O vídeo “Crianças vs. Moda” da artista Yolanda Dominguez que mostra alunos de 8 anos descrevendo suas impressões sobre as imagens publicitárias da Dior, Balmain ou Giogio Armani,  ganhou o prêmio Beazley do Museu do Design de Londres atribuído ao melhor design de moda do ano.

A artista pediu a vários estudantes a partir de oito anos em escolas de Madrid na Espanha para relatassem o que as imagens publicitárias de Dior, Loewe, Balmain ou Giorgio Armani lhes passava. O resultado foi devastador: as crianças descreveram as mulheres como doentes, com fome, bêbadas ou abandonadas. Já as imagens dos homens lhes dava a impressão de serem super-heróis, universitários ou homens com sucesso nos negócios.

Porque as grifes de luxo mostram em suas campanhas imagens que enfraquecem as mulheres e fortalecem os homens? Como essas imagens que são bombardeadas através de revistas, outdoors, banners e mídia digital podem influenciar em nossa educação visual desde a mais tenra idade?

Pergunta: “O que você vê nestas imagens publicitárias?”
Resposta: “Mulheres doentes, com fome, bêbadas ou abandonadas e … super-heróis, universitários ou homens de sucesso no mundo dos negócios”. O mais bizarro é que existem muitas mulheres na indústria da moda como estilistas, editoras, fotógrafas e produtoras que aceitam e perpetuam essa visão distorcida da mulher.

O que é interessante no vídeo Crianças vs Moda é o olhar sem preconceitos dos garotos: Eles ainda não estão acostumados a ver campanhas publicitárias de moda, e uma das razões pelas quais é fácil constatar que sempre vemos que as meninas são apresentadas como frágeis e meninos como fortes. Essa visão distinta entre os sexos é algo muito antigo é claro, mas a publicidade de moda transformou a imagem das mulheres desde o final do anos 90 até hoje, em algo patético e digno de pena.

Editoriais de moda 2016 por Yolanda Dominguez

Deprimidas, tristes, fracas, mortas, loucas, desesperadas, cansadas, jogadas, consumidas, frágeis, doentes, exaustas, caídas, inconscientes, desconfortáveis, encolhidas, dispersas, drogadas, lânguidas, menosprezadas, abandonadas, catatônicas, perturbadas, derrotadas, patéticas, hiper-sexualizadas, ocas, atordoadas, desoladas, infelizes, miseráveis …

Vamos começar a nomear como as mulheres são retratadas de forma contínua pelas maiores grifes, revistas e fotógrafos de moda do mundo.

Yolanda Dominguez criou em 2013 “Fashion Victims”, uma ação urbana inspirada no desabamento da fábrica Rana Plaza em Bangladesh, que tirou a vida de 1.127 trabalhadores. A ação tem como objetivo dar visibilidade as verdadeiras “vítimas da moda”: os trabalhadores escravizados , o trabalho infantil e os milhões afetados pela poluição produzida por fábricas nos países produtores.

Várias “blogueiras” aparecem numa “produção de moda” sob os escombros na rua Gran Via, em Madrid, sugerindo algumas dicas com acessórios de luxo (bolsas, sapatos …) inspirada nas imagens publicadas na tragédia em Bangladesh, onde os braços e pernas das vítimas estavam sob os restos do edifício.

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