Segundo os resultados dos censos feitos na Inglaterra e no País de Gales desde 1871, descobriu-se que a  ascensão das máquinas tem ajudado na criação de empregos ao invés de tornar o trabalho dos seres humanos obsoleto. Em 1800 na Inglaterra, os luditas quebraram máquinas de tecelagem na vã esperança de frear a revolução industrial, coisa que felizmente não conseguiram. Hoje, as grandes empresas estão interessadas em como colocar robôs inteligentes para aumentar ainda mais a eficiência e substituir a mão de obra humana. Onde isso vai dar?

Os taxistas estão revoltados com o sucesso da empresa Uber, que ameaça o seu cartel nas cidades, mas isso não vai adiantar em nada pois mais cedo ou mais tarde eles vão ser substituídos pelos carros de auto-condução. Além dos taxistas, esses carros autômatos independentes vão substituir até os próprios motoristas do Uber. O avanço tecnológico não poupa ninguém, e deve continuar assim mesmo.

Robôs inteligentes ajudarão os seres humanos a construir uma nova sociedade stylo urbano-1

A batalha entre o homem e as máquinas remonta séculos. Será que elas estão tomando nossos empregos? Ou elas simplesmente aliviaram a nossa carga de trabalho? A verdade é que em vez de destruir postos de trabalho, a tecnologia tem sido uma “grande máquina de criação de emprego”.

Um estudo realizado pela consultoria Deloitte pode acabar com uma das principais queixas relacionadas ao avanço da tecnologia no mundo. A pesquisa analisou a relação entre as vagas de emprego e o desenvolvimento tecnológico no último século e descobriu que, ao contrário do que muitas pessoas acreditam, em vez de reduzir vagas de trabalho, a tecnologia contribuiu para a criação de empregos.

“A tendência de reduzir postos de trabalho na agricultura e na indústria é compensada pelo rápido crescimento nos setores de serviços, criatividade e tecnologia”, explicam os pesquisadores.

O relatório cita uma “mudança profunda” nas relações de trabalho e seu papel histórico, passando de exclusivamente fonte de força bruta à educação e prestação de serviços. Enquanto profissões como a de datilógrafos, secretárias e tecelões vêm desaparecendo, em alguns setores – como medicina, educação e serviços profissionais – a tecnologia elevou a produtividade ao mesmo tempo em que a oferta de vagas aumentou.

Os avanços contribuíram também para a democratização do acesso à informação, a velocidade da comunicação, o crescimento no poder aquisitivo e a diminuição de preço desde itens essenciais como comida, até os eletrodomésticos maiores, como televisões. Com isso, as pessoas passaram a investir mais dinheiro em atividades de lazer, o que criou um novo mercado e gerou mais vagas de emprego.

Para os próximos anos, a aposta dos pesquisadores é de que as máquinas continuem substituindo o trabalho humano em vagas que usam diretamente a força muscular humana, aumentando a produtividade. “As máquinas vão assumir tarefas repetitivas, trabalhosas e tediosas mas não vão eliminar de vez a necessidade de trabalho humano”, afirma o estudo.

 Quando os robôs eliminarem os postos de trabalho, os seres humanos irão encontrar coisas melhores para fazer

O fantasma dos robôs assumindo muitos dos postos de trabalho feitos por humanos paira sobre a humanidade por décadas. E a ameaça tem se expandido recentemente para incluir não apenas robôs, mas também a inteligência artificial e algoritmos com soluções como o motor de busca do Google e o IBM Watson, que provam que não só a tecnologia pode fazer o trabalho manual melhor do que os humanos mas também pode resolver problemas de forma mais eficiente, em alguns casos.

Tanto os governos como as empresas deverão devem ficar atentos aos preparativos que devem ser feitos para ajudar na reconversão dos trabalhadores cujos empregos estão sendo eliminados, especialmente porque algumas das pessoas e comunidades economicamente mais vulneráveis da sociedade serão primeiramente os mais atingidos pela transição. A fábrica chinesa Changying Precision Technology Company tem linhas de produção automatizadas que utilizam braços robóticos para produzir peças para telefones celulares.

