar.

Minério de ferro e óxido de ferro, misturados a quente com o granito granular, servem como substância corante. Se se desejar dar especial dureza aos objetos formados a partir da composição acima, eles são colocados por uma hora em silicato de potássio e submetidos a calor de 150°C.

Mármore artificial segundo Ostermeyer

2.3. Segundo Ostermeyer, misture leite de cal com mármore finamente moído, ou leite de cal com giz, até formar uma pasta. Com base em seu estudo sobre o cimento pompeiano, Ostermeyer recomenda adicionar uma quantidade suficiente de calcário grosseiramente moído a essa mistura. Esse cimento seca e endurece rapidamente.

Mármore artificial segundo Borchardt

1.1. A massa é preparada a partir de areia de quartzo pura, cal, talco e gesso, aos quais pode ser adicionado um corante finamente moído. A areia utilizada deve consistir em sílica pura e, para esse fim, é lavada e limpa de quaisquer componentes orgânicos. Após a secagem completa da areia, adiciona-se 5-6% de terra diatomácea. Em seguida, como aglutinante, adiciona-se 6-7 de cal, 3 de talco, 4 de gesso, 3 de feldspato para cada 100 de areia. Todos os componentes são misturados com uma pequena quantidade de água. A massa resultante é disposta em formas e, após a secagem completa, queimada a calor branco incandescente em um forno sem insuflador.

1.2. Pegue 80 de gesso e 20 de cal, triture finamente, misture e amasse com uma mistura composta por 1000 de água destilada, 1080 de sulfato de cálcio.

1.3. Pegue 1000 de água, 1440 de cola, 1000 de ácido sulfúrico. Em seguida, coloque a massa nas formas e, quando endurecer, retire-a, seque por duas horas, lixe e lustre da maneira usual. Finalmente, mergulhe o objeto em um banho de óleo de linhaça a 70° de calor, após o que seque e unte com estearina. Recomenda-se corantes de anilina para a coloração.

1.4. Mármore artificial de amarelo pálido a branco. 30 de areia branca grossa, 42 de giz, 24 de breu, 4 de cal queimada.

1.5. Esverdeado. 28 de areia branca grossa, 42 de giz, 2 de azul ultramarino, 24 de breu, 4 de cal queimada.

1.6. Cor de carne. 28 de areia branca grossa, 42 de giz, 1 de azul ultramarino, 1 de cinabre, 24 de breu, 4 de cal queimada.

Pedra Coade.

Uma pedra de polímero artificial única que simplesmente surpreende. A receita foi inventada pela artesã e empresária georgiana Eleanor Coade (1733–1821) em 1769. Numa época em que a indústria era totalmente dominada por homens, ela administrava seu próprio negócio, fazendo belos ornamentos arquitetônicos e de jardim com sua própria marca de pedra artificial de alta qualidade.

A diferença da pedra Coade é que ela não contém aditivos de cimento. Eleanor chamou sua pedra de “disparada duas vezes” ou “disparada de ambos os lados”. Ela era essencialmente uma cerâmica durável que podia suportar uma carga e ser resistente aos elementos. Poderia ser pintada em qualquer cor do arco-íris, do cinza escuro ao amarelo brilhante. É quase idêntica em aparência ao mármore. Esta pedra artificial foi produzida até a década de 1840, quando morreu o último destinatário do segredo da produção da pedra.

A pedra artificial que Eleanor Coade inventou e produziu, e que levou seu nome, foi um dos materiais mais utilizados do século XVIII. Um material cerâmico, cuja receita permaneceu um segredo bem guardado. A pedra Coade era excepcionalmente resistente ao intemperismo e à erosão. Sua versatilidade o tornou imensamente popular por uma grande variedade de esculturas, grandes e pequenos – monumentos, estátuas, ornamentos e móveis de jardim e detalhes arquitetônicos.

Uma gravura do pátio da Coade Stone Factory em Narrow Wall, Lambeth, Londres, por volta de 1800.

