A realidade virtual será o nosso futuro? No início dos anos 90, não havia ninguém que não tivesse ouvido o termo “realidade virtual” (VR) pela quantidade de filmes feitos sobre o tema. Naquela época, nos foi prometido um maravilhoso mundo virtual cheio de aventuras mas que nunca se materializou. No entanto, parece que essas promessas não foram esquecidas e atualmente estamos vendo o renascimento do interesse das empresas e consumidores nessa tecnologia que foi modismo nos anos 90.

A Internet nos possibilitou ter acesso a uma quantidade imensa de conhecimento ao toque de um dedo que jamais foi experimentada pela civilização humana e isso nos libertou das limitações do mundo físico. Essencialmente, a internet disponibilizou a partilha de informações de forma gratuita e ilimitada para todos. Podemos nos comunicar com amigos através de chamadas gratuitas pelo Skype, ter acesso a uma mega biblioteca virtual como o Wikipedia, frequentar aulas de nível universitário online através do Coursera, Veducageekie, e nossa conectividade atual supera tudo que já vimos antes.

Quando estava na faculdade nos anos 90, se eu quisesse ler um tipo específico de informação, tinha que pegar o ônibus e me deslocar por mais de uma hora para chegar a biblioteca da Universidade. Antes gastava-se muito tempo e esforço, mas agora com o acesso a internet através de um notebook, tablet ou smartphone, tenho o mundo todo com o toque de um dedo.

Às vezes é difícil lembrar o quão surpreendente foi esse salto na nossa capacidade de compartilhar informações. No passado, a leitura de livros era o domínio de uma elite privilegiada, enquanto a comunicação de longa distância era impossível ou muito cara. Agora, ambos são baratos, convenientes e quase instantâneos. Ao democratizar o acesso à informação, a Internet tem permitido que qualquer pessoa contribua e aprenda com a comunidade global.

O problema com a internet é que, embora seja uma ferramenta fantástica para a divulgação de informações, às vezes a informação sem experiência, pode perder o seu impacto. Muitos dos cursos online existentes têm conteúdos fantásticos, mas uma percentagem baixa de estudantes acabam por terminá-los. É ótimo ver as mensagens do seu amigo no Facebook, Instagram ou snapchat, mas nada se compara em estar com ele pessoalmente.

Mas isso tudo vai mudar. Assim como a Internet e os smartphones permitiram a partilha rápida e barata de informação, a realidade virtual será capaz de fornecer o mesmo mas com experiências. Isso significa que, assim como nós podemos ler, ouvir e assistir vídeos de qualquer coisa que queremos hoje, logo nós seremos capazes de experimentar simulações realistas impressionantes em realidade virtual ou realidade aumentada. O mundo vai mudar radicalmente. E assim como a internet democratizou o conhecimento para toda a humanidade, a realidade virtual vai ter um enorme impacto sobre a nossa forma de trabalhar, conectar, viver e se divertir.

Realidade Virtual na década de 90

Entre 1985 e 1992, as pessoas (eu incluído) estavam animadas e imaginavam um mundo maravilhoso onde poderiam participar das mais diversas aventuras com um óculos VR. No entanto, em 1995, a realidade virtual tornou-se uma piada pois era extremamente cara para o consumo de massa, os aparelhos eram enormes e a experiência de usá-los causava tontura.

Outro fator que pesou foi que nessa época a internet ainda estava em sua infância, as redes sociais quase não existiam além das universidades e as pessoas não estavam acostumados a ter uma presença online virtual. Na mesma época da VR surgiram os telefones celulares que por terem um finalidade e tecnologia mais simples prosperaram e evoluíram. Felizmente, os avanços tecnológicos vão fazer com os óculos VR o mesmo que fizeram com os celulares. Cada vez mais compactos, potentes, inteligentes e acessíveis.

