Vivemos na era das mídias sociais e as marcas de moda acompanharam essa mudança tecnológica transmitindo seus desfiles ao vivo pela internet nas plataformas de mídia social para aumentar suas vendas. As semanas de moda sofreram uma uma enorme mudança nos últimos anos deixando de serem espaços exclusivos de editores de moda e celebridades para se tornarem mais inclusivos com a cobertura midiática feita por milhões de blogs de moda pelo mundo todo.

Uma nova revolução na indústria da moda chamada “veja agora, compre agora” está acontecendo nas semanas de moda de Nova York e Londres para alinhar os desfiles de passarela com o calendário de varejo. Em vez de esperar seis meses para comprar as roupas que você acabou de ver na passarela, por que não torná-las disponíveis para comprar assim que o desfile acabar? Foi isso o que fizeram a Burberry, Tom Ford, Tommy Hilfiger, Moschino, Michael Kors, Diane Von Furstebeng, Prada, Rebecca Minkoff, Proenza Schouler e Monique Lhuillier a partir de Setembro.

O consumo imediato após desfile é o futuro da moda?

A força motriz por trás disso foi a tecnologia, que criou a demanda: aos disponibilizar os desfiles ao vivo nas redes sociais, as marcas ganharam fãs por mostrar  que a semana de moda não é mais um evento fechado para editores de moda e celebridades, mas uma ocorrência de consumo global. Naturalmente, o sistema veja agora, compre agora vai exigir uma enorme mudança na forma como as coleções são feitas e distribuídas.

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Burberry Outono / Inverno 2016 na London Fashion Week, em setembro de 2016

As marcas terão de trabalhar estreitamente com os fornecedores e compradores de atacado durante o processo de criação das coleções. Esta abordagem colaborativa será baseada na partilha de informação e tecnologia, e enfrentar os desafios desconhecidos como uma equipe multi-disciplinar.

No entanto, esta mudança levanta algumas questões: por dar aos clientes o que eles querem mais rapidamente, estamos perdendo um pouco da magia criativa que excita nossas expectativas? Ou será que o retorno financeiro mais rápido com as vendas das coleções após desfiles ajudará as marcas a terem mais liberdade e originalidade? Será que isto vai significar menos risco no design das coleções e abrir caminho para estilos mais seguros e comerciais?

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Tommy Hilfiger Outono / Inverno 2016, New York Fashion Week, em setembro de 2016

Por enquanto, as marcas de prêt-a-porter de Milão e Paris vão resistir a revolução do veja agora, compre agora da mesma forma que as casas de alta costura, continuando a disponibilizar nas lojas suas coleções meses depois do desfile. A Chanel, Gucci, Dior, Armani, Versace, Dolce & Gabbana entre várias outras grifes famosas disseram que não se interessam em vender suas coleções logo após os desfiles pois isso iria exigir uma enorme mudança em sua estrutura de produção, distribuição e até criatividade.

Na verdade as grifes de Milão e Paris estão esperando para ver se as vendas das marcas que aderiram ao veja agora, compre agora vão aumentar e se isso se confirmar, obviamente que irão mudar de opinião e fazer a mesma coisa. No final tudo se resume a …….. dinheiro! Além disso, as marcas que aderem ao novo sistema tornam mais difícil que a Zara, H & M, Forever 21 entre outras, copiem rapidamente suas coleções e vendam as cópias  em suas lojas.

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Tom Ford Outono / Inverno 2016, New York Fashion Week, em setembro de 2016

Sem dúvidas, o veja agora, compre agora vai sacudir a indústria da moda possibilitando as grifes venderem imediatamente aos consumidores as coleções que acabaram de desfilar e com isso conseguem atrasar a produção das cópias baratas de fast fashion. Mas o veja agora, compre agora é a segunda tentativa das grifes de luxo para lutar contra as redes de fast fashion. A primeira tentativa de acelerar seus lançamentos foi passar de duas coleções anuais, Primavera/Verão e Outono/Inverno, para quatro coleções somando as linhas Resort e Pre-Fall (veja aqui).

Produzir quatro coleções durante todo o ano, mantendo aberto os canais de comunicação com os consumidores através das redes sociais e a venda direta nas lojas após os desfiles, fará com que os processos de produção e venda dessas marcas possam realmente se acelerar e ter um fluxo de caixa constante.

Os consumidores estão acolhendo a iniciativa “veja agora, compre agora”

Mais importante de toda discussão sobre o tema é que os consumidores de moda estão acolhendo a iniciativa das grifes de produzir moda rápida. Ed Burstell, o diretor-gerente da loja Liberty em Londres, disse: “Eu acho que essa mudanças na moda já não eram sem tempo. Ninguém pode esperar que hoje em dia, quando vemos roupas e acessórios que gostamos nas redes sociais, temos que esperar seis meses antes de poder comprá-lo. Isso não faz mais sentido por causa dos avanços tecnológicos e a moda tem que acompanhar”.

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O cliente ávido para comprar as últimas novidades da moda que acabou de assistir na rede social.

A verdade é que nem todo mundo na indústria da moda pode se preparar para um desafio tão grande. A Burberry, por exemplo, tem uma rede global de lojas e a capacidade de comprar tecidos e criar estoque em prontidão para uma exibição simultânea e venda no mesmo dia. Ainda assim, parece que o conceito de moda rápida criada pela Zara vai se tornar também a norma nas grifes  por causa do imediatismo causado pela tecnologia das redes sociais. Quem quiser continuar relevante com os consumidores das gerações Y e Z, terá que ser ágil, ainda mais na moda.

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