A industria do fast fashion fabrica milhões de toneladas de roupas baratas e descartáveis todos os anos e como são peças que não foram feitas para durar, são rapidamente descartadas pelas pessoas e isso prejudica o meio ambiente pois esses milhões de roupas usadas acabam indo parar nos aterros sanitários. Isso gera um enorme desperdício de tecidos que poderiam estar sendo reciclados e reinseridos no processo de fabricação de novas roupas sem precisar usar recursos naturais virgens.

Pensando nisso foi criado o The Textile Sorting Project, que é um dos três projetos piloto iniciados pelo Programa de Tecidos Circulares, cujo objetivo geral é desenvolver e estabelecer um modelo comercial e escalável para fechar o ciclo de tecidos pós-consumo na União Européia.

O projeto centra-se no desenvolvimento de uma nova tecnologia de classificação comercialmente viável chamado Fibersort que detecta com precisão a composição das fibras têxteis de matérias recicláveis pós-consumo, para permitir um alto valor de reciclagem de tecidos velhos em novos produtos têxteis.

Fibersort - uma nova tecnologia de reciclagem para o setor têxtil stylo urbano-1

O Fibersort permite classificar automaticamente os tecidos das roupas com base no tipo de fibra em diferentes categorias. A tecnologia de digitalização que a máquina usa é a espectrometria de infravermelho próximo (NIR). Esta técnica é sensível a componentes orgânicos e uma vez que todo tecido da roupa seja orgânico, não existe limite para os tipos de fibras que podem ser reconhecidos.

Uma vez que este processo requer o escaneamento de uma peça de cada vez, um operador pode colocar manualmente as roupas na esteira rolante a partir de uma pilha. Quando a roupa passa pelo leitor infravermelho NIR, ele automaticamente reconhece de qual fibra é feita a peça para depois ser separada por um jato de ar que joga a roupa na cesta específica para cada fibra. Veja o vídeo abaixo de como funciona a tecnologia de triagem automatizada.

Por que precisamos de uma indústria têxtil circular?
 
Tal como acontece com a maioria das indústrias, os produtos têxteis da indústria da moda foi construídos sobre um modelo linear de “extrair, fabricar, consumir, descartar” com base na suposição de que os recursos naturais são abundantes, disponíveis, fáceis de adquirir e baratos para descartar. A moda, talvez mais do que qualquer outra indústria no mundo, abraçou a obsolescência programada como um objetivo principal.

O mais recente fenômeno surgido no final da década de 80, o “Fast Fashion”, exemplifica esse objetivo na produção de roupas de baixo custo com volumes elevados, que por sua própria natureza, é um sistema que incentiva descartabilidade.

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Infelizmente, este modelo é insustentável. É um fato indiscutível que os recursos do planeta são finitos, em última instância. Este fato é especialmente verdadeiro para as duas fibras principais na indústria têxtil, que representam mais de 85% da produção mundial de fibras: o algodão e o poliéster. O algodão conta com uma massa de terra finita para a agricultura (e concorre com a produção de alimentos). O poliéster depende de uma fonte finita de petróleo (e a extração é prejudicial ao ambiente).

Em 2014, a produção mundial de filamentos de poliéster e fibra de algodão foi de aproximadamente 65 milhões de toneladas. Este número foi estimado para 90 milhões de toneladas em 2020. Com uma população crescente, surge uma demandando cada vez maior por recursos (alimentos, roupas, energia) e um clima cada vez mais instável (falta de chuva e seca que afetam a produtividade) que vão causar uma escassez de recursos têxteis em nível mundial mais cedo ou mais mais tarde. Em curto prazo, a alta volatilidade dos preços dos recursos têxteis vão cortar os lucros e afetar a continuidade dos negócios na indústria da moda.

No entanto, não é só a escassez dos recursos naturais que são um problema, mas também o impacto ambiental perigoso da produção de fibras têxteis, que nos obriga a olhar para o uso circular dos recursos têxteis como uma solução potencial que irá mover a indústria em direção a um futuro mais sustentável.

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As principais questões ambientais associadas ao setor incluem alta energia e uso de água (na produção de fibras e lavanderia), o uso de produtos químicos tóxicos, a liberação de substâncias químicas presentes em águas residuais (pré-tratamento, tingimento, acabamento e lavanderia) e à disposição ineficiente de resíduos têxteis sólido que surge na fase de produção e no final da vida útil do tecido.

