Há uma pergunta que todo cubano deveria fazer a si mesmo: se Cuba é um país socialista onde os meios de produção pertencem ao povo, como é possível que uma empresa militar tenha chegado a controlar 40% da economia nacional, acumulado 14,5 bilhões de dólares em depósitos bancários, não tenha publicado demonstrações financeiras, não tenha pago impostos em moeda forte e não tenha prestado contas à Assembleia Nacional?
GAESA: como um país “socialista” acabou sob o controle de um conglomerado empresarial opaco
Fonte: cibercuba
A GAESA (Grupo de Administración Empresarial S.A.) é uma empresa comercial capitalista que permite total opacidade em relação à propriedade, aos lucros e ao destino dos fundos. As duas últimas letras são fundamentais: S.A. — Sociedade Anônima. Esta é a estrutura jurídica adotada por grandes corporações privadas no mundo capitalista — da Coca-Cola à Samsung — concebida para conferir a uma empresa uma personalidade jurídica própria e distinta, separada de seus proprietários, com acionistas cujas identidades podem permanecer ocultas.
“Anônima” significa exatamente isso: os verdadeiros proprietários não são publicamente conhecidos, nem o percentual de participação detido por cada um. Em qualquer economia de mercado, uma S.A. é um instrumento legítimo de organização empresarial. Em um país que se proclama socialista — onde os meios de produção supostamente pertencem ao povo e a propriedade privada de setores estratégicos é proibida — trata-se de uma aberração ideológica.
GAESA é um instrumento de poder dinástico concebido por Raúl Castro para garantir que sua família controle a riqueza de Cuba.
E, no entanto, lá está ela: os militares cubanos organizaram o maior conglomerado econômico do país — abrangendo turismo, setor bancário, comércio, portos, telecomunicações e combustíveis — não como uma empresa estatal sujeita à fiscalização pública, mas como uma sociedade anônima. É uma entidade comercial capitalista que permite total opacidade em relação à propriedade, aos lucros e ao destino dos fundos.
A GAESA não presta contas ao povo cubano porque sua estrutura jurídica foi concebida precisamente para evitar tal prestação de contas. Os cubanos não são acionistas; não têm representação em seu conselho de administração, não recebem dividendos e não podem sequer auditar seus livros. Na prática, são os trabalhadores explorados de uma corporação privada cujos lucros fluem para as mãos de uma casta militar.
A GAESA foi criada por Raúl Castro, liderada por 26 anos por seu genro e é, hoje, guardada por seu neto. Operou por décadas dentro de um Estado que se declara socialista, consolidando — sob um modelo de gestão completamente alheio ao socialismo — pelo menos 40% do PIB de Cuba. Hoje, em meio à crise de 2026, seu império desmorona — contudo, sua estrutura jurídica permanece intacta, assim como suas contas offshore em paraísos fiscais no Caribe ligados à City de Londres, até onde se sabe.

Documentos internos da GAESA vazados em 2025 — analisados pelo Miami Herald e pelo economista Pavel Vidal, do Cuba Capacity Building Project da Universidade de Columbia — atribuíram cifras concretas ao que muitos há muito suspeitavam: a GAESA controlava 95% das transações financeiras do país em moeda estrangeira. Suas receitas totais eram 3,2 vezes superiores à receita anual do Orçamento do Estado. E as reservas internacionais de Cuba não eram mantidas pelo Banco Central — eram mantidas nas contas da GAESA.
Vidal resumiu a situação da seguinte forma: “Não consegui encontrar um exemplo comparável de um conglomerado que detenha uma fatia tão maciça da economia de um país. Isso supera até mesmo o peso econômico da Ecopetrol na Colômbia, da Petrobras no Brasil ou da PDVSA na Venezuela.”

Marco Rubio: “Cuba não é controlada por uma revolução, mas pela GAESA”.
O secretário dos EUA, Marco Rubio, desencadeou uma tempestade geopolítica após proferir um discurso explosivo em espanhol diretamente ao povo cubano, expondo o domínio da GAESA sobre a economia de Cuba, condenando a elite comunista e revelando uma visão ousada para “UMA NOVA CUBA” construída sobre a liberdade, oportunidades econômicas e apoio direto dos Estados Unidos.