De sua fábrica em Lambeth, Eleanor logo estava enviando um grande número de esculturas de pedra e elementos arquitetônicos de Coade por toda a Grã-Bretanha georgiana e além. Muitos deles foram criados pelo brilhante escultor John Bacon, designer-chefe da fábrica. A pedra Coade foi usada por todos os principais arquitetos e designers da época. Mais de 650 esculturas de pedra Coade sobreviventes foram rastreadas hoje, não apenas nas Ilhas Britânicas, mas em lugares tão distantes quanto Rússia, África do Sul e Brasil.

“Uma mistura cerâmica especialmente criada, ela era moldada e depois queimada em um forno. Os ingredientes incluíam argila de Dorset, grogue, sílex, grés triturado, areia e vidro de sílica-soda-cálcica. O produto resultante, altamente vitrificado, era extremamente resistente às intempéries. Em aparência, a Pedra Coade era quase indistinguível do calcário de grão fino. O catálogo de Eleanore Coade de 1784 anunciava 778 itens diferentes de Pedra Coade, que variavam de estátuas, bustos, capitéis, vasos e urnas a lareiras. Em seu showroom em Londres, chamado Galeria Coade, inaugurado em 1799, o público podia ver amostras e livros de modelos. Entre seus clientes ingleses mais conhecidos estavam os arquitetos Robert Adam, Sir William Chambers, Sir John Soane e John Nash. Na América, Charles Bulfinch e Benjamin H. Latrobe, entre outros, usaram a Pedra Coade. Quando Eleanore Coade morreu em 1821, seu negócio passou para um primo. Ele e seus sucessores o administraram até 1843, quando venderam todos os moldes e estoques. A fórmula secreta ficou perdida de 1843 até que estudiosos modernos a reconstruíram.”

O caso de Madame Coade foi muito lucrativo e popular. Ela tinha seu próprio showroom. Seus clientes eram reis e rainhas. Em essência, revolucionou a produção de polímeros. Eu nunca tinha ouvido falar dela. A atividade principal era a produção de estátuas, vasos, bustos e decorações diversas em geral. Um exemplo marcante do trabalho em pedra de Coade são os leões na Ponte de Westminster em 1837.

Há séculos estátuas, colunas e elementos decorativos são feitos de pedra artificial fundida. 3

E você sabe, ninguém esconde o fato de que é feito de pedra artificial!

“Este leão, modelado por W.F. Woodington e feito em pedra artificial Coades, erguia-se desde 1837 no parapeito acima da margem do rio da cervejaria Lion, em Lambeth. Sobreviveu à devastação que assolou a região durante a Guerra de 1939-45. E quando o local foi desocupado para a construção do Royal Festival Hall, foi preservado de acordo com os desejos de Sua Majestade o Rei George VI.”

Ou o monumento Melpomene de 1809 em Coven Garden

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Tendo estudado restauração e conservação juntamente com escultura em pedra e escultura, o britânico Stephen Pettifer deixou a faculdade de artes e se interessou por cerâmica. Stephen começou a pesquisar sobre a pedra Coade e descobriu rapidamente os ingredientes necessários para recriá-la, mas levou décadas para aperfeiçoar – quais quantidades de cada substância usar e como secar cada peça e queimá-las no forno.

Cada peça única produzida requer precisão e, anos depois, ele ainda está aprendendo sobre esse processo incrivelmente complexo, com muitas variantes afetando cada peça. Ao montar seu estúdio em Londres em 1996, Steve começou a restaurar e criar esculturas usando exclusivamente pedra Coade. https://coade.co.uk/sculptures/

 

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As ruas de São Petersburgo são generosamente decoradas com criaturas míticas, elas dão à cidade um charme e mistério especiais. Caminhando pela cidade, você pode conhecer leões, grifos e esfinges, protegendo pontes e fachadas de edifícios. Mas cada animal tem seu próprio propósito. Juntos, eles moldam o estilo e enfatizam a arquitetura da cidade. Leões em São Petersburgo podem ser encontrados em cada esquina, em cada segunda fachada do edifício. A cidade é legitimamente protegida por leões.

O leões da Mansão Lobanov-Rostovsky, obra de Triscorni F. In Garrara, 1810, são feitos de pedra artificial. Aliás todas, ou quase todas, as esculturas nas ruas de São Petersburgo são de pedra artificial moldada, pois seu custo na época da fabricação era baixo.