Apesar do baixo custo para o consumidor e para as empresas, o fast fashion causa altíssimos custos em termos ambientais e sociais por causa da larga exploração de mão de obra quase escrava. Portanto, além dos problemas sociais associados com a indústria têxtil, que têm sido o foco principal de várias organizações sócio-ambientais por anos, a gestão de recursos eficaz nesta indústria agora está se tornando prioridade nas agendas dos diversos setores da indústria.

O que acontece com nossas roupas no fim de vida?

Atualmente, apenas uma fração muito pequena das fibras têxteis são mantidas no sistema durante mais de um ciclo de utilização. Na Inglaterra, países nórdicos e nos Países Baixos uma média estimada de 61% se perde nos resíduos domésticos, terminando em aterros ou incinerados após apenas um ciclo.

Os restantes 39% são reutilizados ou reciclados, (como roupas de segunda mão, panos, fibras para aplicações industriais ou para a recuperação de energia). Muitas vezes, esta fase de reutilização/reciclagem estende-se à fase de utilização do tecido para apenas um ciclo extra depois que essas fibras são muito difíceis de recuperar e, portanto, também “vazam” para fora do sistema.

Um novo modelo é necessário, um modelo circular

Em uma economia circular os materiais são reciclados infinitamente sem perder valor. Sistemas circulares tentam manter o valor dos produtos por tanto tempo quanto possível para eliminar o desperdício. Portanto, na indústria têxtil circular, uma peça de vestuário que tenha atingido o fim da sua vida é mantida dentro do sistema, de modo que elas possam ser utilizadas de forma produtiva outras vezes para criar mais valor.

A indústria têxtil circular com base em alta reciclagem dos tecidos velhos em novas têxteis, permitirá a continuação do consumo de fibras, sem esgotar os recursos naturais ou impactar negativamente os ecossistemas que são dependentes, causando menos consumo de recursos naturais virgens e ajudando a estabilizar os preços a longo prazo dos recursos dentro do contexto de um ambiente de prosperidade.

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Como fechar o ciclo?

O Programa de Tecidos Circulares da União Europeia visa estabelecer um processo que garanta a recuperação e upcycling de tecidos em um circuito fechado. A fim de fechar o ciclo, deve-se começar a compreender que os resíduos podem através de novas tecnologias avançadas de reciclagem química, serem reintroduzidos na cadeia de abastecimento para a criação de novos produtos para supri as novas demandas do mercado de moda sustentável e mudança de comportamento do consumidor.

O programa é focado no desenvolvimento de mercado na União Europeia e vai utilizar a tecnologia do Fibersort para separar de forma automatizada as matérias-primas recicláveis em países como Inglaterra, Holanda, Bélgica, França e Alemanha. O projeto visa incluir a indústria de reciclagem / fabricação (através da tecnologia Fibersort) e marcas de moda / estilistas / retalhistas (que representam a demanda do mercado indireto para materiais têxteis reciclados).

Os parceiro do Programa de Tecidos Circulares 

Essencial para o sucesso deste projeto é a colaboração entre os diferentes participantes na cadeia de valor (empresas coletoras, empresas de classificação, empresas de tecnologia, organizações sem fins lucrativos), e para alcançar os objetivos do projeto isso requer uma mudança significativa na indústria, tanto na mentalidade (se conscientizar que os tecidos de pós-consumo são um recurso valioso em vez de resíduos) e processos de fabricação (adoção de novas tecnologias e fazer novas parcerias).

Alinhando os parceiros relevantes em toda a cadeia de abastecimento, o programa visa assegurar que a mudança será introduzida e implementada em toda a indústria da moda. Isso já é um belo começo para solucionar os problemas ambientais causados por milhares de toneladas de roupas que vão parar nos aterros e que podem ser reaproveitadas de forma eficiente.

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3 Comentários

  1. Trabalho com reciclagem a 30 anos,o governo estado numqua ajudarão em nada a nao ser complicar ,temos maquinas modernas la fóra nesse ramo..deveria ter um apoio finamceiro ou menos tributos e impostos ,,mais nao samos tratados ,como o mesmo que produis e polie..quem polie deveria pagar uma % para quem .despolie e retira seu licho e recicla e volta a ser reusado seria e é a coiza mais facio que tem.,,VOCE NAO PÓDE MUDAR O PASSADO,MAIS PÓDE MUDAR O FUTURO,,RECICLE..

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