Mencionando as dificuldades inimagináveis sofridas pelos cubanos, Rubio declarou que o sofrimento em toda a ilha NÃO é resultado das sanções americanas ou do bloqueio de petróleo imposto pelos Estados Unidos. Em vez disso, Rubio acusou aqueles que controlam Cuba de roubarem sistematicamente a nação, enquanto os cidadãos comuns ficam sem nada:
- Eletricidade
- Combustível
- Comida
- Oportunidade econômica ou liberdade política
O ponto central da mensagem de Rubio foi um ataque direto à GAESA , o enorme império empresarial controlado pelos militares e fundado sob o governo de Raúl Castro. Num dos momentos mais chocantes do vídeo, Rubio afirmou sem rodeios: “Hoje, Cuba não é controlada por uma revolução. Cuba é controlada pela GAESA.”
Essa declaração por si só teve um efeito devastador no mundo político. Segundo Rubio, a GAESA opera como um “estado dentro do estado”, controlando aproximadamente:
- 70% da economia de Cuba
- Bilhões em ativos
- Hotéis
- Empresas de construção
- Bancos
- Lojas
- E até mesmo remessas enviadas por famílias cubanas que vivem nos Estados Unidos.
Rubio acusou a elite governante de desviar a riqueza do povo enquanto os cubanos comuns sofrem:
- Apagões rotativos
- Infraestrutura em colapso
- Escassez de alimentos
- E grave declínio econômico
Ele explicou que, enquanto os cidadãos cubanos lutam para sobreviver mais de 22 horas por dia sem eletricidade, a classe dominante continua financiando estilos de vida luxuosos, imóveis no exterior e operações comerciais de elite.
Durante décadas, o governo cubano culpou as sanções e o embargo dos EUA pelo colapso econômico da ilha. Marco Rubio desfez completamente essa narrativa. Ele argumentou que a liderança cubana falhou em modernizar a infraestrutura elétrica, falhou em investir na estabilidade energética e, em vez disso, dependeu durante anos de remessas gratuitas de petróleo de:
- Hugo Chávez
- Nicolás Maduro
- e regimes socialistas aliados
Segundo Rubio, quando o fornecimento gratuito de petróleo pelo oleoduto começou a secar, a elite cubana se protegeu enquanto exigia mais sacrifícios da população. Enquanto isso, disse ele, o regime continuou:
- A construção de hotéis para estrangeiros,
- A expansão da riqueza da elite,
- A enviar familiares para viver no estrangeiro em cidades luxuosas como Madrid e Miami.
A mensagem de Rubio foi clara:
O sofrimento do povo cubano não é resultado da ação dos Estados Unidos. É resultado da corrupção, do controle centralizado e de uma classe dominante que não presta contas a ninguém.
Como nasceu o monstro
A GAESA não surgiu do nada. Ela nasceu do Período Especial da década de 1990, quando o colapso da União Soviética eliminou entre 4 e 6 bilhões de dólares em subsídios anuais. Cuba ficou sem dinheiro, sem petróleo e sem alimentos. O povo passou fome. Mas Raúl Castro — então Ministro das Forças Armadas Revolucionárias (FAR) — não elaborou um plano para alimentar a população, elaborou um plano para que os militares alimentassem a si mesmos.
Ele encarregou o General Julio Casas Regueiro — contador de formação que havia lutado ao seu lado na Sierra Cristal — de criar uma *holding* empresarial que gerasse divisas para as Forças Armadas. A Gaviota, que existia desde 1988 como um complexo de férias para militares cubanos e soviéticos, foi transformada em uma empresa comercial. No final da década de 1990, as empresas da GAESA já cobriam 80% do orçamento operacional das FAR. Os militares haviam deixado de depender do Estado. Em breve, seria o Estado a depender dos militares.
O salto decisivo foi dado pelo General Luis Alberto Rodríguez López-Calleja, genro de Raúl Castro, casado com Deborah Castro Espín. López-Calleja liderou a GAESA de aproximadamente 1996 até sua morte, em 1º de julho de 2022, aos 62 anos. Ao longo desse quarto de século, o conglomerado cresceu de uma modesta operação de geração de divisas para uma entidade que devorou setores inteiros da economia: turismo, varejo, setor bancário, logística portuária, telecomunicações, construção, importação/exportação e remessas. Em 2015, a Bloomberg o descreveu como o homem no comando do “maior império empresarial de Cuba — um conglomerado de pelo menos 57 empresas”.
