“Vivemos na era da rede social. A própria marca de roupa deve ser uma rede social” disse Kevin Chan, o co-fundador da empresa de private label Maderight que lançará em Novembro sua nova marca de moda fitness Orin através de crowdsourcing. A fabricação e comercialização dos produtos da Orin se baseará nos resultados de uma pesquisa feita online com 44.986 potenciais compradores que escolheram o estilo e a cor de suas roupas, em qual país serão fabricadas, quanto os trabalhadores da fábrica irão receber de pagamento, a raça e o tipo de corpo dos modelos em suas propagandas.

O crowdsourcing (Contribuição Colaborativa ou Colaboração Coletiva) utilizado pela Orin é um processo de obtenção de serviços, ideias ou conteúdo mediante a solicitação de contribuições de um grande grupo de pessoas de uma comunidade online, em vez de usar fornecedores tradicionais ou uma equipe de empregados.

Trata-se de um recurso utilizado para aplicar questionários de pesquisa, levantar fundos para empresas iniciantes ou para instituições de caridade, e já era usado antes da internet mas agora com a era das redes sociais, o crowdsourcing se tornou uma ótima forma de atrair e fidelizar os consumidores de uma marca. A pesquisa da Orin foi feita em três etapas: Produtos, fabricação e modelos.

Nova marca de moda fitness permite aos clientes decidirem a fabricação e comercialização dos produtos stylo urbano-1

Os usuários começaram dizendo a Orin que tipo de produtos que eles mais querem. A empresa está começando com sua linha de moda fitness para mulheres, de modo que os itens estão limitados a tops, camisas, shorts e calças de yoga, cada peça disponível em seis cores.

O próximo passo é a fabricação. Os usuários podem escolher entre quatro locais: Estados Unidos, China, Colômbia e Sri Lanka. Eles também podem escolher se a fábrica deve ser certificada para proteger o meio ambiente, se os trabalhadores devem ganhar o salário mínimo local ou um salário digno e se os materiais devem ser padrão, premium ou de luxo. A Orin é a típica marca de moda voltada aos consumidores da geração Y que gostam de produtos personalizados e feitos de forma sustentável

Kevin Chan quis mostrar através da pesquisa que cada alternativa escolhida pelo cliente vem com custos diferentes. Cada uma das quatro decisões mudam o preço de varejo da roupa, e é exibido no topo da tela sendo atualizado em tempo real enquanto o cliente clica em opções diferentes.

Por exemplo, se você decidir que seu par de shorts padrão deve ser feita em uma fábrica certificada no Sri Lanka, onde os trabalhadores recebem salário mínimo, eles vão custar US $ 16:

Nova marca de moda fitness permite aos clientes decidirem a fabricação e comercialização dos produtos stylo urbano-2

Mas se você quiser shorts de luxo fabricados nos EUA em uma fábrica certificada em que os trabalhadores ganham um salário digno, de repente, eles custarão US $ 65:

Nova marca de moda fitness permite aos clientes decidirem a fabricação e comercialização dos produtos stylo urbano-3

A etapa final solicita que os clientes escolham qual raça de modelos devem usar os produtos nas campanhas da marca. As opções são brancos, negros, asiáticos, hispânicos, mistos ou outros. Os clientes também devem selecionar o seu tipo de corpo desejado, que varia de magro para atlético ao normal para plus-size.

A pesquisa durou apenas duas semanas (veja aqui), e Kevin Chan espera construir um negócio baseado no que os clientes querem, por isso, os dados que recolheu irá determinar como a empresa trabalhará para o futuro previsível. Na mente do empresário, esta estratégia pode ser a única maneira de alcançar o tipo de transparência que os consumidores socialmente conscientes anseiam das empresas hoje.

