Quando você sente o aroma de café torrado, que tipo de lembrança vem a sua mente? Talvez estar sentado numa elegante cafeteria na Itália? Ou talvez numa das lojas Starbucks? Para algumas pessoas, o café faz parte da socialização do estilo de vida moderno e até mesmo das tendências da moda. Mas para você, a borra de café poderia ser convertido numa  linha inovadora de tecidos ecológicos de vanguarda?

Esta combinação improvável ganhou vida graças a Jason Chen, fundador da S.Café e Presidente da Singtex, uma empresa têxtil em Taiwan, que revolucionou a indústria têxtil usando a borra de café para dar um impulso na tecnologia verde e na comunidade de moda sustentável. Beba-o e use-o!

Engenhosamente, o empresário e visionário Jason Chen decidiu dar uma nova vida a borra de café que antes ia parar no lixo mas agora é reciclada, criando novos tipos de tecidos feitos de café o que resultou na aquisição de inúmeras patentes e prêmios. Muitas das grandes invenções inspiraram-se em pequenas coisas da vida e a invenção de Jason não é excepção. Jason recorda a piada que sua esposa fez o que levou à criação de Singtex.

Não é uma piada

“Há um pouco de história … Em um dia quente e ensolarado, eu estava desfrutando de uma xícara de café com minha esposa no Starbucks … e, de repente, vimos um homem pedindo borra de café, o que chamou a atenção de minha esposa. De repente, ela disse: “Seria ótimo se você pudesse incorporar borra de café em roupas, assim elas vão ter um cheiro mais agradável”. Eu sei que as borras de café tem uma função desodorizante, por isso eu pensei que essa ideia provavelmente aumentaria o meu negócio têxtil, bem como promoveria benefícios ambientais, e assim que eu fiz uma tentativa e deus certo! “

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Mais contratempos, mais ganhos

Dez anos atrás, a indústria têxtil não estava tão madura como está hoje e a equipe da Singtex foi a primeira de seu tipo em colocar a borra de café em tecidos. Como esperado, sua equipe teve que superar muitos desafios e contratempos durante a fase de desenvolvimento e produção de fios de café. Como Jason se lembra:

“Em 2005 eu comecei a investir em procedimentos mais práticos para criar as linhas de café. No entanto, encontrando desafios no processo e percebi que o problema principal era sobre a técnica, a capacidade para lidar com grãos de café reciclados e os seus resíduos, enquanto ela ainda continha óleo e água. Ele tinha que ficar super seco para fazer as fibras. Outro problema que tivemos foi a cor que era difícil de descolorir. Finalmente encontramos a solução por meio de uma cara máquina de extração de alta tecnologia originalmente usada para a medicina chinesa, para extrair e absorver a cor de café. Nós testamos isso várias vezes até a oitava amostra ter tido sucesso. “

No entanto, nem todos os problemas foram resolvidos, segundo Jason: “O cheiro nos surpreendeu! A combinação do cheiro das borras de café com a pele humana deu outro cheiro estranho. Realmente não foi um cheiro muito bom … e muito longe de ser um desodorante. Enfim, após muito trabalho, todos os problemas foram resolvidos no processo de desenvolvimento e agora nosso produto S.Café® vai a ser atualizado para o próximo nível. “

O tecido de café na moda

Desde que foi formalmente lançado em 2009, a Singtex desenvolveu e produziu uma grande variedade de produtos relacionados com o S.Café® atualmente inclui fios feitos de café, tecidos de café, vestuário, roupa íntimas, roupa de cama e sapatos.

Estes produtos podem ser encontrados em toda a Europa, América, Japão e Coréia do Sul em colaboração com mais de 110 marcas internacionais. Agora me diz, essa empresa sofre concorrência dos tecidos chineses? Não, pois as tecelagens chinesas fabricam em sua imensa maioria, tecidos feitos de algodão convencional e poliéster.

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O procedimento básico para se obter a fibra do S.Café inclui a mistura dos resíduo de café com frascos feitos de plástico reciclado que sofre re-polimerização para ser transformado em um fio de café, este é o procedimento básico. A matéria-prima é uma combinação de café e de poliéster reciclado e depois do tecido estar fabricado, a qualidade e aparência são tão bons quanto os obtidos através da utilização de novos materiais.

Uma outra invenção é o P4DRY que usa borras de café readaptados para fazer uma camada impressa em 3D que tem quatro funções principais: secagem rápida, controle de odores, redução da taxa de condensação e é um produto tremendamente sustentável. O P4DRY obteve o iF Design inovador Award na Alemanha em 2013.

Mylithe é uma nova invenção e o mais recente desenvolvimento do S.Café. Este novo têxtil é para roupas funcionais, tais como yoga, corrida e uso confortável em geral. A técnica utiliza um método de “textura de ar” para criar uma sensação de toque de algodão, mantendo as funções de controle de odores, proteção UV e secagem rápida.

Produtos de beleza feitos de Café 

Além dos tecidos a equipe da Singtex encontrou outros benefícios do café, tais como a produção de óleo de café, um óleo puro extraído da borra de café, que é ótimo para ser utilizado em produtos de cuidados da pele. Como Jason explica:

“A fim de obter o óleo de café puro gastamos mais de 10 milhões de dólares para a aquisição de máquinas com base na tecnologia de extração supercrítica. A intenção é explorar o óleo puro da borra de café em produtos para a indústria da beleza e saúde. A mais recente patente relacionada com óleo de café inclui uma série de produtos cosméticos, que são feitos usando um sistema único de extração supercrítica”. Veja abaixo a “árvore do café” da Singtex.