O que a GAESA passou a controlar: Tudo
O mapa corporativo da GAESA é, ou era, até a crise de 2026, o mapa da economia cubana. Ela operava sob a supervisão exclusiva do Departamento V das FAR, uma unidade secreta cuja existência foi revelada pelos vazamentos de 2025. Ela mantinha seu próprio escritório fiscal paralelo — o OATFAR (Escritório de Administração Tributária das FAR), que gerenciava suas obrigações fiscais inteiramente à margem do sistema nacional. Em outras palavras: a GAESA sequer pagava impostos pelos mesmos canais que o restante do país.
A Gaviota S.A. era a joia da coroa: 121 hotéis, 20 marinas, a companhia aérea Aerogaviota, a locadora de veículos Transgaviota, a operadora de turismo Gaviota Tours e a empresa de suprimentos AT Comercial. No primeiro trimestre de 2024, a Gaviota respondeu por 72% da receita total da GAESA, ostentando uma margem de lucro líquido de 42% — quase quatro vezes a média global do setor. Como tais margens foram alcançadas? Pagando aos trabalhadores hoteleiros cubanos a irrisória quantia de 11 dólares por mês. Isso não é socialismo. Isso é exploração da mão de obra em escala industrial.
A Inmobiliaria Almest — o braço de investimentos hoteleiros do grupo — detém 56,5 bilhões de pesos em ativos, no entanto, recebeu 668 milhões do orçamento do Estado, ao passo que pagou meros 2 milhões em impostos. Em 2016, a GAESA absorveu a Habaguanex — a entidade que administrava mais de 300 instalações turísticas em Havana Velha, tomando-lhe o controle que pertencia ao Gabinete do Historiador da Cidade. Tudo o que Eusebio Leal passara décadas construindo, os generais se apropriaram com uma simples canetada.
A CIMEX (Corporación CIMEX S.A., registrada no Panamá desde 1979) figura como a maior corporação comercial de Cuba: um conglomerado composto por mais de 41 empresas que operam supermercados, 668 postos de combustível Servicupet, lojas de varejo em moeda forte e marcas de café como Cubita e Caracolillo — esta última distribuída pela Kave Coffee S.A., outra entidade registrada no Panamá. Documentos vazados revelaram cifras estarrecedoras: 3,4 bilhões de dólares em receita e 1,2 bilhão em lucro em um único trimestre de 2024.
A TRD Caribe — a outra rede de lojas em moeda forte — registrou depósitos totalizando 3,4 bilhões de dólares. Em 2016, o GAESA desferiu o golpe decisivo: assumiu o controle do Banco Financiero Internacional (BFI), que processava 95% dos fluxos de importação e exportação do país. O think tank Cuba Siglo XXI descreveu esse ato como “o golpe mais duro contra a economia estatal cubana”. Com o BFI, o GAESA não se limitava a comprar e vender; controlava o próprio dinheiro.
Somavam-se a isso a Almacenes Universales (portos, Zona de Mariel), a Tecnotex e a Tecnoimport (tecnologia de uso dual, civil e militar), a Corporación Antex (contratação de pessoal médico no exterior e suposta fachada de inteligência), a DATYS (tecnologia), a GEOCUBA (cartografia) e uma participação acionária na ETECSA, o monopólio das telecomunicações. Sempre que um cubano recarregava seu telefone, fazia compras em uma loja MLC, abastecia o tanque de combustível ou se conectava à internet, uma parcela desse dinheiro acabava nas mãos do GAESA.
A dinastia de ladrões: do genro ao neto
O GAESA não é meramente um conglomerado militar. É um instrumento de poder dinástico concebido por Raúl Castro para garantir que sua família controle a riqueza de Cuba, independentemente de quem ocupe a presidência. Díaz-Canel pode sentar-se à mesa no Palácio da Revolução mas o dinheiro de verdade está em outro lugar.
Após a morte de López-Calleja, a presidência executiva coube à Brigadeira-General Ania Guillermina Lastres Morera, nascida em 1968 em Marianao. Sua nomeação nunca foi oficialmente anunciada; só veio à tona em fevereiro de 2023, quando a lista de candidatos à Assembleia Nacional a identificou como “Presidente Executiva do Grupo de Administração Empresarial”. Investigações do La Prensa de Panamá e do Martí Noticias revelaram que Lastres figura como diretora ou secretária em pelo menos seis empresas registradas no Panamá desde a década de 1980 — entidades vinculadas ao irmão de López-Calleja.