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Aqui está, por exemplo, um monumento a Jorge III (ou melhor, parte do monumento) de 1810, também feito de pedra Coade. É simplesmente impressionante, considerando que a estátua tinha 4,5 metros de altura!

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O Pai Tâmisa também é feito de pedra Coade.

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O cimento Portland foi inventado em 1824, inaugurando uma nova era na produção de blocos de qualquer formato. Mas a invenção mais revolucionária do século XIX foi a pedra artificial Vitória. Ela foi patenteada em 1868, mas a receita já era conhecida desde a década de 1820; na verdade, assim que o cimento foi compreendido, ele foi imediatamente misturado com granito. Esse polímero recebeu esse nome em homenagem à Rainha Vitória, que reinava na época.

Trata-se essencialmente de uma pasta de cimento (Portland) e granito triturado, misturada de maneira especial com aditivos. A mistura era deixada no molde por vários dias. Em seguida, o produto endurecido era mantido em uma solução contendo soda por mais alguns dias. Depois disso, o produto era considerado pronto. O granito era extraído da então imensa Pedreira Mountsorrel. Transportar pó de granito é mais fácil e barato do que blocos de granito.

Esse é um texto bem interessante sobre diferentes fórmulas de pedra artificial: PEDRA ARTIFICIAL. ACABAMENTO.

Na década de 1860, milhões de toneladas de granito foram extraídas da pedreira, processadas em “pó” e transformadas em pedra Vitória em qualquer formato, sendo todo o material transportado por ferrovia. Portanto, a característica distintiva dos produtos “Victoria Stone” é sua aparência de granito rosa (vermelho). O granito era triturado em diferentes granulometrias.

A pedreira de Guersney produzia um granito cinza-azulado. Consequentemente, a pedra artificial era cinza-azulada ou cinza. Isso também permitia que fosse tingida em várias cores (principalmente escuras). Mas a essência permanecia a mesma: um produto feito desse polímero tinha a aparência de granito. A moldagem de pedra natural triturada e sua colagem com um aglomerante semelhante ao concreto. Em qualquer caso, o material original, após o endurecimento, transforma-se em uma substância indistinguível em textura e estrutura da pedra natural.

Essa pedra era reconhecida por sua alta resistência à água do mar, à abrasão e por ser impermeável às condições urbanas. Era extremamente durável. Escadas, pórticos, blocos de fachada, lajes de pavimentação, blocos sob medida e outros elementos eram moldados a partir dela, e sim, colunas também. A principal característica dessa pedra era que sua resistência aumentava com o tempo (como o concreto hoje em dia). Muitas pesquisas foram realizadas sobre isso.

A mecanização do trabalho explodiu na Inglaterra na década de 1930, com máquinas produzindo blocos desse polímero a todo vapor. Há relatos de que esse polímero podia permanecer em estado líquido, aparentemente devido à forma como a mistura inicial era preparada, por até uma semana. Auguste de Montferrand, um arquiteto francês que trabalhou na Rússia, era versado em todas essas tecnologias e, de fato, estava no momento certo com seus projetos como:

A Catedral de Santo Isaac, com suas enormes colunas e vários elementos decorativos externos e internos feitos de pedra artificial. Mas as pessoas acreditam que foram feitas de granito natural.

A Coluna de Alexandre (ou Coluna Alexandriana) é um monumento icônico localizado no centro da Praça do Palácio, em São Petersburgo, erguido para homenagear o Czar Alexandre I após a vitória sobre Napoleão em 1812. Inaugurada em 1834, é o monólito de granito mais alto e pesado do mundo, coroado por um anjo.

Projetada pelo arquiteto Auguste de Montferrand, diz a lenda que a coluna é feita de um único bloco de granito vermelho, medindo mais de 25 metros de altura e pesando cerca de 600 toneladas. Mas a verdade é que, da mesma forma que as colunas da Catedral de Santo Isaac, a Coluna de Alexandre é feita de granito artificial fundido.

Essa é a estátua equestre do czar Nicolau I. A base que dá suporte as estátuas de bronze é feita de pedra artificial em três cores.