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O que um dia foi um tijolo vai se tornar num flexível bracelete de pulso inteligente

O ressurgimento da realidade virtual

Passaram-se 2 décadas desde que a realidade virtual se desvaneceu da imaginação pública. Durante esse tempo, temos visto um aumento dramático da interconectividade. No mundo moderno de hoje, temos bilhões de pessoas com uma presença virtual utilizando Facebook, Twitter, Skype, e jogos de vídeo game. O Xbox Kinect e o Nintendo Wii tiveram muito sucesso, e as pessoas estão agora acostumadas a controlar um avatar virtual usando seus corpos.

As tecnologias utilizadas para fazer os óculos VR da década de 90 estão muito mais baratos agora. A tecnologia e os gráficos de computador de hoje pode proporcionar uma sensação muito mais envolvente do que era apresentado há 20 anos sem causar tontura ou cansaço. Como a interconectividade e os avatares online são uma parte da vida diária, será que a hora da realidade virtual finalmente chegou?

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A evolução do óculos VR de um tijolão feio e desconfortável de usar para um óculo compacto e estiloso.

Mark Zuckerberg fundador do Facebook parece pensar assim pois adquiriu a startup de realidade virtual “Oculus” no início de 2014. O Facebook pagou 2 bilhões de dólares por uma empresa que só tinha desenvolvido apenas um protótipo VR antes da aquisição. A Oculus vai lançar seu “Oculus Rift” em 2016 e deve custar mais de US$ 350. Mas além dos óculos VR existem também os óculo de realidade aumentada como o Hololens da Microsoft, além do Google Glass e Magic Leap da Google.

O futuro da realidade virtual

No filme de 1989 “De volta para o futuro 2”, o personagem Marty McFly Jr usava um óculos VR que também funcionava como smartphone e isso vai ser comum em 2020. Como os avanços tecnológicos tornaram os enormes e caros celulares de 1987 nos celulares baratos e inteligentes de hoje, está muito mais fácil para as empresas adotarem a tecnologia de realidade virtual. Com o teletrabalho se tornando a norma nas empresas modernas, a VR pode hospedar reuniões realizadas no mesmo espaço virtual.

Com a miniaturização cada vez maior dos circuitos eletrônicos, os óculos VR serão muito mais leves, elegantes, discretos e terão microcomputadores poderosos capazes de levar todas as informações na sua memória interna para onde você for. Esse dispositivo wearable vai se tornar tão comum como o smartphone é hoje, mas em bem menos tempo por causa da sua capacidade de nos dar experiências sensoriais imersivas que o smartphone não dá.

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Protótipo do óculos de realidade virtual Nintendo U.

A VR é nossa máquina de teletransporte

A realidade virtual está se tornando um campo extremamente promissor, com bilhões de dólares em investimentos mas por que? Qual é a mágica por trás desses estranhos óculos que capturaram as mentes dos tecnólogos de todo o mundo? Tudo se resume a uma palavra: PRESENÇA. Presença é o fenômeno que ocorre quando o cérebro está convencido, em um nível subconsciente, que a simulação VR que você está experimentando é real. Isso não significa que você esqueceu que está em uma simulação, mas o seu cérebro reptiliano acredita que a experiência na montanha-russa do mundo virtua é de verdade, e você sente isso.

A Internet tornou o mundo mais pequeno, mas a VR está prestes a torná-lo divertido. A VR será o nosso teletransporte virtual para outras realidades. Em breve você será capaz de explorar várias lugares pelo mundo, visitar museus, assistir todos os jogos de esportes, fazer compras em shoppings virtuais, e explorar o universo em VR. A “presença” mais o “conteúdo” será uma combinação extremamente potente. Mas tudo é mais divertido com um amigo. Felizmente, você nunca terá que ficar sozinho na realidade virtual pois ela vai ser a evolução das redes sociais com a VTIME e o Project Sansar da Second Life.