Mas o verdadeiro guardião dos interesses da família dentro do GAESA é Raúl Guillermo Rodríguez Castro — conhecido como “El Cangrejo” (O Caranguejo). Tenente-coronel de 41 anos e chefe da Diretoria Geral de Segurança Pessoal, ele é neto de Raúl Castro e filho do fundador do império. O homem que decide quem tem acesso ao General de Exército de 94 anos é exatamente o mesmo que salvaguarda a maquinaria financeira da família. Fontes internas o descrevem como a “menina dos olhos” de Raúl Castro.
Um detalhe que não pode ser coincidência: Cuba eliminou recentemente o limite de idade de 60 anos para o exercício da presidência. Essa mudança ocorre justamente no momento em que crescem as especulações sobre uma transição geracional dentro da elite — possivelmente liderada por membros da família Castro. A revolução que prometeu pôr fim às dinastias acabou construindo uma própria.
Entre os executivos de suas subsidiárias, o padrão se repete: o General Luis Pérez Rospide preside a Gaviota, enquanto o Coronel Héctor Oroza Busutil dirige a CIMEX. E Manuel Marrero Cruz — ex-presidente da Gaviota e ex-Ministro do Turismo — ocupa atualmente o cargo de Primeiro-Ministro de Cuba. O homem que outrora liderou o braço turístico da GAESA agora lidera o governo. A fusão entre o conglomerado e o Estado está completa.
Panamá: O Cofre do Castrismo
Se alguém deseja compreender como o “socialismo” cubano realmente funciona, não deve olhar para Havana. Deve olhar para o Panamá. Uma investigação conjunta realizada pelo La Prensa (Panamá), elTOQUE, Martí Noticias e pela organização venezuelana Armando.Info documentou que “El Cangrejo” realizou pelo menos 25 voos para o Panamá entre 2024 e 2025 a bordo de jatos particulares vinculados à cúpula militar.
Entre essas aeronaves, figura um Dassault Falcon 900EX cujo registro foi transferido da Venezuela para San Marino — um microestado sem aeroporto próprio que aluga seu registro de aeronaves — com o objetivo de dificultar o rastreamento internacional. Em vários desses voos, “El Cangrejo” estava acompanhado pela própria presidente da GAESA, a General Lastres Morera. Para muitas dessas viagens, não existem registros de imigração no Panamá — apenas manifestos de voo.
A presença conjunta da diretora-executiva do conglomerado e do guardião dos interesses da família nesses voos indica que não se tratam de viagens de turismo pessoal, mas sim de operações corporativas da GAESA canalizadas através do Panamá. O Panamá não é um destino casual. Desde a década de 1980, a GAESA tem registrado empresas-chave no país: CIMEX (1979), FINCIMEX (1984) e Kave Coffee. A General Lastres Morera figura nos registros societários de diversas empresas panamenhas, algumas das quais detêm ativos imobiliários.
Guillermo Faustino Rodríguez López-Calleja — irmão do falecido presidente da GAESA — possui quase uma dúzia de empresas panamenhas conectadas ao conglomerado. A rota Havana–Caracas–Panamá funciona como um corredor logístico e financeiro, possibilitando a movimentação de capitais, mercadorias e serviços fora do alcance da fiscalização internacional. A rede de contatos de “El Cangrejo” no Panamá inclui figuras diretamente vinculadas ao poder cubano no exterior — como Jorge Javier Rodríguez Cabrera, um ex-funcionário do Ministério das Relações Exteriores de Cuba que foi posteriormente detido pelo ICE nos Estados Unidos e associado à Gran Azul LLC, uma empresa de transporte marítimo, logística e turismo focada em Cuba.
Um detalhe que revela a natureza do sistema: “El Cangrejo” viaja com um passaporte diplomático que lhe confere imunidade internacional. “Ele possui imunidade, e isso dificulta o rastreamento de seus deslocamentos ou atividades no exterior”, explicou ao Martí Noticias Luis Domínguez, pesquisador da Fundação para os Direitos Humanos em Cuba. Entre 2012 e 2016, ele entrou em Nova York diversas vezes sob a cobertura diplomática da Missão Cubana junto à ONU. As viagens do herdeiro do GAESA não são caprichos pessoais, são, na verdade, operações do conglomerado canalizadas por meio da estrutura familiar.
Enquanto executivos do GAESA movimentam dinheiro através do Panamá com imunidade diplomática, o cubano comum não tem acesso sequer a um passaporte a preço acessível.
