Graças nas novas tecnologias de fabricação, as peles sintéticas se tornaram tão suaves, acolhedoras e  luxuosas como as peles de animais verdadeiras, mas com a diferença de serem mais éticas por não causarem o sofrimento e morte de animais. Como uma perfeita vítima da moda, Cruella de Vil é um exemplo máximo por sua perseguição irracional da pele perfeita que a levou até querer usar a pele de filhotes de Dalmatas.

Cruella de Vil é um exemplo extremo, mas velhos hábitos custam a morrer e a pele animal ainda é vista como a última palavra em luxo em muitos mercados, usada livremente e as vezes da cabeça aos pés. A pele tem sido usado há séculos por razões ligadas ao clima e moda, mas com a tecnologia moderna, agora se pode produzir peles sintéticas com o mesmo nível de realismo, suavidade, qualidade e calor como as verdadeiras, o que acaba com o argumento de que as peles sintéticas são inferiores.

Assim, várias marcas de moda estão ficando mais conscientes do verdadeiro custos moral e ambiental por trás da fabricação das peles de animais, e isso está ajudando a expandiro mercado para peles e couros sintéticos, valorizando mais a ética do que a economia.

Peles sintéticas: Como as grifes de moda estão redefinindo o luxo com substitutos éticos stylo urbano-1
Cruella de Vil adora esfolar animais para fazer seus casacos de pele.

O uso de roupas feitas com pele falsa pode ser considerado tanto uma declaração política como um declaração de moda. Ou seja, usar pele e couro sintético significa escolher um estilo de vida (sem crueldade), que prioriza a ética sobre a estética. Mas hoje, com as novas peles sintéticas com visual idêntico as peles verdadeiras, a estética não fica comprometida.

Na década de 90 as peles falsas tornaram-se moda com a ajuda das super-modelos, que protagonizaram campanhas da PETA em defesa dos direitos dos animais. Como resultado, a pele falsa se tornou um item de moda, porque um casaco de pele sintética é acessível o suficiente para ser uma compra sazonal, em comparação com um casaco de pele verdadeiro, que você só pode comprar uma vez na vida.

A China é responsável por 85% de toda a produção de peles do mundo, onde não há controle de como são extraídas. No país, os produtores utilizam peles de cachorros, gatos e cão-guaxinim que são exportadas para o exterior como se fossem peles sintéticas. O cão-guaxinim é um membro da família canídeo, e é brutalmente maltratado na China. Ele é cultivado em massa e muitas vezes esfolado vivo para extrair sua pele. Veja a matéria da revista Dazed.

Além do cão-guaxinim, Cães e gatos são capturados e massacrados na China para que sua pele seja usada para fabricação de bolsas, brinquedos e roupas. As peles são tingidas e estampadas e exportadas para o mundo todo. A coisa é simplesmente macabra, veja os vídeos aqui e aqui.

As peles sintéticas não são uma tendência mas um estilo de vida que os clientes e os compradores estão adotando cada vez mais pela ética envolvida. Tanto empresas de fast fashion como grifes de luxo estão recorrendo cada vez mais a pele sintética pois graças a tecnologia moderna, elas estão mais luxuosas e com vários tipos de impressões e acabamentos.

Mas as peles sintéticas não são exatamente “sustentáveis” pois são feitas de modacrílicas e polímeros acrílicos, os componentes principais com a qual a pele falsa é feita, e não é biodegradável como a pele verdadeira. Na verdade, a Comissão Europeia publicou um relatório em 2014 no qual comparou o impacto ambiental de nove fibras diferentes e, de acordo com o estudo, a fibra acrílica provou ser a mais prejudicial.

Um ponto a favor das peles artificiais é que, apesar do aspecto negativo dos polímeros acrílicos e modacrílicas, eles representam uma percentagem mínima do impacto ambiental total. O uso de acrílico significa apenas 10% da produção total de vestuário, de acordo com o relatório da Comissão Europeia, e as peles sintéticas uma percentagem ainda menor. Mas de certa forma, é mais viável desenvolver uma tecnologia de reciclagem desse material do que usar peles de animais.

Além das peles sintéticas, estão sendo desenvolvidas novas tecnologias para criar couro em laboratório. Andras Forgacs é um dos fundadores da Modern Meadow e pioneiro no campo da biofabricação que visa desenvolveram um meio de cultivar em larga escala, couro genuíno em laboratório sem precisar matar animais. Veja mais aqui.

A empresa chinesa Sommers Plastics mostra como são fabricados seus tecidos corridos de pele falsa.

A inglesa Stella McCartney é a estilista mais famosa no uso de materiais sustentáveis em suas coleções, utilizando somente couros e peles falsas que chamaram a atenção da mídia em sua coleção outono / inverno 2015, com casacos gigantescos e peludos feitos de pele sintética. A estilista vegetariana há muito tempo usa camurça e couro sintéticos em coleções que ela chama de “veganas”, mas por um longo tempo, ela se esquivou das peles artificiais.

Eu tinha usado a pele falsa muitos, muitos anos atrás“, diz ela, sobre sua coleção final de outono / inverno 2001 para Chloé, onde utilizou pela primeira vez o material. Stella se questionava se era apropriado utiliza peles falsas de novo em suas coleções pois agora elas se parecem tão reais, que ela ficou com medo que as pessoas achassem que estava promovendo peles de animais.

Assim ela criou etiquetas “Fur Free Fur” que ficam do lado de fora das roupas para dizer às pessoas que não são peles verdadeiras. Em suas coleções, Stella acha que a pele não é relevante pois tem cara de antiquado. Stella McCartney leva a sustentabilidade a sério em suas coleções pois só utiliza algodão orgânico, madeira certificada, couro vegetal, tecidos reciclados e tecidos produzidos de forma ética. Veja aqui.

Stella McCartney é contra a matança de animais e grava alguns vídeos para a PETA denunciado a crueldade do mercado de peles. Aqui e aqui.

Recentemente, a grife italiana Giorgio Armani concordou em parar de usar peles de animais em todos os seus produtos, após anos de pressão dos ativistas dos direitos dos animais. Armani, 81 anos, disse que as novas tecnologias “tornaram a utilização de práticas cruéis contra os animais desnecessárias.

O grupo Armani, que inclui rótulos como Giorgio Armani e Emporio Armani, AJ Armani Jeans e a marca de decoração Armani Home, anunciou que as coleções a partir do outono / inverno 2016 estarão livres de pele animal. Armani junta-se a Hugo Boss, Calvin Klein, Tommy Hilfiger e Ralph Lauren em mudar para fontes alternativas sintéticas, enquanto Stella McCartney há muito tempo segue sua filosofia “vegena”, evitando pele, couro e penas.

O fato de Armani ter optado em utilizar somente peles falsas (fotos abaixo) manda uma poderosa mensagem ao mercado e aos consumidores de que “matar animais para obter sua pele está fora de moda“, assim as marcas que usam peles verdadeiras vão se sentir pressionadas a mudar de posição. Empresas como a Texfactor e Joel & Son Fabrics fornecem tecidos de pele falsa para diversas marcas internacionais.

Veja a matéria onde a blogueira Jessica Belcost ensina como confeccionar um colete de pele falsa e arrasar no inverno. Embora não seja um material sustentável por ser sintético, a pele falsa pode ser reciclada e é uma alternativa mais ética do que as peles de animais.

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