A fábrica também tem automatizado os equipamentos de usinagem, caminhões de transporte autônomos e outros equipamentos automatizados no armazém. Essa empresa chinesa substitui 90% dos seres humanos por robôs e a produção não só subiu como a taxa de defeitos de produtos que antes era de 25%, já que é inferior a 5%. O bizarro é que a China já e o país que mais utiliza robôs na fabricação de produtos no mundo mas ao mesmo tempo, é o pais recordista na oferta de mão de obra barata. Anteriormente na fábrica, havia 650 funcionários e com os novos robôs, há agora somente 60, mas a empresa quer que o número de funcionários caia para 20 no futuro.

Mas enquanto muitos empregos serão automatizados, muitos outros empregos permanecerão resistentes a automação. E, muitas das pessoas cujos empregos foram substituídos por máquinas e algoritmos vão fazer o que os seres humanos sempre fizeram quando os avanços da tecnologia os forçaram a fazer essas transições, eles encontraram coisas melhores e mais interessantes para fazer com seu tempo. Alguns deles até mesmo inventaram novos tipos de trabalhos e empurraram a humanidade para outros horizontes.

Isso não é de menosprezar ou humilhar as pessoas que se preocupam em perder seus empregos. Há poucas coisas mais humanas do que temer por nossos empregos e os meios de subsistência de nossas famílias. A partir do momento em que os humanos pararam de fazer caça-e-coleta e começaram a se estabelecer em comunidades e assumir funções especializadas nessas comunidades, começamos então a nos preocupar que nossos trabalhos se tornassem inúteis e não sermos capazes de ganhar o nosso sustento. Isso é um medo que a grande maioria tem.

Isso só se intensificou após a Revolução Industrial, quando as fábricas e empregos da indústria substituíram o trabalho que envolvia o comércio especializado, a agricultura e o trabalho de produtos artesanais. Mais e mais pessoas se tornaram dependentes das empresas para conseguir trabalho e ganhar o seu sustento. Mas isso não vai durar por muito tempo mais.

Então o que acontece quando as empresas substituírem muitos desses postos de trabalho com robôs e algoritmos? Essa é a pergunta que paira sobre a humanidade. A resposta é que nós, seres humanos, sempre costumamos encontrar novas coisas para fazer.

Por exemplo, a agricultura costumava ser uma das maiores fontes de trabalho nos Estados Unidos. Mas, os avanços tecnológicos tornaram as fazenda muito mais eficientes e reduziram drasticamente o número de trabalhadores que se precisa para trabalhar no campo para produzir alimentos. Em 1950 trabalhavam 10 milhões de pessoas no capo, até 2010 eram 3 milhões, de acordo com o Serviço Nacional de Estatísticas Agrícolas dos EUA.

Durante esse mesmo período, a indústria de tecnologia dos EUA foi criada e em 2014 empregou cerca de 6,5 milhões de trabalhadores, de acordo com a CompTIA. Isso nos EUA mas no restante dos países ocidentais mais desenvolvidos o padrão segue o mesmo.

Obviamente, nem todos os agricultores se tornaram técnicos de informática e engenheiros de software. Mas, provavelmente uma parte das crianças que poderiam estar trabalhado na fazenda da família, acabaram sendo educadas com computadores e, finalmente, encontraram trabalho mais lucrativo com informática. Mas atualmente, vários jovens depois de formados estão retornando para o campo para iniciar novos negócios envolvendo alimentos orgânicos.

A necessidade é a mãe da invenção da mesma forma que a recessão é a mãe da inovação

É o mesmo princípio de que as recessões tendem a gerar ondas de inovações. Muitas das empresas de tecnologia líderes de hoje, incluindo a Apple, Google, Microsoft e Facebook, nasceram durante as crises econômicas. Houve um aumento significativo nos registros de novas patentes na esteira do pânico da depressão de 1873, e as décadas subsequentes viram o surgimento de novas e importantes inovações como a rede elétrica, lâmpadas, fonógrafos, sistemas de telefonia e trânsito urbano (ou seja, carros da rua, bondes elétricos e sistemas de metrô). A Grande Depressão foi, de longe, a “década tecnologicamente progressiva do século 20”.

Como diz o velho e bom ditado “quando a água bate na bunda, ou você aprende a nadar, ou morre afogado”. As crises econômicas dão origem às tempestades criativas, quando os novos indivíduos empreendedores e empresas aproveitam a oportunidade para forjar novos modelos de negócios e novas indústrias que vão revolucionar e transformar a economia. O economista britânico da inovação, Christopher Freeman, encontrou evidências de que a aceleração das inovações diminuem a duração da recessão econômica para serem desencadeadas quando a economia começa a se recuperar, inaugurando novas e poderosas ondas da mudança tecnológicas na sociedade me geral.