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A borra de café tem diversas utilidades

Para responder à atual onda de consciência ambiental global, a Singtex desenvolveu a nova marca, o S.Café AIRNEST, uma espuma orgânica feita de óleo de café para substituir a espuma PU tradicional produzida com petróleo; a substituição atinge pelo menos 25% de matérias-primas petroquímicas. Ele tinha sido aprovado e reconhecido por um relatório internacional de teste de matérias-primas.

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Outra invenção é uma membrana especial de impermeabilização feita de óleo de café, que é flexível, leve e extremamente fina, mas o desempenho é muito melhor do que outros materiais de PU ou PVC. “A técnica que introduz o hidrófilo em material de óleo de café não só alcança uma alta impermeabilização mas também tem uma excelente permeabilidade à umidade,” destaca Jason Chen.

Este é um têxtil funcional inovador, uma nova introdução a técnicas de processo de laminação têxtil, aumentando o valor acrescentado dos produtos têxteis. É agora amplamente utilizado em casacos de esqui, casacos desportivos, jaquetas, luvas, chapéus, colchas e outros materiais.

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Os avanços da tecnologia sustentável

O empresário Jason Chen está orgulhoso dos produtos da S.Café:

“Estou orgulhoso de cada um dos produtos que desenvolvemos. Eles representam o esforço, energia e tempo de nossa equipe. Continuaremos a desenvolver para alcançar uma gama completa de produtos de café sustentável. Além de tecidos, nós gostaríamos de melhorar uma grande extensão do S.Café e aplicá-lo em diferentes áreas de negócio. “

“A fim de alcançar a plena utilização dos resíduos da borra de café, vamos continuar a explorar outras opções. Nos últimos oito anos, temos desenvolvido com sucesso algumas marcas privadas, incluindo o S.Cafe, ICE Café, eco²sy, P4DRY, Sefia,mylithe, AIRNEST e o AEx Technology que nos permite criar um turbilhão em novos tecidos liderando o crescimento do valor de produção e escala no campo sustentável”.

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As aplicações dos tecidos e materiais feitos de café podem ser aplicados na vida diária nos mais diversos produtos, mas também como uma tecnologia sustentável fantástica.  A importância do café na economia mundial é indiscutível. Ele é um dos mais valiosos produtos primários comercializados no mundo, sendo superado apenas em valor pelo petróleo como origem no desenvolvimento de negócios entre os países.

Seu cultivo, processamento, comercialização, transporte e mercado proporcionam milhões de empregos em todo o mundo. Apesar de ser o maior produtor mundial de café, e o segundo maior mercado consumidor, o Brasil ainda está longe de alcançar a Itália e Alemanha, maiores exportadores do mundo, quando se trata de café industrializado.

Sendo o maior produtor mundial de café, o Brasil descarta milhões de toneladas de resíduos de café no lixo todos os anos, em vez de serem transformados em algo mais útil como tecidos sustentáveis para substituir o algodão tradicional cuja produção gasta bilhões de litros de água e pesticidas na sua fabricação.

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Otimismo traz oportunidade para o sucesso

Jason Chen é uma pessoa otimista por natureza, não tem medo de dificuldades e é um líder fantástico da equipe de desenvolvimento de Singtex. Tome o S.Café como exemplo, a equipe não sabia nada sobre as potencialidades do café no início e passaram uma grande quantidade de tempo e esforço em pesquisas e experimentações, depois de várias tentativas e ajustes para transformar um material estranho em uma oportunidade de negócio para criar o sucesso de hoje. Jason Chen conclui com uma nota positiva:

“Para solucionar problemas, meu lema é “superar as dificuldades que não são difíceis de superar.” Eu gosto de aprender habilidades para resolver problemas. Muitas vezes eu encontro os desafios de uma empresa em funcionamento, mas enquanto mantemos nosso otimismo, não temos medo de dificuldades e seremos capazes de resolver todos os nossos problemas!”.

Jason Chen tem uma visão do mercado de moda bem diferente dos empresários da indústria têxtil brasileira que vivem reclamando da concorrência dos tecidos importados da China em vez de correrem para desenvolver tecidos inovadores e sustentáveis que os chineses não fabricam. Muitos empresários preferem falir suas tecelagens do que inovar pois estão paralisados no comodismo e na eterna reclamação.

A Singtex está empenhada em participar em várias exposições internacionais sobre tecidos e vestuário como a Premiere Vision em Paris e a  Intertextile Textile Exhibition em Xangai. Os contínuos esforços de pessoas como Jason Chen para desenvolver novos tecidos sustentáveis é ótimo para o planeta e para o conceito de moda sustentável, pois o investimento da indústria têxtil em novos tecidos ecológicos ajuda a expandir o crescente mercado do slow fashion com novos estilistas e marcas de moda ética.

Produtos e tecnologias inovadoras podem nos ajudar a aproveitar os recursos valiosos para uso. Além do S.Café um outro exemplo é a fibra Qmilk. Para a produção do Qmilk, usa-se resíduos da indústria de lacticínios e somente recursos naturais. O consumo de água é minimizado para no máximo 2 litros de água durante todo o processo de fabricação.

Esse processo leva apenas 1 hora de tempo para o processamento, sem acumular resíduos. Durante a gestão da fabricação, a Qmilch também usa “energia verde” e pode ser aplicado em tecidos para moda, decoração e automotivo, aplicações médicas e também em cosméticos. Mais detalhes sobre o Qmilk estão neste arquivo pdf.

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