Como o GAESA capturou cada dólar que os cubanos nos EUA enviaram as suas famílias
Se alguém é um cubano vivendo no exterior e enviou dinheiro para sua família nos últimos anos, precisa saber disto: o GAESA arquitetou um sistema para confiscar seus dólares. Antes de 2020, a FINCIMEX operava 407 pontos de pagamento e processava 93% dos US$ 794,6 milhões transferidos via Western Union. O mecanismo era extrativista: as remessas eram enviadas em dólares, mas os destinatários recebiam MLC (Moeda Livremente Conversível).
Os dólares reais permaneciam nas mãos do GAESA. Quando os Estados Unidos sancionaram a FINCIMEX em 2020, o regime criou a Orbit S.A., apresentando-a como uma entidade civil independente. No entanto, investigações do Miami Herald revelaram que a Orbit compartilhava servidores, escritórios e supervisão direta com a CIMEX. A Orbit também foi sancionada em janeiro de 2025.
Com as remessas formais tendo desabado 70% em comparação aos níveis de 2019, o GAESA encontrou uma solução mais direta: abriu mais de 85 lojas em todas as províncias que aceitam exclusivamente dólares em espécie, ostentando margens de lucro superiores a 240% e preços até quatro vezes mais altos do que os praticados em um Walmart nos Estados Unidos. O Tarjeta Clásica (Cartão Clássico) — emitido pela FINCIMEX sem qualquer afiliação bancária — canaliza os depósitos diretamente para o sistema financeiro do GAESA.
O desenho do sistema era brilhante em sua perversidade: cada dólar que a diáspora cubana enviava para suas famílias acabava — de uma forma ou de outra — nas contas do GAESA. Não fazia diferença se chegava via remessa formal, por meio de um cartão ou como dinheiro em espécie gasto em uma loja de MLC. O destino final era sempre o mesmo. E, durante todo esse tempo, o regime apelava em fóruns internacionais pelo levantamento do embargo, sob o argumento de que “o povo cubano está sofrendo”. O povo está sofrendo. Mas não devido à falta de dinheiro entrando no país, e sim porque esse dinheiro foi capturado por um conglomerado militar que não prestava contas a ninguém.
Parceiros internacionais: Quem faz negócios com os generais
A GAESA não operava sozinha. Ela contava com parceiros estrangeiros que lhe proporcionavam legitimidade, infraestrutura e acesso aos mercados internacionais. A Meliá Hotels International (Espanha) é a maior operadora estrangeira em Cuba, administrando entre 33 e 38 hotéis da rede Gaviota sob contratos de gestão com duração de 25 a 30 anos. Seu CEO, Gabriel Escarrer, está proibido de entrar nos EUA sob o Título IV da Lei Helms-Burton, juntamente com aproximadamente outros 20 executivos. A Iberostar opera 20 hotéis e está à frente do projeto Torre K, em El Vedado: um arranha-céu de 42 andares orçado em € 200 milhões.
A Blue Diamond Resorts (Canadá) administra 36 propriedades e mais de 10.000 quartos. Essas redes pagam à GAESA para operar hotéis construídos com recursos do Estado cubano, situados em terras confiscadas e com mão de obra composta por trabalhadores que ganham US$ 11 por mês. Os turistas que se hospedam nesses hotéis financiam diretamente o aparato militar. A Sherritt International (Canadá) é a maior investidora estrangeira direta: ela opera a joint venture de níquel em Moa e a Energas S.A. (506 MW), fornecendo entre 10% e 15% da eletricidade nacional.
A empresa utiliza subsidiárias em Barbados para burlar sanções e detém entre US$ 100 milhões e US$ 154 milhões em contas a receber vencidas de Cuba. No entanto, o caso mais nebuloso envolve a Habanos S.A. Quando a Imperial Brands vendeu seu negócio de charutos por US$ 1,4 bilhão em 2020, o empresário chinês Chen Zhi adquiriu secretamente uma participação de 28,55% na Habanos por meio de empresas de fachada na Espanha, em Hong Kong, nas Ilhas Virgens e nas Ilhas Cayman.
Chen foi indiciado pelo Departamento de Justiça dos EUA em outubro de 2025 por uma fraude massiva envolvendo criptomoedas e lavagem de dinheiro, o que resultou na apreensão de US$ 15 bilhões em Bitcoin. Ele foi preso no Camboja e deportado para a China. A ditadura cubana não proferiu uma única palavra sobre o assunto.
