Lembra do megaprojeto mais ambicioso do mundo? The Line é uma cidade linear no meio do deserto da Arábia Saudita com 170 quilômetros de extensão, 200 metros de largura, 500 metros de altura com parede espelhada e foi projetada para ser a moradia de 1,5 milhão de pessoas em seu interior. Quando vi esse projeto pela primeira vez, achei não só um completo delírio megalomaníaco mas parece uma prisão futurista criada pelo Fórum Econômico Mundial. Quem moraria em algo tão deprimente?
“Finalmente aprendemos a fazer cálculos extremamente complexos e em breve veremos a Cidade Milagrosa!”– alguns admiraram. “Vamos! São apenas sonhos – o projeto nunca será lançado!” outros responderam com ceticismo. E qual deles estava certo? Nem um nem outro. Embora a construção tenha começado, em Setembro de 2025 o Fundo Soberano da Arábia Saudita congelou esta construção. Isto significa que é improvável que vejamos essa megacidade inteligente no futuro.
Como assim? Talvez porque os construtores ficaram subitamente horrorizados: “Mas como viverão aqueles cujas janelas dão para dentro da cidade? Os coitados nunca verão o sol!“, em teoria, esta é a primeira coisa que qualquer pessoa sã notaria ao olhar para o projeto. Mas parece que os idealizadores do projeto não pensaram nesta questão. Tudo é muito mais prosaico. Prepare-se…
A realidade acompanhou brutalmente os planos ambiciosos. Uma explosão de custos inimaginável, que catapultou estimativas de US$ 500 bilhões para quase US$ 9 trilhões, reservas de caixa cada vez menores e falta de investidores internacionais estão forçando a Arábia Saudita a mudar radicalmente de rumo. O resultado é um desastre financeiro e uma redução drástica do projeto em mais de 98%. Apenas um pequeno fragmento será realizado até 2030. Este foi um fracasso espetacular que abalou toda a estratégia futura do reino.

Um relatório interno obtido pelo Wall Street Journal estimou o custo total em astronômicos US$ 8,8 trilhões. Isso é mais de 25 vezes o orçamento nacional anual da Arábia Saudita. A construção se estenderia dos 25 anos originalmente planejados para mais de 60 anos, com conclusão não prevista até 2080. Estes números ilustram a extensão dos erros de cálculo. Mesmo para um país rico em petróleo como a Arábia Saudita, tais somas são simplesmente inacessíveis. O fundo soberano saudita (PIF), que deveria financiar os projetos, tinha reservas de caixa de apenas US$ 15 bilhões em setembro de 2023 —uma fração do que seria necessário somente para a primeira fase.
Só o vidro espelhado para a fachada exigiria 200 anos de produção – na capacidade total do maior fabricante de fachadas do mundo. E toda a cidade foi planejada para ser construída em menos de uma década. No seu auge, a construção consumiu 20% da produção global de aço. E isso é apenas para a base, apenas em profundidade. Nunca chegou ao ponto de construção ascendente.
Eles prometeram construir The Line em 10 anos, mas já se passaram mais de 5:
- Promessa: 170 km até 2030
- Construído (fundação): 2,4 km
- Status do projeto: congelado
O projeto do século tornou-se um símbolo de sonhos despedaçados e de megalomania sem limites do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman. Então, como foi tomada a decisão de construir The Line? Afinal, já foram gastos 44 bilhões de euros! Acontece que não houve cálculos. O conselho de administração tomou todas as decisões exclusivamente com base em representações 3D. Sem planos, sem expertise e sem realidade. Só tenho uma dúvida: sem sol, sem varandas, sem sair dessa cidade de 5 minutos… Essa “prisão de luxo” no deserto era para fazer alguém feliz?
Para obter mais informações sobre exatamente como esse projeto falhou, assista a este vídeo que se aprofunda na história completa de THE LINE — as impossibilidades da engenharia, a manipulação financeira, o custo humano e o que realmente resta no deserto hoje.
O governo da Arábia Saudita interrompeu a construção da The Line por uma série de motivos, sendo os principais falta de dinheiro e tempo de construção. Se uma nação tão rica como a Arábia Saudita, que dispõe da tecnologia de construção mais avançada, fracassou no projeto magalomaníaco de construir uma cidade vertical com 170 quilômetros de extensão, 200 metros de largura, 500 metros de altura com parede espelhada, como os antigos egípcios conseguiram construir as três pirâmides de Gizé, que foi um megaprojeto como a The Line?
Uma coisa são as estruturas das pirâmides que vemos acima do solo, outra coisa são as estruturas muito maiores que estão abaixo delas. Em 2022, os pesquisadores Corrado Malanga e Filippo Biondi publicaram sua pesquisa usando tomografia de radar de abertura sintética (SAR) para escanear a Pirâmide de Quéfren e descobriram o que parece ser um vasto sistema subterrâneo que se estende por dois quilômetros abaixo dela.
As descobertas incluíram cinco estruturas idênticas de vários níveis conectadas por passagens geométricas perto da base da Pirâmide de Quéfren, bem como oito poços cilíndricos verticais, circundados por caminhos espirais que descem 648 metros abaixo da superfície. Mas os pesquisadores italianos descobriram que as enormes estruturas encontradas abaixo da pirâmide de Quéfren também estavam abaixo das pirâmides de Queóps e Miquerinos e até da Esfinge.
Não havia a mínima condição financeira e tecnológica para os antigos egípcios construírem algo tão gigantesco. A não ser que esse megaprojeto tenha sido projetado e construído por raças estelares avançadas. O que foi o caso!








































