O Big Bang da revolução da estamparia digital ganhou força nos últimos anos com 5 marcas de vanguarda como Alexander Mcqueen, Peter Pilotto, Mary Katrantzou, Clover Canyon e Basso & Brooke. Antes, ninguém realmente pensava que a tendência de estamparia digital iria durar muito pois tinha sido difícil convencer as mulheres a abraçar o conceito. Mas os pessimistas estavam errados: 7 anos depois, a impressão digital continua dominando as passarelas (o que vai acontecer com a impressão 3D também) e está sendo acompanhada de outra tecnologia que é a modelagem virtual 3D.

Desde o início de 1990, a tecnologia de jato de tinta e especialmente a tinta à base de água (conhecida como sublimação de tinta ou dispersão direta de tinta) tornaram possível imprimir diretamente em tecido de poliéster. Isto começou principalmente com a comunicação visual no varejo e na promoção da marca (bandeiras, banners e outras aplicações de ponto de venda). A impressão em nylon e seda pode ser feito por meio de uma tinta ácida. Tinta reativa é usada para fibras à base de celulose, como algodão e linho.

1. Tintas Reativas – para imprimir em todas as fibras naturais.
2. Tintas Ácidas – para imprimir em lycra poliamida, seda, lã.
3. Tintas Dispersas – para imprimir diretamente em poliéster e misturas.
4. Tintas de Sublimação – para imprimir em papel de sublimação para ser transferido para tecidos.

Issey Miyake foi um dos primeiros a aproveitar a tecnologia da estamparia digital em suas coleções com a colaboração de artistas convidados, mas foi a coleção de Alexander McQueen de Primavera 2010, Plato´s Atlantis, que realmente colocou a estamparia digital na mira da moda e ganhou mais força com o trabalho da estilista Mary Katrantzou. A nova geração de designers de moda, cresceram usando todos os meios digitais durante sua vida e obviamente que é  natural que eles usem também essa tecnologia em suas coleções. A estamparia digital deu aos estilistas a liberdade de colocarem suas idéias sobre tecido como nunca existiu antes como é o caso da marca Continuum que se baseia completamente na impressão digital e impressão 3D.

Existem dois processos de estampagem sendo um o da sublimação, onde uma grande impressora faz a impressão da estampa sobre um rolo de papel especial que depois transfere o desenho sobre tecidos sintéticos através de calor e o outro processo é o de impressão digital feita diretamente sobre tecidos de fibra natural, com redução de 95% no uso de água e 75% do consumo de energia, minimizando o desperdício têxtil. As vantagem da impressão digital são as de estampar com milhares de cores e a capacidade de fazer pequenas tiragens de cada desenho o que é de grande ajuda para quem faz roupas sob medida ou pequenas produções.

Já a modelagem virtual 3D de roupas é feita pelos softwares OptiTex e CLO 3D que dão uma contribuição fantástica aos estilistas que agora podem ter uma noção exata de como vai se comportar suas criações antes de serem produzidas. O software OptiTex foi criado para que o estilista possa desenvolver suas coleções de roupas em avatares virtuais, testando os diverso tipos de caimento de tecido e estampas antes de confeccionar a peça real. No OptiTex o designer pode fazer teste de cores, testar o caimento dos tecido, modificar a modelagem, colocar e modificar estampas e ter uma noção exata da modelagem da roupa para evitar desperdício de tecido. Já o software CLO 3D dá movimentos aos avatares para que desfilem numa passarela virtual mostrando de todos os ângulos o caimento das roupas. Fantástico!

Mas a moda é sobre criatividade não é mesmo? Os métodos digitais melhoraram isso também, dando inigualável liberdade criativa para o designer. Os padrões das estampas não precisam ser repetitivos ou fazer sentido para que a máquina as aceite; qualquer combinação de design funciona, o que significa que você pode esboçar a sua roupa no mais fino dos detalhes. O estilista tem a possibilidade de fazer uma estampa que preencha toda a modelagem de uma camiseta, saia, blusa, bermuda ou vestido e imprimir somente a modelagem com a estampa dentro, possibilitando fazer inúmeros arranjos dentro da modelagem e centralizar os desenhos do jeito que preferir.

Com uma impressora digital têxtil pode-se fazer qualquer tipo de desenho com milhares de cores e imprimi-las no tecido. A eliminação das telas serigráficas e cilindros fornece um benefício enorme para se fazer peças pilotos ou mesmo a produção da coleção com mais rapidez. Além disso, a impressão digital permite ao designer escanear imagens, obras de arte ou qualquer outra coisa que desejar passar para o tecido. A revolução tecnológica na moda começou com essas tecnologias inovadoras que hoje já são utilizadas por diversas empresas, a próxima revolução vão ser a impressão 3D e os tecidos inteligentes que vão levar a moda a um outro nível só visto na ficção científica, e são essas as tecnologias utilizadas em algumas fashion labs de vanguarda.

Veja o exemplo abaixo da coleção Flamingo Pua, que envolveu a concepção, desenvolvimento e criação de protótipos de seis peças de vestuário desde o conceito inicial virtual até a impressão e fabricação das roupas. A utilização de aplicativos 2D e 3D permitiu que todo o desenvolvimento da coleção fosse muito rápida. Este projeto demorou cerca de três semanas do início ao fim. Os programas utilizadas foram Adobe Photoshop e Illustrator, OptiTex e CLO 3D.

O Photoshop foi usado para desenvolver o layout do conceito inicial e o Illustrator foi usado para desenvolver os padrões de repetição das impressões, criar as silhuetas básicas das peças de vestuário onde foram ajustadas as estampas para serem impressas sobre o tecido. O OptiTex é um aplicativo multi-dimensional, e neste projeto ele foi usado para desenvolver o design das roupas e fazer testes de modelagem 3D antes e depois das estampas serem aplicadas e exportar o layout das roupas para o Illustrator.

No OptiTex você cria a paleta de cores, desenvolve as estampas e o layout das roupas

O design das roupas foi rapidamente desenvolvido e as simulações visualizadas utilizando o OptiTex PDS

As estampas gráficas foram adicionadas na silhueta dos desenhos básicos (acima) e depois utilizados como um guia para desenvolver e organizar as partes da modelagem que vai ser impressa digitalmente (abaixo).

O layout das roupas foi exportado do OptiTex para o Adobe Illustrator no tamanho grande (acima). Todas as linhas de contorno da modelagem foram definidos para ficarem invisíveis exceto o perímetro das linhas de corte. As estampas gráficas foram desenvolvidas dentro das linhas de corte para cada modelo de roupa no tamanho real de impressão. É exatamente dessa forma que os estilistas da Peter Pilotto, Clover Canyon, Mary Katrantzou e Continuum trabalham.

Modelagem 3D feita no OptiTex para testar como ficam as estampas nas roupas virtuais

Por último depois da modelagem com as estampas já tiverem sido organizadas no arquivo digital é só mandar imprimir

Toda a coleção Flamingo Pua finalizada

O CLO3D foi o aplicativo usado para dar movimento natural aos avatares e criar um desfile de moda virtual para a coleção Flamingo Pua

O Optitex é usado pela grife Cavalli para ajustar suas belas estampas na modelagem das roupas. O vídeo também mostra os tecidos sendo impressos digitalmente.

Modelagem 3D está mudando a indústria da moda

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