E há, ainda, a Zona Especial de Desenvolvimento de Mariel: US$ 862 milhões provenientes do banco brasileiro BNDES, construída pela Odebrecht, e que se revelou um fracasso absoluto. Apenas 44 das 64 empresas aprovadas estão em operação; o porto opera a 40% de sua capacidade, e Cuba rejeita mais de 90% das propostas de investimento. Os generais priorizam o controle total em detrimento do desenvolvimento econômico.
Hotéis vazios, hospitais sem medicamentos
Os números de investimento público de Cuba revelam a história de um país cujas prioridades são determinadas por uma corporação militar, e não pelas necessidades da população. Entre 2021 e 2023, 36% de todo o investimento governamental foi destinado à construção de hotéis. A agricultura recebeu 2,9%. A saúde, 1,9%. A educação, 1,3%. Ao longo de 15 anos, o GAESA investiu US$ 24,2 bilhões em hotéis — 13,8 vezes mais do que os US$ 1,75 bilhão destinados à saúde pública. A Gaviota reporta US$ 4,261 bilhões em ativos hoteleiros — um valor que triplica o orçamento anual da saúde.
No entanto, o investimento hoteleiro não é meramente uma questão de prioridades distorcidas. Como apontaram analistas cubanos, a construção de hotéis também funciona como um mecanismo de lavagem de dinheiro: contratos são superfaturados, recursos públicos são desviados e o capital do povo é “lavado”, transformando-se em propriedades imobiliárias que pertencem exclusivamente aos militares. Cada hotel vazio — e Cuba está repleta deles — representa uma operação concluída. O dinheiro já circulou; os contratos já foram pagos. O fato de o hotel ter ou não hóspedes é irrelevante para o propósito real do investimento.
Documentos vazados revelaram que a GAESA não paga absolutamente nenhum imposto em moeda estrangeira. Em agosto de 2024, devia meros 920 milhões de pesos em impostos nacionais — menos de 1% de suas vendas internas de 100 bilhões de pesos — enquanto, simultaneamente, recebia 9,26 bilhões de pesos do orçamento do Estado a título de “investimento”. Isso representa dez vezes o valor que pagou em impostos. A Controladora Gladys Bejerano foi destituída do cargo após declarar publicamente que não tinha jurisdição sobre a GAESA.
O Programa de Governo apresentado pelas autoridades cubanas em outubro de 2025 propõe um ajuste fiscal e monetário destinado a reduzir a inflação e o déficit. Mas, como observa Pavel Vidal, o programa não faz menção à GAESA, nem leva em consideração o papel do conglomerado na economia nacional. Isso significa que o ônus do ajuste recai sobre as empresas estatais, as MPMEs e as famílias — entidades que efetivamente pagam impostos, enquanto o conglomerado que controla 40% do PIB permanece isento de todas as obrigações fiscais. Os cubanos pagam pelo ajuste. A GAESA, não.
Soma-se a isso uma estatística reveladora fornecida pelo economista Emilio Morales — e corroborada por uma análise realizada por Juan Antonio Blanco para o Real Instituto Elcano: 60% do petróleo que Cuba recebeu da Venezuela entre 2024 e 2025 não foi utilizado para gerar eletricidade ou abastecer o transporte. Em vez disso, foi reexportado para mercados asiáticos pela Cubametales, uma subsidiária da GAESA, e os recursos provenientes dessas vendas foram depositados em contas bancárias situadas em paraísos fiscais. Apenas os 40% restantes permaneceram em Cuba, priorizando as necessidades do aparato repressivo e do setor de turismo da GAESA.
Para transportar esse petróleo, a GAESA operou — por mais de uma década — uma frota obscura de pelo menos nove petroleiros, registrados em nome de empresas de fachada no Chipre, no Panamá e na Libéria — Caroil Transport Marine Ltd., Trocana World Inc., Tovase Development Corp., Bluelane Overseas — concebidos para burlar sanções internacionais. A GAESA replicou, em alto-mar, exatamente a mesma estrutura de entidades corporativas opacas que utilizava em suas transações comerciais em terra. Hoje, essa frota encontra-se ancorada na Baía de Matanzas, vazia, transformada em uma instalação de armazenamento flutuante para as últimas reservas remanescentes do regime. O sistema circulatório do império parou completamente.
Fevereiro de 2026: O Império racha
Em fevereiro de 2026, o modelo da GAESA colidiu com a realidade. Os nove aeroportos internacionais de Cuba paralisaram suas operações devido à falta de combustível Jet A-1, na sequência da interrupção do fornecimento de petróleo venezuelano — uma consequência direta da queda de Maduro. O turismo — a espinha dorsal da Gaviota — estagnou completamente. A Meliá fechou três hotéis, e suas ações despencaram 8,5% na Bolsa de Madri, eliminando aproximadamente € 130 milhões em valor de mercado.
