De acordo com uma estatística de resíduos do Greenpeace em 2015, as pessoas em Hong Kong jogam fora 110.000 toneladas de produtos têxteis anualmente e apenas 4% dos resíduos têxteis são recuperados para reciclagem, de acordo com dados do governo.Entre estes resíduos, existe uma grande quantidade de tecidos feitos da mistura de algodão e poliéster, e durante décadas não foi possível criar um processo viável para separar essas fibras. Mas isso vai mudar!

O Instituto de Pesquisa Têxteis e Vestuário de Hong Kong (HKRITA) em parceria com a Fundação H & M, Universidade da Cidade de Hong Kong, Universidade de Ehime e Universidade de Shinshu, no Japão, participam do Closed-Loop Apparel Recycling Eco-System Program na reciclagem de tecidos mistos em novos tecidos e fios. O objetivo da colaboração é o de facilitar o desenvolvimento de uma indústria da moda circular onde os resíduos têxteis possam ser reciclados continuadamente. O melhor de tudo é que a tecnologia será disponibilizada para a indústria da moda global. A descoberta é um grande avanço na jornada rumo a um circuito fechado para os têxteis.

A bioquímica Dr. Carol Lin e sua equipe da Universidade da Cidade de Hong Kong, desenvolveram um novo processo biológico baseado em fermentação, que é semelhante a produção de cerveja, e pode fazer a separação das fibras de algodão e poliéster nos tecidos mistos. O desperdício têxtil é pré-tratado, dividido por meio de hidrólise em açúcares para em seguida, ser recuperados sob a forma de fibra.

Nenhum produto químico nocivo está envolvido e o consumo de energia é baixo. Enzimas como a celulose e β-glucosidase são usadas para degradar fibras biodegradáveis, tais como algodão e lã em glicose, enquanto que as fibras não-biodegradáveis, tais como poliéster e poliamida, são recuperadas e podem ser reutilizadas diretamente para novos fios, sem qualquer perda de qualidade após a hidrólise enzimática.

Pesquisadores de Hong Kong criam novo processo para reciclagem de tecidos semelhante a fazer cerveja stylo urbano

Lin é a mesma cientista por trás de uma tecnologia semelhante que converte o desperdício de alimentos ricos em amido em um ácido polilático, que também pode ser fiado em fibras têxteis. “Se você olhar para as antigas camisas e calças jeans de algodão, elas duram décadas, se não centenas de anos. Hoje não estamos extraindo o valor integral de nossas roupas porque as estamos jogando fora muito rapidamente“, disse Edwin Keh Yee, que dirige o instituto HKRITA.

A Fundação H & M iniciou a parceria com HKRITA em Setembro de 2016 investindo 5,8 milhões de euros no projeto, com o instituto liderando a pesquisa e trabalhando para comercializar os resultados. O Fundo de Inovação e Tecnologia do Governo de Hong Kong também fornece financiamento substancial adicional e suporte. O investimento total do projeto é estimado em cerca de 30 milhões de euros durante a colaboração de quatro anos (2016-2020), o que o torna um dos esforços mais caros e abrangentes já feitos para a reciclagem têxtil.

Enquanto os fundos virão da Fundação H & M, os direitos e patentes permanecerão com o instituto, que depois disponibilizará a tecnologia para a indústria têxtil. Erik bang, líder de inovação na Fundação H & M e coordenador do projete disse que estavam apostando na tecnologia para fornecer uma solução global para tornar a indústria mais sustentável.

“Não podemos cultivar algodão para 8,5 ou 10 bilhões de pessoas. Reciclagem é e será o futuro de como fazer roupas “, disse ele. “Isso vai servir a um propósito ambiental, porque o planeta não pode suportar tal produção e um propósito comercial, porque os materiais se tornarão muito caros.” 

Erik bang, líder de inovação na Fundação H & M

“Por sermos capazes de reciclar os tecidos usados ​​em novos tecidos de alto valor, não precisaremos mais depender exclusivamente dos materiais virgens para vestir a crescente população mundial. Este é um grande avanço na busca de uma indústria da moda operando dentro dos limites planetários “.

Edwin Keh Yee, diretor de inovação do instituto HKRITA

É o envolvimento dos clientes da H & M que permitiram esta pesquisa importante, pois a contribuição financeira é determinada pelo excedente anual do programa de coleta de roupas velhas no interior das lojas das H&M, que são doadas para a Fundação H & M. Até à data a Fundação H & M doou 2,4 milhões de euros para a HKRITA.

Fonte : Fundação H&M

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