A C&A Foundation e o Changemakers da Ashoka lançaram em 16 de Setembro o “Tecendo a Mudança: Inovações para uma indústria têxtil sustentável”, um desafio online que busca inovações para criar uma indústria da moda mais justa. Três vencedores receberão prêmios que totalizam €100.000. A iniciativa reconhecerá soluções inovadoras em sustentabilidade para cadeias de fornecimento, que impactam positivamente a indústria da moda. As inscrições estão abertas até 18 de novembro.

Indivíduos, organizações e instituições com ou sem fins lucrativos de qualquer país podem participar do “Tecendo a Mudança”, inscrevendo projetos que serão avaliados por um painel de jurados e, no caso dos finalistas, apresentados a líderes da indústria na Conferência Fabric of Change, em 2016.

No evento global, serão anunciados oito vencedores em quatro categorias, com prêmios que, no conjunto, totalizam até R$ 200 mil e financiarão o planejamento e execução das ideias. “O desafio convoca diversos atores a propor soluções para promovermos uma mudança sistêmica e construirmos um setor têxtil mais sustentável”, explica a diretora executiva do Instituto C&A, Giuliana Ortega. Segue abaixo uma parte do material que se encontra completo no site Changemakers.C&A Foundation e Ashoka lançam desafio mundial para criar uma indústria da moda mais justa stylo urbano-10

Sobre o desafio

A indústria da moda mundial é um importante vetor de crescimento econômico e fornece oportunidade para milhões de mulheres e homens pelo mundo. Mas seus desafios são intensos. O colapso catastrófico da fábrica de Rana Plaza em Bangladesh trouxe atenção para a falta de segurança e as condições trabalhistas, além de destacar problemas sistêmicos que ameaçam a cadeia têxtil mundial. Esses desafios são complexos e exigem soluções novas e colaborativas, que transformem o setor. Nós acreditamos que esta transformação não é somente possível, mas imprescindível.

Nós buscamos uma indústria têxtil justa e sustentável, que respeite as pessoas e o planeta, e um futuro em que a prosperidade esteja ao alcance de todos na cadeia de valor da moda.

A C&A Foundation e o Changemakers da Ashoka querem conhecer suas inovações para transformar a indústria da moda. Estamos interessados em ideias novas para melhorar os processos e sistemas, incluindo (mas não limitado a) aquelas que:

  • Abordem as condições humanas e de trabalho dos trabalhadores que abastecem a indústria da moda;.
  • Apresentem processos inovadores de produção, na gestão da cadeia produtiva e no desenvolvimento de materiais mais ambientalmente sustentáveis;
  • Incentivem a colaboração entre marcas, fabricantes, parceiros da cadeia de fornecimento e governos;
  • Promovam transparência e responsabilidade mútua entre partes interessadas;
  • Capacite consumidores para que eles impulsionem mudanças no setor;
  • Adapte modelos e exemplos business cases de outros setores para resolver os desafios do setor têxtil.

Os vencedores receberão prêmios em dinheiro, totalizando mais de €100.000, para investir desenvolvimento ou expandir suas soluções. Além disso, se juntarão a uma rede de empreendedores, especialistas e líderes sociais comprometidos em inovar por uma indústria da moda mais sustentável. Todos os finalistas do desafio receberão uma ajuda de custo de viagem para participar da Conferência Fabric of Change (data e local serão anunciados em breve).

Bem, pelo menos a indústria do fast fashion está começando a se mover (de forma lenta e limitada ainda) para tentar melhorar tantos estragos que vem fazendo por tantos anos, poluindo o meio ambiente e explorando trabalho escravo em países em desenvolvimento. Segundo a campanha Detox do Greenpeace, a C&A está mostrando sinais de estar eliminando produtos químicos perigosos, já tendo progressivamente eliminados os compostos de perfluorocarbonetos (PFCs) de sua cadeia de suprimentos, desde Janeiro de 2015.

Reagindo à onda de pressão de consumo global, o empresa atualizou seu plano de ação individual para o Detox. Outra preocupação da C&A é no monitoramento independente de seus fornecedores e subcontratados para evitar a contratação de oficinas que exploram mão de obra escrava.

Enquanto C&A tem mostrado iniciativa real, ela ainda pode ir mais longe demonstrando suas credenciais livres de tóxicos, integrando uma abordagem preventiva para uso de produtos químicos, assegurando a completa transparência da cadeia de fornecimento e continuando a trabalhar para a descarga zero de produtos químicos perigosos no meio ambiente em 2020.

C&A e Ashoka lançaram um desafio mundial para criar uma indústria da moda mais justa stylo urbano-3

De uma certa forma, essas grandes varejistas de fast fashion tem muito dinheiro para investir em novas tecnologias sustentáveis como é o caso da gigante H&M que fez parceria com o conglomerado de luxo Kering contratando a empresa Worn Again para desenvolver uma tecnologia que separe fibras naturais das sintéticas nos tecidos mistos para serem reciclados em peças novas.

Outra iniciativa que a H&M fez esse ano foi lançar o concurso Global Change Award com prêmio de 1 milhão de euros para quem desenvolver uma nova tecnologia que consiga produzir roupas novas com fibras de algodão 100% recicladas, o que atualmente está na casa dos 20% pelo problema da quebra da fibra durante o trituramento, o que faz com que o fio fique bem menor e tenha que ser misturado com fibras virgens para produzir outra peça de roupa.

Mas mesmo que essas grandes empresas consigam eliminar o trabalho escravo e o descarte de produtos químicos na natureza, o seu tipo de negócio continua intacto que é produzir em grande escala roupa barata descartável. Essas gigantes do fast fashion querem que os consumidores não se sintam mais culpados de consumir seus produtos pois elas querem ser vistas como “sustentáveis” por conseguir “fechar o ciclo de produção”, o que permitiria continuar a fabricar toneladas de roupas todos os anos apenas com menos consequências nefastas.

Em 9 de abril de 2015, a H & M lançou seu relatório de sustentabilidade de 2014 e ele mostra que a empresa está muito longe de ser  sustentável. Em qualquer dos casos, o prêmio da H&M não é nada comparado aos 16 bilhões de euros que a empresa arrecadou em vendas no ano passado. Contudo, o planeta e outras marcas de moda se beneficiarão de qualquer progresso feito pela indústria do fast fashion rumo à sustentabilidade, especialmente no que diz respeito à reciclagem de algodão e outras fibras naturais.