A principal companhia aérea do Canadá suspendeu os voos para Cuba até maio; o Canadá é o principal mercado turístico da ilha. Documentos vazados já haviam revelado a deterioração: a Gaviota havia perdido US$ 5,8 bilhões em depósitos entre março e agosto de 2024, caindo de US$ 8,5 bilhões para US$ 2,7 bilhões. Cuba recebeu meros 2,2 milhões de turistas em 2024 — o número mais baixo em 17 anos.
O economista Emilio Morales foi categórico em uma entrevista ao CubaNet: “Não creio que chegue ao verão. Estamos nos estágios finais do regime.” No início de fevereiro, a empresa Kpler estimou que Cuba possuía reservas de petróleo suficientes para apenas mais 15 a 20 dias. Um país às escuras não pode produzir nem exportar. Não pode gerar receita. Enquanto isso, segundo o Axios, o Secretário de Estado Marco Rubio está mantendo conversas secretas com “El Cangrejo” a respeito de uma possível transição em Cuba, contornando os canais oficiais que envolvem Díaz-Canel.
O governo Trump o vê como um representante dos “jovens cubanos com mentalidade empresarial”. Como adverte o CiberCuba: o que Washington denomina “mentalidade empresarial” pode ser, na verdade, apenas a capacidade da elite militar de tomar o controle das empresas, enquanto a maioria dos cubanos permanece excluída dessas mesmas oportunidades. O regime cubano negou qualquer contato entre Rubio e a família Castro.
Uma análise do Real Instituto Elcano, publicada em fevereiro de 2026 pelo analista Juan Antonio Blanco, coloca a GAESA no centro da equação: “O holding empresarial GAESA — teoricamente controlado pelas FAR, mas, na realidade, nas mãos da família Castro — tem viabilizado um constante desvio de recursos para fora da esfera das políticas públicas.”
Blanco observa que as FAR poderiam desempenhar um papel essencial em uma transição — mas sem a presença da família Castro. A fragilidade geopolítica da Rússia e a fraqueza econômica da China limitam severamente sua capacidade de apoiar Cuba. Moscou e Pequim não moveram uma palha por Maduro. Não o farão por Díaz-Canel. Nas ruas de Cuba, o lixo se acumula porque os caminhões de coleta não têm combustível. Os hospitais operam com metade de sua capacidade.
Nove vírus circulam simultaneamente, sem que haja medicamentos disponíveis para tratá-los. A Nicarágua revogou a isenção de visto para cubanos — uma das últimas rotas de fuga remanescentes, provavelmente devido à pressão de Washington. E a GAESA — o conglomerado que acumulou mais riqueza do que o próprio Estado — não contribuiu com um único centavo de suas reservas para aliviar a crise que assola justamente a população que, supostamente, justificava sua existência.
O Cerco das Sanções
Os Estados Unidos construíram uma estrutura progressiva de sanções contra a GAESA. Em 2017, Trump estabeleceu a Lista Restrita de Cuba (*Cuba Restricted List*). Em 2019, ativou pela primeira vez o Título III da Lei Helms-Burton, permitindo a abertura de processos judiciais referentes a propriedades confiscadas; 25 ações desse tipo foram ajuizadas contra mais de 51 empresas. Em 2020, a GAESA, a FINCIMEX e a Kave Coffee foram incluídas na Lista SDN do OFAC.
Biden manteve a maioria dessas restrições. Ao assumir seu segundo mandato, Trump divulgou uma lista ampliada de 237 entidades, incluindo ministérios governamentais, subsidiárias, hotéis específicos, marinas e centros de mergulho. A União Europeia, por sua vez, não impõe sanções contra Cuba e invocou seu Estatuto de Bloqueio para proteger empresas europeias, como a Meliá e a Iberostar.
Socialismo para o Povo, Capitalismo para a Casta Militar
Esta é a história que a ditadura cubana não quer que você conheça. Não a história de um país socialista — bloqueado pelos Estados Unidos — lutando heroicamente por seu povo. Pelo contrário: é a história de um conglomerado militar que capturou a economia de uma nação inteira; que não pagava impostos; que investiu 13 vezes mais em hotéis vazios do que em hospitais; que canalizava suas operações financeiras por meio de empresas de fachada no Panamá; que reexportava o petróleo que deveria ter fornecido eletricidade aos lares cubanos; e que despachava seus executivos para gerir negócios offshore com imunidade diplomática, enquanto a população sobrevivia a apagões de 18 horas.