O próprio Auguste de Montferrand encomendou as colunas da Catedral de Santo Isaac da Inglaterra, para que pudessem ser fundidas no tamanho necessário. Elas custaram muito mais barato e, o mais importante, têm uma ótima aparência. Como as colunas são bastante grandes, o processo de fabricação provavelmente levou muito tempo. As camadas visíveis indicam que um volume tão grande de polímero não poderia ter sido despejado de uma só vez, mas sim adicionado gradualmente, o que é lógico.

Além disso, Auguste tinha 100% de conhecimento sobre a pedra Coat. Ele poderia ter encomendado elementos de acabamento da catedral a eles. Incrustações também poderiam ter sido feitas usando a pedra Coat. Todas as colunas e demais peças de pedra artificial moldadas foram trazidas de navio da Inglaterra para São Petersburgo.

Ou pode ser que especialistas ingleses vieram acompanhar a moldagem das colunas no próprio local de construção. Esse desenho parece mostrar as formas das colunas da construção da Catedral de Kazan. Primeiro eles derramaram concreto e depois o rebocaram com pedra artificial de “granito rosa”.

Abaixo estão fotos de colunas de granito do Templo de Júpiter em Baalbek, Líbano. Essas colunas são ainda maiores que as colunas da Catedral de Santo Isaac. Como os antigos romanos criaram esse milagre? Dá para ver rachaduras nas colunas que revelam seu interior. Como um núcleo de arenito foi parar dentro de uma coluna de granito?

O arenito foi revestido com granito polimérico, como gesso cuidadosamente polido após endurecer. Isso é muito interessante pois os romanos construíram o Templo de Júpiter  com suas colunas colossais por volta de 220 d.c. Os romanos usavam a técnica de pedra artificial em suas construções.

A grande Coluna do czar Alexandre I foi moldada a partir de pedra artificial Victoria. O arquiteto francês Montferrand economizou de todas as maneiras possíveis, ou melhor, usou materiais inovadores para seu próprio benefício. Na verdade, era um projeto de construção com dinheiro russo, e parceiros na Inglaterra produziram tudo e enviaram de navio para a nova capital russa.

O Palácio de Inverno e seus recintos, que serviu como residência oficial da Casa de Romanov, hoje abrigam o Museu Hermitage em São Petersburgo . Suas belas colunas internas e vários outros elementos decorativos são todos feitos de pedra artificial.

Os interiores do Museu Hermitage são um tópico separado para reflexão. Dê uma olhada nos famosos vasos nos corredores do museu. Eles parecem ter sido esculpidos em um único pedaço de pedra. Por exemplo, é simplesmente impossível fazer um vaso Kolyvan à mão. Apesar de existirem máquinas CNC hoje em dia, não podemos repetir nada parecido, essas obras-primas são feitas usando uma tecnologia que já foi perdida há muito tempo.

Segundo dizem os historiadores russos, o vaso Kolyvan foi feito em 1816-1820 a partir de grande pedra verde extraída na pedreira de Revnev, em Altai, e que cerca de 100 pedreiros trabalharam no vaso por muitos dias. Essa é outra história falsa para encobrir que esses vasos são de granito polimérico moldado, e que foram produzidos na Inglaterra e enviados para a Rússia.

Londres tinha várias empresas de fundição especializadas na produção de mármore e granito artificial para elementos decorativos. As empresas tinham catálogos de produtos e desenvolviam peças sob encomenda. Um catálogo de pedra artificial de 1841 mostra várias peças decorativas que parecem com os vasos do Museu Hermitage.

A Bloom Studios era uma empresa americana famosa nos anos 1930 especializada na produção de pedra artificial de alta qualidade, incluindo “Art Marble”, “Art Travertine Stone” e “Caen Stone”. Seu mármore artificial era feito com cimento, pigmentos e outros ingredientes misturados de forma a garantir uma reprodução exata da pedra desejada. Os produtos foram comercializados para arquitetos e construtores como uma combinação de beleza, qualidade e economia.

O versátil mármore artificial da Bloom Studios era utilizado em colunas, pilastras, lambris, molduras, vigas e painéis de teto, nervuras de arcos ogivais, escadas, balaustradas e para inúmeros fins interiores que exigiam beleza decorativa, durabilidade e economia. Mansões, teatros, cinemas, edifícios públicos e edifícios comerciais eram decorados com o mármore artificial. Na Inglaterra dos séculos XVIII e XIX  haviam ateliers como a Bloom Studios que produziam pedra artificial fundida.