“A necessidade é a mãe da invenção” da mesma forma que “a recessão é a mãe da inovação”, pois a inovação se origina dos desafios. Mas parte disso também é devido aos seres humanos usarem a sua curiosidade e criatividade natural quando eles têm tempo extra em suas mãos. Todas as coisas que os robôs e algoritmos são bons, em sua maioria, envolvem força bruta, física ou computacional. Elas não envolvem criatividade, sensibilidade, empatia ou “finesse”.

Os seres humanos chegaram ao topo da cadeia alimentar e se tornaram os dominantes do planeta por causa do tamanho de nossos cérebros. Mas somos mais fracos que um monte de outros animais. Muitos deles são mais fortes e ágeis do que nós. E nós não temos muitos dons naturais para sermos bons caçadores. Já viram como uma criança humana é totalmente dependente da mãe ou de outra pessoa durante os primeiros anos de vida? A maioria dos filhotes dos animais já nascem saltitantes, espertos e muitos podem se virar sozinhos logo após o nascimento. Nós não!

Mas nós sabemos fazer grandes ferramentas

E essas ferramentas nos permitem mover pelo solo mais rápido do que os leopardos, voar mais longe do que os falcões e águias, e para produzir alimentos em quantidades tão grande que podemos nos dar ao luxo de trabalhar em outras tarefas. Isso nunca aconteceu ao longo dos milhares de anos da civilização humana. Trabalhar nos campos produzindo alimentos era algo monótono e desgastante, as máquinas nos libertaram disso. Hoje, trabalhar em fábricas, supermercados e postos de atendimento são coisas monótonas e desgastantes, a robótica e a inteligência artificial vão nos libertar disso também.

Robôs inteligentes ajudarão os seres humanos a construir uma nova sociedade stylo urbano-2

Quando pensamos na forma de como a robótica e a IA  vão causar estragos aos modelos econômicos de hoje, então o futuro parece sombrio para os trabalhadores. Não é provável que haja convulsões e mudanças sociais quando estas tendências se realizarem. Mas, também não devemos desconsiderar que, devido à sua escala potencial, essas novas tecnologias provavelmente vão desencadear uma nova onda sem precedentes de inovação.

Veja no vídeo abaixo como a robótica, além de assumir os trabalhos mais tediosos e chatos para que os seres humanos possam fazer coisas mais criativas com seu tempo ou até criar novos tipos de trabalhos, pode ajudar pessoas a superarem problemas físicos como esse senhor americano que perdeu os dois braços e faz testes com duas próteses robóticas e o ciclista brasileiro que foi atropelado em São Paulo e perdeu um dos braços.

Essas inovações tecnológicas vão libertar milhares de pessoas de seus trabalhos entendiantes e dar-lhes o maior recurso da inovação: o tempo. Obviamente que haverá sofrimento e desespero de muitas pessoas com essas inovações, mas isso muitas vezes são característica dessas transições tecnológicas. No início de texto eu falei sobre os luditas na Inglaterra que em 1800 quebraram máquinas de tecelagem na tentativa inútil de tentar frear os avanços tecnológicos.

E se eles tivessem tido sucesso? Haveria outros retrógrados que fariam o mesmo com outras inovações tecnológicas e muito provavelmente nenhum de nós estaria hoje desfrutando das comodidades dos satélites espaciais, smartphones, tablets, notebooks, máquinas de lavar, carros, aviões, sem falar na internet.

Mas, quando se vê os efeitos maciços que a automação trará, também devemos lembrar que nós não temos ideia das conseqüências não intencionais que despertará toda a criatividade e potencial humano de uma só vez. Afinal outras revoluções tecnológicas já estão acontecendo paralelamente á ascensão da robótica e inteligência artificial, e elas são a impressão 3D, realidade virtual, realidade aumentada, drones, tecnologia wearable e a internet das coisas (essa última tenho minhas dúvidas) que juntas vão mudar a história humana para sempre e nada será como era antes. Uma coisa é certa, a palavra tédio vai perder completamente o sentido.

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