A narrativa oficial continua a culpar o embargo dos EUA por todos os males de Cuba. O embargo existe e tem um impacto real. Mas nenhum embargo obrigou a GAESA a investir US$ 24,2 bilhões em hotéis, ao mesmo tempo em que investia apenas US$ 1,75 bilhão na saúde. Nenhum embargo a obrigou a reexportar 60% do petróleo da Venezuela para os mercados asiáticos, enquanto os cubanos viviam na escuridão. Nenhum embargo obrigou o conglomerado a canalizar suas operações financeiras por meio de entidades offshore no Panamá, enquanto Cuba sofria com a escassez de medicamentos e alimentos. Essas foram decisões tomadas pelos proprietários da GAESA — decisões capitalistas tomadas por uma elite que se dizia socialista.
A GAESA não é nenhum segredo de Estado. Ela é — ou era — o próprio Estado. E a questão que permanece sobre a mesa em fevereiro de 2026 — com aeroportos fechados, a economia paralisada e o regime negociando secretamente com Washington — já não é saber se este modelo pode sobreviver. Ele não pode. A questão agora é se o que virá a seguir será, de fato, diferente, ou se os mesmos generais que construíram a GAESA simplesmente mudarão o rótulo do frasco.
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O comunista e ex-presidiário Lula fez algo parecido no Brasil com a empresa JBS dos corruptos irmãos Wesley e Joesley Batista, que iniciaram seu império frigorífico com os bilhões que Lula deu a eles através do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Lula é o típico comunista, rouba dos pobres para dar aos ricos. Lula roubou bilhões dos contribuintes brasileiros para financiar a ditadura cubana.
A JBS recebeu R$ 17,6 bilhões, equivalente a R$ 31,2 bilhões em valores de hoje, em desembolsos entre 2003 e 2017 do BNDES, durante os governos Lula e Dilma, ficando atrás apenas de Petrobrás, Embraer, grupo Odebrecht e OI.
Com esse “investimento estatal”, a JBS se tornou a maior produtora mundial de frango, carne bovina e alimentos preparados, e a segunda maior em carne suína. Lula deve ter se tornado um sócio oculto dos irmãos Batista por tê-los ajudado a iniciar seu império com o dinheiro roubado dos brasileiros.
O IMPÉRIO DAS MARCAS DE JOESLEY BATISTA
Você sabia que marcas como Friboi, Seara, PicPay, Neutrox e Minuano têm algo em comum? Todas pertencem ao império de Joesley Batista! Veja as 54 marcas que compõem o vasto ecossistema da J&F Investimentos, grupo controlado pela família Batista, fundadora da JBS, a maior processadora de carnes do mundo. Com uma receita anual aproximada a R$ 400 bilhões, a J&F é um dos maiores conglomerados empresariais do mundo, presente no cotidiano de milhões de pessoas.
Confira a lista completa das marcas:
Alimentos e Carnes: Friboi, Seara, Seara Gourmet, Maturatta Friboi, Swift, Pilgrim’s, Incrível!, Huon Aquaculture, Príncipe, Kitut, Hans, Uboi, 1953 Friboi, Mantiqueira Brasil, Éder, Primor, Delícia, Genu-in, Doriana, King’s, Primo, Just Bare, Marba, Vivera, Rigamonti, Eldorado Brasil, Massa Leve, Moy Park, Wild Fork, Bordon, Rollover The Pet Bakery e Fridge Raiders,
Higiene Pessoal, Limpeza e Cosméticos: Minuano, Assim, Hydratta, Francis, Albany, Neutrox, Karina, Brisa, Vyvedas, Richmond, Phytoderm, Kopenè, Mat Inset, Campo Forte.
Financeiro, Digital, Energia e Social: PicPay, No Carbon, Âmbar Energia, BDM by PicPay e Instituto J&F
Você sabia que Joesley Batista, um homem envolvidos em vários escândalos de corrupção no Brasil e Estados Unidos, estava por trás de tantas marcas?

A ligação de Fidel Castro com a nobreza ítalo-espanhola e o narcotráfico nas Américas.






































