O mundo precisa de cooperação. A crise dos últimos dez anos tem sido uma crise de valores e confiança. Uma sociedade cooperativa poderia construir um novo ambiente econômico, uma nova ecologia em que a ideia de valor é baseada em uma infra-estrutura mais equitativa fundada na cooperação e não competição, na produção justa, mútua, ética e sustentável e não na extração mundial, desperdício, poluição e exploração.

A cooperação é um termo chave para explicar como as relações econômicas e sociais podem ser justas, igualitárias e colaborativas, transferir a propriedade de volta para o coletivo. As cooperativas estão sendo usados como uma alternativa para o habitual modelo de negócios hierárquicos das empresas. As cooperativas de empresas são criadas por pessoas que se unem voluntariamente de forma democrática, com o objetivo de melhorar as suas necessidades econômicas e sociais.

A maior cooperativa de trabalhadores no mundo se chama Grupo Mondragon e está sediada em Arrasate-Mondragón, uma cidade em Gipuzkoa, no País Basco, norte da Espanha, distante 400Km de Madrid. A cidade sofreu imensamente durante a guerra civil espanhola chegando a ter um elevado nível de desemprego. No passado, a região basca foi uma das mais pobres do país, mas hoje é a mais rica e sua prosperidade foi devido a um forte senso de auto-determinação, participação popular e intervenção não-governamental.

Na década de 1940 o jovem padre católico Don Jose Maria Arizmendiarrieta chegou à Mondragón e decidiu focar-se no desenvolvimento econômico da cidade, tendo por base os métodos cooperativos para conseguir os seus objetivos. Já havia na região uma tradição de organizações cooperativas e de auto ajuda, mas foram destruídas com a guerra.

O padre Arizmendiarrieta queria criar empresas cooperativas humanistas que suprissem as necessidades dos trabalhadores. Ele e outras pessoas criaram uma escola técnica, em seguida, fundaram um banco cooperativo, o Caja Laboral, levando à primeira cooperativa industrial em 1956. Hoje, Mondragon é uma das mais bem sucedidas empresas espanholas com vendas globais superior a US $ 15 bilhões, empregando 75.335 pessoas em 261 cooperativas, 15 centros de inovação, escritórios em 41 países e vendas em mais de 150.

As cooperativas Mondragon baseiam-se em 10 princípios: organização democrática, admissão aberta, natureza subordinada e instrumental do capital, o valor e a importância do trabalho, participação nas decisões de gestão, pagamento justo, transformação social, cooperação, educação e universidade. Os trabalhadores em Mondragon tem controle total sobre a sua empresa. Uma vez por ano, os membros da cooperativa se encontram numa assembleia geral e elegem quem eles querem no comando. Esse Conselho de Administração é escolhido para liderar a cooperativa na tomada de decisões importantes e decidir a estratégia da empresa.

Além disso, as cooperativas não são responsáveis ​​pelas necessidades dos acionistas pois pessoas de fora não podem comprar qualquer participação, o que permite que os investimentos sejam feitos exclusivamente em sua cooperativa, com o interesse a longo prazo da comunidade em mente. Em vez disso, os trabalhadores da Mondragon recebem uma parte dos lucros ou as perdas anuais com base em uma fórmula que tenta refletir a contribuição produtiva relativa de cada trabalhador.

Usando esta fórmula, a maior parte dos lucros são reinvestidos, por sua vez, na criação de novas cooperativas e empregos, bem como estimular o crescimento do Grupo Mondragon. Os fundos também são utilizados para o bem-estar social, prestação de cuidados para a aposentadoria, viuvez e invalidez. Além disso, os principais CEOs em Mondragon ganham de três a nove vezes mais do que os empregados das cooperativas, o que é significativamente menor do que a maioria das empresas.

O Grupo Mondragón baseia sua atuação nos princípios cooperativos e na forte inter-cooperação entre as diversas cooperativas que o compõem e que se complementam. A política da MCC é de manter as cooperativas focadas no que são especialistas e havendo a necessidade de produzir internamente algum novo componente, antes adquirido do mercado, cria-se uma nova cooperativa com este propósito específico.

Quando uma cooperativa tem um problema econômico, os trabalhadores preferem fazer cortes nas despesas do que demitir. Se a situação for muito ruim, os trabalhadores excedentários são integrados noutras cooperativas do grupo temporariamente. Desde 1990, Mondragon tem expandido seus negócios para mercados internacionais. Hoje, eles têm centenas de empresas em países diferentes, no entanto, estas empresas não são todas cooperativas. Em 2006 Mondragon começou a trabalhar com o México, Brasil e Polônia para educar os funcionário sobre como executar corretamente um cooperativa de sucesso.

O Grupo Mondragon é a prova explícita de como os políticos são dispensáveis. Foi a iniciativa e união dos trabalhadores que possibilitou criar uma empresa internacional de sucesso e que cria tantos empregos e inovação. Foram os indivíduos, sem a interferência dos políticos e do Estado, que fizeram tudo isso. Se um país funcionasse como uma sociedade cooperativa, não precisaríamos de políticos corruptos e oportunistas que criam dificuldades para vender facilidades.

Uma sociedade cooperativa seria um antídoto contra a ameaça do desemprego tecnológico causado pela Inteligência Artificial e sistemas automatizados, que prometem no futuro extinguir milhões de postos de trabalho na indústria e comércio? Empresas controladas por indivíduos, famílias e acionistas poderiam facilmente adotar essas novas tecnologias disruptivas para substituir seus empregados mas para as empresas cooperativas, isso não faz sentido pois elas são propriedade dos trabalhadores, que obviamente não irão querer perder seus empregos para máquinas inteligentes. Saiba mais como funciona o sociedade cooperativa Mondragon aqui.

DEIXE UMA RESPOSTA