Existe uma grande pressão sobre as grandes redes de fast fashion para construir uma indústria da moda mais sustentável e circular. Atualmente, empresas como a H & M, Inditex (Zara), C&A e Uniqlo estão dedicando uma grande quantidade de recursos para financiar iniciativas como a transparência na cadeia de fornecimento, uso da água, novas matérias primas e métodos de fabricação sustentáveis, mas ao mesmo tempo, o impacto ambiental da indústria continua a ser enorme.

Embora a indústria têxtil e de vestuário está crescendo em termos financeiros, é também uma das cinco indústrias mais poluente do mundo. Aqui estão os principais problemas do setor:

  • Métodos de reciclagem pobres
  • Consumo excessivo e cultura descartável
  • Baixa adoção de processos de reciclagem química comercialmente viáveis
  • Fatores sociais e éticos na produção de vestuário em grande escala

Uma maneira de resolver isso é através de parcerias com startups para repensar vários aspectos da indústria. Isso é o que a sueca H&M, a segunda maior rede de fast fashion do mundo depois da Inditex, começou a fazer em 2015. As startups estão criando novos serviços e tecnologias em áreas como a economia compartilhada, materiais e fibras sustentáveis e processos químicos inovadores.

Segundo Karl-Johan Persson, CEO da H & M : “Mudar para uma indústria de moda circular é de imensa importância. Mesmo que seja difícil, ela também abre grandes oportunidades, e faz sentido nos negócios”

O Grupo H&M se tornou, entre todas as grandes empresas de moda do mundo, a líder no patrocínio de novas tecnologias, produtos e serviços que poderão ajudar a criar uma indústria da moda circular.

Startups estão ajudando a H&M a criar uma indústria de moda circular stylo urbano

Investir em programas de aceleração de startups garante que a H & M terá acesso a essas inovações no futuro. Primeiro, a empresa começou um fundo de capital de risco chamado H & M CO: LAB, que investe em startups em estágio inicial, ajudando-as a se desenvolver. Em segundo lugar, a Fundação H & M, uma organização sem fins lucrativos, lançou a competição anual Global Change Award aberta a startups de todo mundo que desenvolvem tecnologias disruptivas e produtos sustentáveis para a indústria da moda.

As 5 melhores startups recebem um patrocínio de 1 milhão de euros, e as propostas de moda circular são divididas em três subcategorias:

  • Modelos de negócios circulares – buscar idéias sobre como reutilizar, reparar, compartilhar ou ampliar a vida de um produto.
  • Materiais circulares – buscar idéias sobre novos materiais, tecnologias de reciclagem, substitutos de couro, etc.
  • Processos circulares – encontrar novos métodos para produtos químicos, água e tingimento, além de impressão 3D e produção sob demanda.

Os projetos acelerados pelo Global Change Award também ajudarão a H & M a desenvolver abordagens corporativas e produtos mais éticos e sustentáveis no futuro. O fundo de capital de risco H & M CO: LAB tem três critérios para os investimentos em startups:

1. Moda sustentável e questões de sustentabilidade;

2. Novas tecnologias relacionadas com a indústria do vestuário;

3. Inovações em vendas no varejo e novos modelos de negócios digitais.

Construindo uma indústria da moda circular

Atualmente a maioria das roupas da H & M acabam no lixo, por isso a empresa está à procura de tecnologias mais eficientes que possam reciclar infinitamente os resíduos de algodão e o poliéster, para dessa forma criar um fornecimento circular. As startups que o H & M CO: LAB tem investido recentemente são a Worn Again e a Re:newcell, que desenvolveram tecnologia de reciclagem química de resíduos têxteis. Mas a Fundação H & M em parceria com o Instituto de Pesquisa Têxteis e Vestuário de Hong Kong (HKRITA) está patrocinando uma nova tecnologia de reciclagem química de tecidos mistos.

Para Anna Gedda, chefe de sustentabilidade da H & M, a única maneira possível de mudar o modelo de fast fashion é fechar o círculo, e para a H & M, isso é feito em oito etapas para que seja possível criar uma abordagem circular: design, produção de matérias-primas, tecidos e fios, fabricação de produtos, transporte, vendas e uso. Se as oito dessas etapas forem conscientemente tratadas desde o início até o final do ciclo de uso, então há uma chance para grandes empresas terem um grande impacto ambiental e ético. Veja mais sobre isso aqui.

Duas das maiores empresas da Suécia, H & M e IKEA, uniram forças e fundaram há três anos a empresa Tree to Textile. O objetivo é produzir fibra têxtil com polpa de madeira certificada, para atender a crescente demanda mundial por fibras têxteis sustentáveis com base em matérias-primas renováveis, reduzir a quantidade de produtos químicos e consumo de água durante a produção, utilização e reutilização de fibras têxteis. O esforço que a segunda maior rede de fast fashion do mundo está realizando para criar uma indústria da moda circular é notável e deveria ser seguido por outras redes de fast fashion e marcas de moda pelo mundo.

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