Os famosos atlantes do Hermitage merecem atenção especial. São 10 gigantes de granito cinza, apoiados em bases de granito rosa, que estão segurando um pórtico com suas mãos poderosas, enquanto seus torsos se curvam, tensos de poder. Esta é a imagem épica que esses heróis de pedra revelam! Como se pudessem ganhar vida a qualquer momento.

Provavelmente não há um único residente ou turista em São Petersburgo que não tenha admirado pelo menos uma vez as enormes figuras dos atlantes que sustentam o novo pórtico do Hermitage. Sua aparência majestosa inspira respeito, mas ao mesmo tempo você quer se aproximar e entender quais segredos essas esculturas misteriosas contêm.

Dizem que, em meados do século XIX, um certo escultor, Alexander Terebenev, e seus assistentes esculpiram dez estátuas de granito cinza com mais de 5 metros de altura. Ele contou com a ajuda de 160 pedreiros, camponeses russos comuns. O próprio artista, segundo historiadores, esculpiu apenas os rostos. Suas ferramentas eram um martelo e um cinzel, nada mais. Basicamente, era só isso. E o trabalho para esculpir os atlantes levou mais de um ano. Essa história não passa de invenção.

Os atlantes foram digitalizados e seus modelos 3D foram rotacionados e combinados, e descobriu-se que são 97% idênticos, com precisão de frações de milímetro. Pequenas variações locais, de 2 a 3 milímetros, são simplesmente insignificantes para tais dimensões. Esse grau de compatibilidade entre as estátuas não pode ser alcançado com um cinzel e martelo. Isso pode ser conseguido com uma fundição em molde.

Da mesma forma que as colunas e outros elementos decorativos em São Petersburgo, os atlantes também foram feitos de granito polimérico na Inglaterra. Isso dá uma ideia do nível de sofisticação que os ateliês britânicos alcançaram.

Nem tudo que é visto nas construções históricas de São Petersburgo é feito de pedra artificial, mas acredita-se que a maior parte seja pois era mais econômico. O próprio busto de Auguste de Montferrand foi feito de pedra Coad. Muito provavelmente o próprio Montferrand fez isso para si mesmo, ou melhor, encomendou da Inglaterra.

Segundo historiadores, Anton Yegorovich Foletti criou o busto de Montferrand em 1850 a partir de entulhos da construção da Catedral de Santo Isaac. A história conta: “Ele o esculpiu em mármore branco de Carrara, o cabelo em mármore cinza de Bardillio, o uniforme em granito cinza, a gola em ardósia, a capa em quartzito framboesa de Shoksha, a fita em mármore verde e as medalhas em mármore amarelo de Siena e quartzito framboesa. O pedestal do busto era de mármore rosa de Tivdia.

Uma colossal banheira de pedra artificial de 48 toneladas, que imita perfeitamente granito, conhecida como Banho do Czar, foi criada no início do século XIX para o Czar Alexandre I. Com dimensões de 1,96 metros de altura, 5,33 metros de diâmetro e capacidade para 23 metros cúbicos de água, seu design reflete precisão e grandiosidade.

Esta extraordinária criação está atualmente em exibição no Palácio de Catarina, em Tsarskoye Selo, São Petersburgo, Rússia. Dizem que a banheira foi meticulosamente esculpida a partir de um único bloco de pedra proveniente de uma ilha finlandesa e transportada para São Petersburgo com um esforço extraordinário.

O mais provável é que ela foi moldada na Inglaterra e transportada de barco para São Petersburgo, como todos os demais elementos decorativos feitos de pedra artificial. Praticamente todos os vasos e banheiras colossais que estão em exibição pública na cidade foram feitos de pedra artificial mas as pessoas acreditam que são de pedras naturais. As pessoas simplesmente ignoram que a tecnologia de pedra artificial existe há milênios. Várias esculturas antigas que estão nos museus foram feitas de pedra artificial e não esculpidas com cinzéis.

Esta colossal tigela de granito é uma das principais atrações de Berlim. Seu diâmetro é de 6,9 metros e o peso é de 75 toneladas. Ela também é de pedra artificial e provavelmente foi fabricada na Inglaterra e depois transportada para Berlim, mas como sempre acontece, uma história falsa foi criada, dizendo que a tigela foi esculpida à mão por vinte pedreiros de uma enorme pedra de granito pesando cerca de 750 toneladas.