Limitações atuais

A partir de 2016, os primeiros óculos VR estarão no mercado mas terão suas limitações, pois para funcionar dependem ou de um smartphone como o modelo Samsung Gear VR (que ao menos não tem fios), de um computador como o Oculus Rift ou de um console de vídeo game como o PlayStation VR. Isso é limitante para a maioria dos consumidores pois os óculos VR necessitam de outros aparelhos para funcionar e isso aumenta o investimento neles.A Internet ampliou o aprendizado mas a realidade virtual vai nos possibilitar experimentar tudo stylo urbano-4

Só existe um óculos VR atualmente que não precisa de um smartphone, console ou computador e este é o novato Auravisor que foi financiado no Kickstarter. O auravisor contêm todos os componentes necessários ao seu funcionamento e pretende concorrer com o Oculus Rift, PlayStation VR, Samsung Gear VR, OSVR, HTC Vive e Google Cardboard pela atenção dos consumidores.

O Auravisor tem um microcomputador embutido que usa Android mas se o utilizador quiser uma experiência mais potente do ponto de vista gráfico, então é possível ligar o óculo a um computador ou a um console graças a uma entrada HDMI. Mas em termos de design, ele é igual aos outros, um tijolão em frente aos olhos. Mas isso vai mudar com um novo chip de computador baseado em luz que é 15 vezes mais rápido que os chips baseados em eletricidade, e mesmo sendo super rápido ele consome o mínimo de energia possível. Esse chip fotônico vai possibilitar na criação de óculos VR que mais parecem óculos de sol inteligentes como o conceito abaixo.

A Internet ampliou o aprendizado mas a realidade virtual vai nos possibilitar experimentar tudo stylo urbano-5A Internet ampliou o aprendizado mas a realidade virtual vai nos possibilitar experimentar tudo stylo urbano-6

O espelho mágico

Atualmente para nos comunicarmos com amigos, colegas de trabalho e familiares utilizamos as mensagens de texto, chamadas de voz e bate-papo com vídeo, mas nunca sentimos as suas presenças. Diferente das outras tecnologias de comunicação, a magia da realidade virtual vem da presença e ela ocorre quando o cérebro acredita em um nível sub-consciente que a cena que você está vendo é real, e a presença social pode convencer o seu cérebro a acreditar que as outras pessoas da experiência VR estão realmente lá com você.

Quer um exemplo? Será inaugurado em 2016 nos Estados Unidos, um novo tipo de parque temático chamado The Void que será o “futuro do entretenimento” onde os jogadores terão experiências imersivas em ambiente de realidade virtual. A tecnologia VR pode criar uma sensação de presença mas nada vai substituir passar tempo fisicamente com as pessoas ao seu redor. A VR pode expandir as oportunidades para a criatividade humana e formas de comunicação nunca antes vista.

A próxima revolução

O surgimento da Internet foi um dos desenvolvimentos mais profundos do século passado para a expansão do conhecimento. Muito em breve, vamos estar aprendendo em salas de aula de realidade virtual, fazer compras em lojas de realidade virtual, e mesmo trabalhar em escritórios de realidade virtual. Só podemos especular sobre as consequências a longo prazo dessa mudança.

Como as cidades serão afetadas quando o escritório VR se tornar padrão? A mudança já está ocorrendo com os espaços de trabalho compartilhado chamado coworking. Como ficará a indústria do entretenimento quando filmes, musicais e esportes serão experimentados através dos óculos VR? Finalmente podemos criar uma universidade digital que supera em qualidade as nossas instituições mais antigas de aprendizagem utilizando também a inteligência artificial?

Às vezes, tudo isso parece muito difícil de entender. Será que podemos realmente ver essas grandes mudanças chegando em apenas poucos anos? Para entender a proximidade dessas mudanças, vejo o exemplo da Wikipédia, uma dos maiores criações da Internet e da democratização da informação. Depois disso, a revolução VR não parece tão improvável.

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