As roupas inteligentes são a próxima fronteira da moda, e alguns acreditam que elas são sustentáveis, uma vez que diminuem a necessidade de acumular muitas roupas no armário. Mas será que as pessoas vão comprá-las? As roupas criam fascínio sobre nós, transmitindo mensagens sobre riqueza, gosto e opiniões pessoais. Então, nesta época de alta tecnologia com milhares de aplicativos sociais, não é nenhuma surpresa que os têxteis tornaram-se uma outra plataforma para a comunicação eletrônica. No entanto, até agora, os preços e as limitações dos materiais têm restringido estas peças de vestuário para a alta costura e roupas conceituais.

Mas dois novos esforços estão comercializando a tecnologia, criando uma moda de consumo que permite ao usuário projetar qualquer texto eletrônico ou imagem que desejar. A CuteCircuit com sede em Londres fundada em 2004 pelos designers Francesca Rosella e Ryan Genz, introduziu recentemente a InfiniTshirt, uma camiseta programável que possui uma tela flexível de 1024 pixels de LEDs coloridos.

“Nós projetamos a camiseta para ser uma verdadeira experiência interativa”, diz Rosella sobre a peça, que é formada a partir do patenteado “tecido mágico” da CuteCircuit que é incorporado com um microfone, microcâmera, acelerômetro e alto-falantes. “A camiseta também reproduz vídeos a 25 frames por segundo, de modo que parece realmente espetacular pois a roupa ganha vida“, diz ela. A camiseta apresenta efeitos visuais de imagens, palavras e tweets enviados via Bluetooth com o Q App para iPhone da CuteCircuit. O aplicativo também administra essas funções para as roupas de alta-costura da empresa, incluindo mini-saias e bolsa para balada.

InfiniTshirt surgiu a partir de uma campanha promocional em 2012 da empresa escocesa de whisky, Ballantine. A empresa queria transformar uma camiseta em uma nova tela de expressão, e contratou a CuteCircuit para criar uma peça de vestuário interativa. O protótipo resultante, chamado tshirtOS , não entrou em produção devido ao custo e fragilidade, mas depois de desenvolver ainda mais a tecnologia, a CuteCircuit renomeou a peça e começou a comercializar ela própria. A InfiniTshirt custa US$ 1.323, que é super caro, mas ainda custa  um terço do custo de outra roupa interativa da CuteCircuit.

O tecido interativo chamado Infinite Canvas, desenvolvido pela Switch Embassy, é idêntico ao da CuteCircuit. Bem, pelo menos figurativamente: O sistema de tecido que exibe textos e imagens em telas de LED flexíveis, foi desenvolvido a partir dos esforços da empresa de San Francisco para criar uma tshirtOS mais resistente e menos cara.

A camiseta é dobrável e lavável à máquina, e tal como sua antecessora da Ballantine, a Infinite Canvas usa apenas microLEDs brancos em seu fundo de tecido. Os painéis estão disponíveis em qualquer forma, tamanho, ou geometria começando com um quadrado de 8×8, diz Alison Lewis, fundador e CEO da SwitchEmbassy. Eles também podem ser costurados, assim como qualquer padrão de tecido plano. Isso significa que vários painéis podem aparecer em itens maiores, como casacos e calças, bem como decoração de casa e sinalização.

O sistema utiliza as técnicas pioneiras de bordado eletrônico com LEDs, condutores, microcircuitos e software incorporados em cada painel da empresa de tecidos inovadores Foster Rohner. Para o material, que ganhou o prêmio do Techtextil Innovation em maio, a empresa testou mais de 300 tecidos para comparar a translucidez, toque, e elasticidade. A opção vencedora foi escolhida por sua maleabilidade e durabilidade (O hardware e o software ainda podem ser usados com diferentes materiais e tecidos).

Da mesma forma que a InfiniTshirt, o Infinite Canvas é controlado com um aplicativo personalizado que pode alterar o brilho dos LEDs’, os níveis da bateria e se conectar a um servidor que baixa imagens e animações pré configuradas. Embora a SwitchEmbassy está posicionando o tecido Infinite Canvas como uma solução de desenvolvimento para empresas de moda e de design interior, a empresa também planeja usá-lo para seus próprios produtos. A empresa estreou um uma bolsa, chamada Theia e está fazendo uma pesquisa de mercado para finalizar a produção e os preços, incluindo também uma camiseta.

Com o desenvolvimento cada vez maior da tecnologia e sua miniaturização, os custos vão cair bastante e daqui a poucos anos poderemos ter nossas roupas interativas. Como o Google Jacquard [o projeto do Google que transforma roupas em telas sensíveis ao toque], o custo alto desta tecnologia começa com roupas de luxo mas com a massificação, o preço desaba como foi com todas as outras tecnologias.

E o melhor é que vai ser mais avançado e interessante do que é agora. Mas com certeza antes que essa tecnologia se torne realidade para as massas, ela tem que ser aperfeiçoada a ponto dos circuitos eletrônicos como o tecido que compõe as roupas sejam completamente biodegradáveis. Assim se elimina o problema de reciclagem dessas peças.

Mas agora vem uma pergunta importante: Será que as pessoas realmente vão querer comprar uma roupa para vestir, twittar e com painéis luminosos piscando?Provavelmente nem todo mundo. (Felizmente, em todos essas peças você pode desligar as funções). Mas o maior ponto é que essa tecnologia poderia introduzir uma nova forma de moda sustentável. Baixar desenhos por download elimina a necessidade de acumular mais roupas, pois você pode sempre alterar as cores e as estampas em uma única peça. Em 2025 a moda com certeza vai ser muito mais dinâmica e interessante do que é hoje.

O que acha da moda das roupas inteligentes? Comente.

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