“Tudo começa com os produtos que estão sendo feitos”, diz ele, “mas agora as pessoas estão dizendo que se preocupam com a ética e sustentabilidade na moda. Então, nós estamos deixando os próprios consumidores decidirem de que forma deve ser fabricada e comercializada a coleção lembrando a eles os custos de suas decisões. Eu não estou realmente preocupado em ter algo que se destaca da concorrência, eu quero algo que as pessoas vão comprar.”

Mas será que o cliente sempre sabe o que é melhor? NellyRodi, uma agência de previsão de tendências com sede em Paris, usa análise de dados e uma rede de mais de 15 agentes  nos mercados globais para prever o que os consumidores querem. De acordo com Pierre-François Le Louet, presidente da NellyRodi, o crowdsourcing é uma boa maneira “para introduzir um relacionamento amigável com seu cliente, se aproximar, atrair e mantê-lo mas o grande erro seria dar-lhe muita energia”, ele diz. “A marca sempre precisa de uma visão e esta visão não poderá ser construída só com a opinião da multidão.”

De fato, os métodos de crowdsourcing podem reduzir o risco em decisões de design para as marcas e ajudar os varejistas a evitar os estoques encalhados, resíduos de produção e ter que recorrer a grandes descontos. Consultar os clientes sobre as decisões de design da coleção e comercialização também pode conduzir a fidelidade à marca pois ajuda a transformar os consumidores em defensores da marca.

Nova marca de moda fitness permite aos clientes decidirem a fabricação e comercialização dos produtos stylo urbano-5

A colaboração coletiva também pode ajudar uma empresa a justificar as suas decisões. Na pesquisa da Orin, uma maioria significativa dos entrevistados disseram que preferem que os trabalhadores recebam um salário digino em vez de um salário mínimo. Mas existe também o risco de que os consumidores vão dizer uma coisa na pesquisa, mas fazer outra na prática, como a promessa de pagar mais por um produto se ele for fabricado nos Estados Unidos, mas depois não comprarão o produto porque é muito caro. A decisão “errada” seria se um consumidor decide votar de determinada maneira, mas depois acaba não comprando por causa de algo que eles votaram, admite Kevin Chan.

Para tentar resolver esta lacuna entre a “intenção” e “ação”, a pesquisa de opinião da Orin deu aos clientes uma atualização ao vivo de como seria o preço do produto com base em suas decisões. Mostrar aos cliente o valor de varejo do produto segundo suas escolhas dá a eles a noção exata dos custos de produção e do porquê um produto ficar barato ou caro. Isso ajuda também a Orin a saber quanto os clientes preocupados com a ética e sustentabilidade na moda estão dispostos a pagar por seus produtos.

Mas as marcas de moda não devem achar que a colaboração coletiva vá resolver tudo pois as pessoas também fazem escolhas ruins. A tomada de decisão tem que ser temperada pela equipe de estilistas da marca para criar produtos tecnicamente viáveis através das pesquisas de opinião que podem ser utilizadas para criar produtos que se encaixam bem, vestem bem e duram um longo tempo. A Orin pediu aos clientes para dar seu feedback através de uma pesquisa de múltipla escolha onde eles podem escolher a sua categoria de vestuário e cor favorita mas não projetarão o produto a partir do zero.

Abrimos cada decisão de negócios para o cliente escolher, mas limitamos suas opções para que produtos malucos não fossem sugeridos”, disse Kevin Chan. Para o empresário o crowdsourcing tem sido útil para gerar interesse na nova marca, mas ele não planeja utilizar a colaboração coletiva nas coleções futuras da Orin.

Para Kevin Chan o crowdsourcing é fundamental para as empresas de moda que operam no mercado de hoje, onde os consumidores, principalmente os das gerações Y e Z, esperam que os produtos e serviços sejam adaptados para suas necessidades. “Vivemos na era da rede social. A própria marca de roupa deve ser uma rede social“, disse ele. “Se você quer começar uma empresa de vestuário hoje e ignorar a natureza social da internet, eu acho que você está perdendo o seu tempo. Afinal, não passamos quase 100% do nosso tempo em contato com nossas roupas?” Alguém discorda?

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