A banheira de Nero está localizada no Museu do Vaticano, mais precisamente na Sala Rotonda. Esta impressionante tigela, que dizem ser feita de pórfiro vermelho, uma pedra rara e preciosa extraída no Egito, provém da Domus Aurea (Casa Dourada) de Nero. Provavelmente servia como elemento decorativo, talvez como fonte, e não como uma banheira propriamente dita.

Como a pedreira de onde provém o pórfiro se esgotou, esta peça é agora insubstituível e de valor inestimável. Essa tigela também é feita de pedra artificial. Se ela realmente é da época de Nero acho difícil pois o Vaticano é especializado em inventar e manipular eventos e personagens “históricos” da maneira que lhe convêm.

Essa banheira parece que foi esculpida de granito natural, mas foi simplesmente fundido a partir do pedra artificial Vitória na Inglaterra. Vários deles são encontrados. Ninguém escreve sobre datas. Mas tenho certeza de que esta também é a década de 20-30 do século XIX. Parece que muitos produtos (se não 100%) feitos de granito rosa no século XIX na Europa forem feitos de polímero Vitória, que agora é facilmente reconhecível mesmo com base nas fotografias fornecidas.

A arquitetura orgânica de Antoni Gaudí (1852–1926) revolucionou o modernismo catalão ao integrar estruturas fluidas inspiradas na natureza, utilizando formas biomiméticas, curvas catenárias e técnicas como o trencadís (mosaico de cerâmica). Seus edifícios, como a Sagrada Família, a Casa Batlló e a Casa Calvet, funcionam como organismos vivos que harmonizam a técnica estrutural com elementos naturais, luz e cor. Gaudí explorou a plasticidade do granito artificial fundido em colunas e elementos decorativos orgânicos na fachada e interiores da Casa Batlló e da Casa Calvet.

Portanto, não há nenhum mistério particular sobre esses milagres de pedra. Sabemos muito pouco sobre o nível da tecnologia ocidental em meados do século XVIII e em todo o século XIX. Assim que o detentor do segredo da pedra Coad morreu, ninguém mais na Rússia fez algo tão surpreendente com as esculturas. Assim que a pedra Vitória foi patenteada, a era da construção em “granito” terminou imediatamente na Rússia. Tudo é lógico.

Não houve apogeu do processamento de granito na Rússia. Havia tecnologias ocidentais compradas. Foi uma época de grande farsa, mas tratava-se de guardar todos os segredos da pedra polimérica. Afinal, toda a história com pedras artificiais terminou da mesma maneira: uma pessoa experiente morreu e ninguém mais conseguiu repetir sua receita. Porque, sabendo do apogeu que ocorreu na Inglaterra em termos de produtos poliméricos, tal florescimento é geralmente mantido em silêncio?

Há informações de que na Inglaterra, desde meados do século XVIII, tecnologias para a produção de pedra artificial vêm se desenvolvendo. Havia receitas para um polímero líquido que, quando solidificado, poderia imitar qualquer tipo de pedra natural. No século XIX, existiam vários tipos de “cola” para blocos (material entre costuras). Eram incolores, elásticos, superfinos, imitando a base do bloco. Mas a técnica de pedra artificial é muito mais antiga e não surgiu na Inglaterra, os ingleses apenas modificaram as fórmulas e as patentearam para lucrar.

Muitos acreditam que, na antiguidade, os artesãos munidos com cinzéis e martelos esculpiram grandes e pesados blocos de mármore e granito até formar colunas, banheiras, vasos, estátuas e peças decorativas perfeitas, mas na verdade, a pedra artificial fundida foi o método mais utilizado por ser obviamente mais econômico e conveniente.  Leia mais no post abaixo:

Tecnologia antiga – Os monumentos megalíticos foram feitos com geopolímero?

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Renato Cunha
O blog Stylo Urbano foi criado pelo estilista Renato Cunha para apresentar aos leitores o que existe de mais interessante no mundo da moda, artes, design, sustentabilidade, inovação, tecnologia, arquitetura, decoração e comportamento.

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