Este está sendo um grande momento para as grandes redes de fast fashion.  A H & M e a Zara estão abrindo lojas em todo o mundo e as vendas globais de moda barata e descartável estão mais fortes do que nunca. O grupo Inditex que detém a Zara, abriu mais de 300 lojas no ano passado em 19 países. Os lucros da H & M foram de 25% no ano passado e a empresa está abrindo mais de uma loja por dia em média.

Com a constante expansão e sucesso inequívoco do fast fashion, será que o consumo consciente de moda poderá prosperar? Será que as decisões de compra de um grupo de consumidores e empresas que focam na ética e sustentabilidade na indústria da moda realmente estão mudando alguma coisa contra a propagação global da cancerosa indústria do fast fashion? Com o advento da Internet e das mídias sociais, a nossa consciência de uma mudança social se acelerou.

Milhões de pessoas puderam ter acesso aos crimes ultrajantes criados pela indústria do fast fashion como exploração de mão de obra escrava de crianças e mulheres em países da Ásia e África bem como a poluição do ar, fonte de água e do solo causados por toneladas de produtos químicos despejados na natureza sem tratamento. A tragédia do colapso da fábrica Rana Plaza em Bangladesh em 2013 onde morreram 1200 pessoas e ficaram feridas mais de 2000 fez aumentar a consciência das pessoas sobre a loucura que se tornou a indústria da moda barata, rápida e descartável.

Apesar de viver em um mundo aparentemente imediato, o processo real de mudança social é lento e meticuloso. Se considerarmos a ideologia do fast fashion, que centra na gratificação instantânea, vamos reconhecer que, juntamente com a Internet, temos sido seduzidos a acreditar que os desejos podem e devem ser facilmente satisfeitos e que os recursos e as pessoas ao redor do mundo podem  manipulados a qualquer momento.

Não podemos esperar que uma mudança econômica e cultural duradoura possa acontecer na mesma velocidade que o sistema de produção do fast fashion, como se reformar a indústria da moda fosse a próxima tendência a aparecer nas prateleiras.

As grandes redes de fast fashion estão crescendo, isso quer dizer que o consumo consciente falhou stylo urbano-1

O movimento do consumo consciente de moda vai contra as forças econômicas poderosas das grandes redes de fast fashion que gastam milhões em marketing e publicidade para convencer as pessoas a comprar os seus produtos.  Outro fator que ajuda no crescimento desses redes varejistas é a crise econômica que faz com que essas roupas baratas e descartáveis sejam escolhidas pelos consumidores que querem economizar.

As leis do capitalismo vão fazer com que a H & M, Forever 21 e Zara possam replicar seu modelo de negócio predatório em todos os mercados possíveis para vender roupas baratas, de má qualidade e descartáveis que custam US$ 5. A sociedade capitalista sempre se move em direção a maximização do lucro e cada vez mais para o consumo descartável, que faz uso de uma cadeia de fornecimento global de produção superaquecido que é especializado em produzir toneladas de coisas que gastam muita água, energia e matéria prima para em pouco tempo serem jogadas no lixo.

Se você não quiser comprar uma camiseta de US$ 5, existem inúmeras outras pessoas que adorariam, ou vão argumentar que US$ 5 é tudo o que podem pagar. Se realmente quisermos subjugar as grandes redes de fast fashion, isso vai exigir nossos esforços como cidadãos e não como consumidores. Isto significa que devemos fazer pressão contra as grandes corporações de moda que importam produtos de países asiáticos como a China, exigindo que essas importações obedeçam às mesmas leis trabalhistas, ambientais e as normas de saúde e segurança dos produtos feitos nos países ocidentais.

Temos de trabalhar com governos e ativistas em nações em desenvolvimento onde são fabricados nossas roupas, bem como exigir a regulamentação de suas indústrias também. E, sim, devemos constranger as empresas de fast fashion nas mídias sociais, nas ruas, em entrevistas e em artigos em cada oportunidade, delatando cada passo em falso que essas corporações fazem muitas vezes. Tudo isso pode ser cansativo, mas afinal o que é preciso para mudar a indústria da moda é o tempo, pois temos que pensar a longo prazo.

Cada passo que damos para denunciar essas grandes corporações vai influenciando milhares de outras pessoas pelo mundo através da internet e redes sociais, assim aos poucos vamos criando uma indústria da moda mais ética, sustentável e consciente. A mudança para uma moda mais consciente não vai acontecer na velocidade que gostaríamos que fosse, mas as mudanças duradouras em termos social e econômico é lento mas segue uma linha reta. Mas não se preocupe pois o ponteiro do relógio está se movendo a nosso favor. Tic tac tic tac……….

As grandes redes de fast fashion estão crescendo, isso quer dizer que o consumo consciente falhou stylo urbano-2

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