Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Aalto, liderada pelo professor Herbert Sixta, relatou novos progressos na pesquisa sobre fibras têxteis celulósicas artificiais utilizando a “próxima geração” de líquidos iônicos que permite a dissolução da celulose e sua posterior regeneração em novos filamentos. Sixta, que lidera o grupo de pesquisa do projeto Ioncell-F na Universidade de Aalto, está trabalhando numa forma de resolver o problema dos resíduos têxteis na indústria da moda.

“Queremos não só reciclar roupas, mas também produzir os melhores tecidos possíveis reciclado fibras velhas, tornando-as ainda melhores do que as fibras novas“, disse ele, acrescentando que como o algodão e outras fibras são muitas vezes misturadas com poliéster para fazer tecidos, isso complica o processamento. A investigação mostrou que muitos líquidos iônicos podem dissolver a celulose, mas o material resultante não poderia então ser reutilizado para fazer novas fibras.

No entanto, a equipe encontrou um líquido iônico que pode dissolver a celulose a partir de polpa de madeira e produzir um material que pode ser transformada em fibras. As fibras Ioncell-F são mais fortes que a viscose comercialmente disponível e tem um sensação semelhante à de Liocel. Com base neste processo, os pesquisadores queriam ver se poderiam aplicar o mesmo líquido iônico nas misturas de algodão e poliéster. Neste caso, as diferentes propriedades de poliéster e celulose trabalharam a seu favor pois os pesquisadores foram capazes de dissolver o algodão em uma solução de celulose sem afetar o poliéster.

Finlândia anuncia mais progressos na pesquisa sobre novos tecidos feitos de resíduos têxteis stylo urbano-1
Protótipo de vestuário quimicamente reciclado apresentado em Estocolmo

Eu poderia filtrar o poliéster após o algodão ter se dissolvido”, diz Sixta. “Em seguida, foi possível, sem mais processamento, produzir fibras de celulose dessa solução para fazer roupas.”

A equipe de Sixta agora está testando se o poliéster recuperado também pode ser reciclado em novas fibras utilizáveis. Além disso, os pesquisadores estão trabalhando para ampliar todo o processo e estão investigando como reutilizar os corantes utilizados nas roupas descartadas. Os pesquisadores receberam apoio financeiro do projeto Trash-2-Cash da União Europeia e do governo Finlandês.

A reciclagem química vai limpar a moda?

Uma montanha de 9,35 milhões de toneladas de resíduos têxteis vão parar nos aterros ou são incinerados na União Europeia a cada ano. Esta constatação preocupante, que representa 18 kg por habitante, é detalhada em um estudo recente realizado pela iniciativa Resyntex da UE. Os resultados do estudo mostram a dura realidade para quem trabalha na indústria da moda e sugere que devemos “fechar o ciclo”, pois continua a existir uma enorme quantidade de roupas sendo jogadas fora a todo instante, impulsionado pelo hiperconsumismo e hiperprodução da moda descartável do fast fashion.

Finlândia anuncia mais progressos na pesquisa sobre novos tecidos feitos de resíduos têxteis stylo urbano-2
O que fazer com essas montanhas de roupas e tecidos descartados pelo fast fashion todos os anos?

O projeto Resyntex tem como objetivo fornecer uma rota de valorização para os resíduos têxteis de baixo valor, reciclando-os quimicamente para criar uma nova matéria-prima, e com isso, dar algum valor aos tecidos de má qualidade. Resyntex é um projeto internacional liderado pela empresa alemã de reciclagem têxtil Soex e financiado em parte pelo programa Horizon 2020 da União Europeia. O projeto aborda algumas das barreiras tecnológicas associadas com a reciclagem química de tecidos que contêm mistura de fibras e também tecidos de baixa qualidade.

As fases do projeto incluem a extração de proteínas a partir de fibras animais (lã, seda, alpaca, mohair etc.), para utilização em adesivos à base de madeira; extrair a glicose, para conversão em bio-etanol, derivado a partir de fibras celulósicas (algodão, viscose / rayon, etc); extrair oligômeros de poliamida, a partir de poliamida; e extração de poliéster (PET), monômeros de poliéster.

Todos estes processos estão, em maior ou menor grau, já em curso com vários níveis de sucesso em uma variedade de projetos de pesquisa em startups na UE e EUA. Em no máximo 10 anos, a moda circular será a norma nos principais mercados internacionais. E e a indústria da moda brasileira, o que está fazendo a respeito?

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