Qual seria o pior resultado possível para a tecnologia de realidade virtual (VR)? Uma nova geração de jogadores viciados em VR que perderam o contato com a realidade e sobrevivem apenas para sustentar sua existência virtual. Essa realidade é o ponto de partida do fantástico curta-metragem de ficção científica, “Uncanny Valley”, criado pela produtora argentina 3DAR. Escrito e dirigido pelo cineasta argentino Federico Heller, o curta já está programado para se tornar um longa-metragem. Oba!

No curta, somos apresentados a vários homens em um edifício decadente, que acessam o mundo virtual através de um anel no nariz (remetendo ao consumo de drogas), até que um dos jogadores cruza a linha entre imaginário e o real. Um desses homens, que parecem mais zumbis, diz ficar online durante 17 horas por dia, com média de 100 “assassinatos” por dia no envolvente jogo de tiro em primeira pessoa que se tornou sua vida.

Outro viciado em VR admite, “Eu não deixo esta casa há alguns anos.” O interessante é que os viciados são mostrados flutuando pela sala totalmente alheios ao ambiente real em torno deles como acontece com os drogados.

O curta "Uncanny Valley" mostra como a realidade virtual pode se tornar um vício stylo urbano-1

Estes viciados em VR dependem de impressoras de alimentos para seu sustento e nunca mais saem da sua habitação que é um verdadeiro lixo. Estes são os párias da sociedade do futuro onde as drogas psicoativas se tornaram obsoletas. Eles encontram grande consolo no mundo virtual, por sua própria admissão, pois se sentem livres para expressar sua raiva e frustração de uma maneira que não seja perigosa para os outros. Na VR, eles estão livres para fazer coisas que poderia levá-los a prisão no mundo real.

Em um momento irônico, um deles diz: “Eu não me sinto confortável com outras pessoas, eu realmente não sei o que eu deveria dizer ou fazer. O jogo é apenas mais simples. Não há pessoas. Apenas alvos.

O curta "Uncanny Valley" mostra como a realidade virtual pode se tornar um vício stylo urbano-2

O filme aborda duas idéias assustadoras: as consequências da dependência de um jogo virtual totalmente envolvente, bem como a noção ainda mais assustadora de que o jogo não é apenas um jogo.

Será que vamos acabar com uma geração de viciados em VR, como retratado em Uncanny Valley? É mais provável que a realidade virtual irá desencadear uma maior oportunidade para a criatividade e a colaboração do que mostra esta versão futurista sombria. No entanto, sabemos que este tipo de vício é muito real, e ainda temos de entender como várias horas imerso em ambientes virtuais realísticos poderiam afetar a mente das crianças e dos adultos, pois em sua grande maioria esses jogos serão de extrema violência.

O curta "Uncanny Valley" mostra como a realidade virtual pode se tornar um vício stylo urbano-3

Ainda assim, de outra forma, é possível que já estamos vivendo em uma versão deste futuro assustador. Não é nenhum segredo que a indústria da guerra está se tornando cada vez mais automatizada. Drones são apenas um exemplo de tecnologia que pode ser controlada remotamente para vigiar e matar. É de conhecimento público que o Pentágono, DARPA e outras agências de inteligência investem milhões na indústria de videogames para envolver e treinar desde cedo milhares de jovens nesses jogos de guerra super realísticos.

Os militares têm usado os jogos de vídeo em todos os níveis organizacionais para uma ampla variedade de fins. Eles tem três grandes objetivos com isso: recrutar soldados, treiná-los, e mais recentemente, tratar seus distúrbios psicológicos adquiridos no campo de batalha.

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Os militares oferecem financiamento e conhecimentos técnicos para os desenvolvedores de jogos para atrair as “buchas de canhão”, como são desdenhosamente chamados os soldados que lutam não por seu país, mas pelo bilionário complexo militar-industrial que cria mentiras para recrutá-los e depois descartá-los.

Uncanny Valley,  com a sua visão sobre o potencial sombrio da VR, mostra que a tecnologia pode ser tão boa quanto ruim pois depende da forma como a utilizamos. Como uma história de ficção científica, o filme apresenta um futuro distópico na qual devemos estar sempre atentos. Confira o filme na íntegra abaixo, que oferece legendas em português clicando no CC. Vale a pena.

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