Em 2030, as fábricas do futuro vão funcionar baseadas numa coisa: a eficiência. Espera-se que essas instalações futuristas diminuirão os custos de produção em no mínimo 20%. Estas fábricas do amanhã vão ser automatizadas, cheias de robôs e todas as tecnologias serão inteligente para economizar tempo, recursos materiais e laborais e produzir de forma mais sustentável. Mas como tudo isso vai funcionar em termos de estrutura e processos?

Um recente estudo do Boston Consulting Group (BCG) teve com o objetivo buscar as respostas de como a automação industrial vai ajudar a fabricar produtos mais eficientes, rápidos, personalizáveis e sustentáveis no futuro. “A fábrica do futuro é uma visão de como os fabricantes devem aumentar a produção, fazendo melhorias em três dimensões: estrutura da fábrica, digitalização da fábrica e processos da fábrica“, escreveu a BCG.

Como a fábrica do futuro realmente vai se parecer?

No futuro, as fábricas terão mais layouts multidirecionais, incorporando consideravelmente mais tecnologias digitais e explorando todo o potencial da manufatura enxuta. A indústria automobilística foi a primeira a introduzir robôs em sua linha de produção que agora está migrando para a indústria eletrônica e de vestuário.

Estrutura da fábrica: Os layouts serão mais flexíveis, com instalações de linha modulares e processos de produção sustentáveis segundo o relatório. Os layouts multidireccionais permitirão que os produtos possam ser colocados nas esteiras de transporte e guiados por meio da produção através da comunicação com máquinas de produção. Os módulos de linha serão intercambiáveis e as máquinas de produção podem facilmente ser reconfiguradas. Isso significa, simplesmente, que os fabricantes serão capazes de produzir uma maior variedade de produtos e ainda manter uma elevada saída.

Digitalização da fábrica: A digitalização está fazendo progressos entre os fabricantes atuais, mas em 2030 será cada vez mais significativo. A digitalização utiliza robôs mais inteligentes para assumir tarefas mais complexas e se comunicam com os trabalhadores para ajudá-los nas tarefas. A realidade aumentada também vai se tornar uma ferramenta comum para trabalhadores humanos, tornando mais eficientes coisas como montagem, logística e separação de pedidos.

Processos de fábrica: Em 2030, as fábricas serão projetadas para maximizar a produção e os principais focos estarão nos clientes e a melhoria contínua. O big data será cada vez mais uma ferramenta utilizada pelas empresas, recolhendo informações dos clientes para melhorar o design e processos de produção. Os clientes poderão receber dados sobre a produção de um produto e personalizá-lo a seu gosto, algo que os fabricantes de vestuário poderão usar como diferencial num mundo onde a personalização terá alta demanda.

Com mais de 1,3 milhão de empregados em suas 20 fábricas na China, a Foxconn é o maior fabricante mundial de smartphones, consoles de vide game, laptops e TVs. Seus clientes incluem a Apple, Sony, Samsung, Microsoft, Amazon e outras gigantes da tecnologia.

A meta da empresa é que em suas fábricas, os seres humanos só executarão a inspeção e administração geral. O plano, semelhante a muitas empresas do setor industrial, consiste em instalar robôs chamados Foxbots, braços automatizados capazes de executar rotinas com cabeças intercambiáveis, em locais onde é perigoso para os humanos trabalharem por razões de segurança e saúde como manipulação de produtos químicos ou soldas de precisão em componentes eletrônicos.

A automatização visa utilizar robôs para fazer todo tipo de trabalho repetitivo executado por humanos. Essas fábricas 4.0 receberam o nome de “fábricas escuras” pois podem funcionar no escuro. Em uma de suas fábricas chinesas, a Foxconn reduziu o número de funcionários durante o ano passado de 110.000 para 50.000 , uma redução considerável. A automatização da indústria vai acabar com empregos de baixa qualificação e criar outros empregos que exigem maior qualificação. Por causa do desemprego tecnológico, será necessária a criação de Micro Faculdades para treinar todas essa pessoas em novas profissões.

Em 2030, as fábricas de vestuário serão como fábricas automotivas devido a automação industrial stylo urbano
Na Industria 4.0, as fábricas de vestuário vão se livrar das acusações de exploração trabalhista, desperdício de materiais e poluição ambiental substituindo a mão de obra humana por máquinas e robôs.

Os robôs podem construir carros, aspirar a sua casa e até mesmo escrever artigos de notícias . Mas conseguir um robô para costurar roupas é algo surpreendentemente difícil. Essa é uma tarefa que ainda é feita quase inteiramente por pessoas sentadas em máquinas de costura da mesma forma como é feita há muitas décadas. Construir um robô costureiro é um grande desafio técnico. Os veículos ou produtos eletrônicos são feitos de partes duras e facilmente manipuláveis por robôs industriais mas numa confecção de vestuário, os tecidos são elásticos e maleáveis ​, tornado o processo difícil de automatizar da forma tradicional.

Mas é só uma questão de tempo até se conseguir automatizar a fabricação de roupas. A empresa Tamicare pretende tornar-se líder global na fabricação em massa de tecidos e não tecidos através de sua tecnologia Cosyflex de impressão 3D por jateamento. O sistema Cosyflex constrói camada por camada da peça de vestuário através de jateamento onde as camadas podem ser um tecido, polímero, látex ou eletrônica impressa, permitindo total liberdade para se criar também tecidos inteligentes.

A empresa pretende no futuro usar sua tecnologia Cosyflex para produzir calçados esportivos, tecidos médicos e de higiene, moda casual e fitness, lingerie, tecidos automotivos e muito mais.

A empresa de robótica Motoman Yaskawa criou um interessante vídeo que mostra uma fábrica de lingerie do futuro totalmente automatizada onde um exército de robôs inteligentes fabricam sutiãs através de impressão 3D. Essa seria uma versão mais evoluída da tecnologia de impressão por jateamento Cosyflex.

A tecnologia de tricô 3D sem costura é tão revolucionária para a indústria da moda como é a impressão 3D mas com a vantagem de poder tecer roupas e sapatos de malha em escala industrial. As empresas JS ShoeRothy, Adidas, Nike entre outras apostam nessa tecnologia automatizada para fabricar calçados de forma mais eficiente, barata e personalizável.

A tradicional marca italiana Benetton lançou o conceito de “malha de fio único” com sua malha sem costura TV-31100 produzida usando apenas um único rolo com 500 metros de fio com a tecnologia Wholegarment da Shima Seiki. A nova fábrica da Benetton na Itália é um exemplo da Revolução Industrial 4.0 onde as máquinas de tricô 3D substituíram tanto as tecelagens tradicionais como as costureiras. A mesma tecnologia Shima foi utilizada pela marca masculina Ministry of Supply para criar sua jaqueta sem costura The Seamless Jacket.

A gigante da tecnologia Amazon está se preparando para se tonar a maior empresa de moda do mundo, puxando o tapete das grandes redes de fast fashion como Zara, H&M, Uniqlo e Primark. A empresa automatizou seu estoque nos EUA com robôs Kiva e pretende investir também na automatização de fabricação de suas marcas de moda. A automatização da indústria da moda só está começando.

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