O mundo realmente dá muitas voltas pois quem diria que a Partido Comunista Chinês (PCC) que durante décadas dizia defender a classe operária está agora com planos de cortar os empregos de centenas de milhares de trabalhadores chineses, substituindo-os com a robótica e tecnologia automatizada especialmente dentro de fábricas têxteis. O motivo? O aumento dos custos do trabalho, a concorrência estrangeira e o aumento da poluição, que está exercendo pressão sobre o setor têxtil da China para se modernizar rapidamente.

De acordo com o serviço de notícias Aljazeera, o PCC lançou novos programas de bonificação em escala nacional para troca de tecnologia em suas fábricas. Centenas de milhares de trabalhadores não qualificados no sudeste do país serão  afetados nos próximos doze meses, particularmente aqueles que vivem nos principais centros de manufatura da China como Guangdong, Zhejiang e Lanxi.

O aumento da concorrência de países com mão de obra mais barata que a chinesa como Índia, Vietnã, Bangladesh, Malásia, Paquistão e Indonésia,  preocupa o governo chinês que não quer perder o título de “fábrica do mundo“.

China vai substituir humanos por robôs para modernizar suas fábricas têxteis stylo urbano-1

Em Guangdong o governo pretende investir um total de US $ 154 bilhões para integrar robôs na produção industrial. Guangzhou, capital da província, já teria definido uma meta de ter 80% de sua produção produzida roboticamente em 2020. Em Zhejiang, o governo investiu US $ 3,9 bilhões em 661 projetos de tecnologia de atualização, dos quais US $ 2,4 bilhões serão reservados para o setor têxtil.

Em outros lugares da cidade de Lanxi, um esquema de teste envolvendo 70 empresas têxteis locais está implementando atualizações automatizadas em cada uma das empresas até o final do ano. Enquanto isso, planeja-se lançar programas similares em Jiangsu e áreas de Delta do Rio das Pérolas. De acordo com a reportagem, a China espera economizar cerca de US $ 69 milhões por ano em custos de eficiência e de trabalho, substituindo os seres humanos pelos robôs.

Os Robôs ainda um conceito relativamente novo nas indústrias têxteis e de vestuário da China, mas são bastante comuns no setor manufatureiro genérico da China. Em 2013, o apetite insaciável da China por ser a maior do mundo, ultrapassou o Japão e a Coreia do Sul, tornando-se o maior mercado per capita de robótica do mundo valendo cerca de US $ 9,5 bilhões.

Como a indústria de vestuário da China vai lidar com o aumento dos custos trabalhistas?

Apesar do impulso na tecnologia robótica, o setor têxtil ainda tem limites para a modernização devido às técnicas complicadas, ou seja, a costura e o acabamento envolvidos na confecção de roupas. Tais processos intrincados e artesanais dependem do trabalho manual e são muito mais difíceis de automatizar do que produzir carros ou eletrônicos. Os robôs tem facilidade de manusear objetos sólidos mas quando se trata de manusear tecidos a coisa complica bastante por isso é necessário desenvolver novos tipos de máquinas.

Para superar isso, as empresas chinesas começaram a parte de suas produções para o Vietnã, onde os salários são aproximadamente um terço menor do que na China. Mas a qualidade se perde e a falta de ética de explorar mão de obra mais barata de outro país é considerado antiético. Apesar do aumento da quantidade de robôs e a utilização de mão de obra mais barata em outros países asiáticos, a mão de obra humana na indústria têxtil da China não deve diminuir, de acordo com especialistas.

Vamos ver que haverá um grande número de trabalhadores pouco qualificados que perderão seus empregos”, disse Yves Wang, gerente de pesquisa da IDC a rede Aljazeera. “Mas a longo prazo, o impacto será positivo. Se olharmos para a Alemanha, por exemplo, onde a taxa de adoção robótica é muito alta, a taxa de emprego aumentou realmente. Nós acreditamos que a robótica vai criar vários novos postos de trabalho altamente qualificados para os trabalhadores chineses “.  Segundos especialistas, a indústria robótica da China terá o mais rápido crescimento no mundo ao longo dos próximos 30 anos.

China vai substituir humanos por robôs para modernizar suas fábricas têxteis stylo urbano-2
A China aposta que a automatização das tecelagens e fábricas de roupas vai tornar o país mais competitivo contra a concorrência. Será?

De acordo com a IDC, uma empresa de pesquisa de mercado da China, vai demorar cerca de cinco anos para o país treinar sua força de trabalho remanescente e colher uma nova geração de graduados universitários treinados. Mas ao mesmo tempo que a China corre para automatizar em larga escala suas tecelagens e fábricas de roupas, isso acaba criando um paradoxo pois da mesma que os chineses podem automatizar a produção de tecidos e roupas, outros países também podem.

Se os robôs vão substituir a mão de obra humana, quais seriam as vantagens econômicas de produzir com robôs chineses em comparação com os robôs de países como os EUA, Japão e Europa? Os avanços da robótica avançada na indústria da moda vai possibilitar que as produções de roupas sejam feitas localmente e o trabalho escravo nas fábricas, a poluição e o desperdício poderão ser diminuídos em grande escala.

Comparar a China como o Brasil é surreal pois a China até antes 1978 eram um país falido e miserável. Quando Deng Xiaoping resolveu abrir a economia chinesa para o mundo ele implementou o “socialismo de mercado” criando zonas econômicas especiais para atrair grandes empresas americanas e europeias que poderiam fabricar de tudo tendo a disposição uma vasta mão de obra barata e incentivos fiscais dados pelo governo chinês.

A china em poucas décadas se tornou uma superpotência econômica e industrial investindo intensamente em educação, infra estrutura e disciplina, coisa que o Brasil, o eterno “pais do futuro”, infelizmente nunca fez.

Fonte: Aljazeera

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