A regra dos três Rs para promover a sustentabilidade ambiental estabelece que pode haver uma redução e uma limitação dos resíduos produzidos pelo homem, graças à reintrodução do mesmo no ciclo vital e produtivo. A estratégia de “três Rs” é: Reduzir, Reutilizar e Reciclar. Esse conceito foi levado a sério por um engenheiro italiano que utilizou os resíduos orgânicos de maçã como matéria-prima para novos produtos sustentáveis como papel e couro ecológico.

Em 2004, o engenheiro Alberto Volcan criou um processo industrial para transformar resíduos de maça em papel e couro ecológico. O Cartamela  e  Pellemela são dois produtos completamente sustentáveis e um perfeito exemplo de reutilização de resíduos agroindustriais. Alberto Volcan é um engenheiro de tirolesa do Sul na Italia que criou em parceria com o Fundo Social Europeu da Província de Bolzano, o laboratório de análise química Frumat e Merloni Progetti Spa, um processo industrial para converter um produto considerado lixo em matéria-prima inovadora e especial.

A partir de maçãs é possível obter não só cidra, sucos ou geleia, mas usando as cascas e os núcleos podemos criar também papel e couro ecológico. Graças ao seu conhecimento técnico no campo da gestão de resíduos, Alberto patenteou um processo de secagem de resíduos de maçã que é desidratado, arrefecido e depois moído para obtenção da farinha branca de maçã. De 50 kg de resíduos você consegue uma tonelada de folhas A4 de 80g cada Cartamela.

A farinha branca de maçã contém 70% de celulose ao qual você pode criar até 75% de uma folha de papel, os restantes 25% é utilizado papel reciclado. O produto foi apelidado de Cartamela e como ele, pode-se fazer papel toalha, papel higiênico, lenços, cadernos, sacolas biodegradáveis e caixas de embalagem.

Engenheiro italiano cria papel e couro ecológico feitos dos resíduos de maçãs stylo urbano-1

Já o Pellemela (em que 30% do material é obtido pela transformação dos resíduos de maçã) é um produto inovador   e  ambientalmente amigável : ele pode ser usado para produzir capas de agendas, moda, bolsas, calçados e revestimentos para sofás e poltronas. O couro vegetal obtido a partir dos resíduos de maçãs é muito versátil, resistente, confortável, à prova de água e se conforma em poucos minutos, mantendo a temperatura do corpo.

As vantagens óbvias desse couro de maçã é a recuperação dos resíduos numa lógica de economia circular, a produção de um material biodegradável que atende à moda vegana. Em comparação com as peles de animais, o material não é afetado pela presença de substâncias tóxicas utilizadas em curtimento. Graças à investigação conduzida ao longo dos anos , hoje diferentes empresas trabalham com este tipo de resíduo alimentar, transformando uma média de 30 toneladas por mês nesses produtos. No que diz respeito ao papel, a produção de resíduos de maçã contribuem com até de 25%, e o couro até 30%.

Engenheiro italiano cria papel e couro ecológico feitos dos resíduos de maçãs stylo urbano-2

Além de proteger o meio ambiente, o crescimento e fortalecimento de uma indústria focada na economia circular e bioeconomia, garante um desenvolvimento sustentável e harmonioso dentro de um país e também pode ter importantes implicações em termos de emprego. Na Espanha, pesquisadores estão utilizando os resíduos de maçã para combater a osteoporose, artrite e osteoartrite. Nos vídeos abaixo, Alberto Volcan e Hannes Parth falam sobre o uso dos resíduos da maça para criar novos produtos.

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