Jean Hardouin (1646–1729), jesuíta francês, erudito, filólogo e numismata, é famoso por sua teoria hipercrítica de que quase toda a literatura clássica grega e romana — e grande parte da literatura patrística e eclesiástica — teria sido fabricada por uma conspiração de monges (especialmente beneditinos) no século XIII ou XIV, sob a direção de um certo “Severus Archontius” (às vezes interpretado como referência a Frederico II da Suábia).
Ele defendia que esses falsários teriam inventado a história antiga (incluindo o Império Romano) a partir de um pequeno núcleo de textos genuínos, moedas e inscrições, com o objetivo de introduzir heresias e ateísmo na Igreja e minar a autoridade papal. Jean Hardouin chegou a essa conclusão principalmente por inconsistências entre textos e evidências numismáticas, e por julgar o estilo da maioria das obras “antigas” inferior e uniforme demais.
O jesuíta francês apontou diretamente para a Ordem de São Bento (Beneditinos) como o núcleo da conspiração de falsificação da literatura clássica e patrística. Para Hardouin, quase todos os autores greco-romanos clássicos (com raras exceções como Homero, Heródoto, Cícero, Virgílio e Plínio) e grande parte da patristica foram fabricados por esses monges para corromper a doutrina e a história.

Plutarco, Diodoro, Políbio, Tácito, Tucídides, Xenofonte, Platão, Sócrates e outros autores da Antiguidade foram inventados por monges beneditinos durante a completa falsificação da história, juntamente com a versão ocidental da cronologia. Segundo Hardouin, praticamente toda a literatura, historiografia e filosofia da Grécia Antiga foi forjada do zero pela cabala monástica do século XIII.
Ele sustentava também que a monumental história romana de Tito Lívio chamada Ab Urbe Condita (História de Roma desde a sua Fundação) supostamente escrita entre 27 a.C. e 9 d.C. — não passava de uma falsificação produzida no século XIII ou XIV sob a orientação de uma guilda ou sociedade secreta de eruditos medievais.
O posicionamento de Hardouin sobre Tito Lívio é frequentemente citado para questionar a fidedignidade da historiografia romana canônica e a origem documental das narrativas da fundação e expansão de Roma. Outra hipótese é a de que Tito Lívio teria morrido em 1547, então foi no século XVI que ele escreveu suas obras “históricas”.
E Tito foi um dos primeiros participantes do projeto de falsificação histórica total do Vaticano, que depois foi continuado pelo historiador, filólogo, antiquário e erudito francês Joseph Justus Scaliger (1540–1609) e pelo padre jesuíta, teólogo, historiador e cronologista francês Dionysius Petavius (1583-1652).
Os romanos incendiaram a antiga Biblioteca de Alexandria no Egito, mas eles tiveram o cuidado de separar os textos e documentos originais das cópias e levaram os originais para Roma. Os romanos sabiam muito bem que conhecimento é poder. Os documentos que foram queimados no incêndio eram as cópias. Os originais estão guardados nos cofres subterrâneos da Biblioteca do Vaticano.

A Biblioteca de Alexandria guardava vários documentos originais sobre a filosofia, a história, os mistérios mágicos, a astronomia, a astrologia, a matemática, a agricultura e a geometria sagrada dos antigos druidas da Irlanda, que deram origem a civilização egípcia pré-dinástica. Os druidas eram os sobreviventes humanos da inundação da avançada civilização da Atlântida.
Eles migraram para a Irlanda pois era o local mais alto, que não foi coberto pelas águas do dilúvio. A antiga capital da Atlântida está submersa e fica no local conhecido como Triângulo das Bermudas. O grupo de monges beneditinos teve acesso aos antigos textos dos druidas e egípcios escondidos na Biblioteca do Vaticano, e a partir deles, fizeram toda uma série de falsificações históricas.

A hipótese de Jean Hardouin
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A origem da conspiração monástica: No final do século XVII, o padre jesuíta e filólogo Jean Hardouin (1646–1729) chocou o meio acadêmico da época ao declarar que a quase totalidade da literatura greco-romana, além dos escritos dos Pais da Igreja (como Santo Agostinho e São Jerônimo), era uma falsificação do século XIV.
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Exceções curiosas: Hardouin afirmava que apenas um pequeno grupo de textos — como as obras de Cícero, Heródoto, as Geórgicas de Virgílio, as Sátiras e Epístolas de Horácio e a História Natural de Plínio, o Velho — eram autênticos. Todo o resto (incluindo Tucídides, Tácito e os textos bíblicos em grego) teria sido redigido por uma “cabala de intelectuais”.
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Motivações atribuídas: Sob essa lógica, a guilda de eruditos medievais teriam inventado o panteão de historiadores clássicos para criar a ilusão de uma antiguidade longa e pagã, manipulando a teologia e estabelecendo bases cronológicas que favorecessem a autoridade da Igreja Centralizada.
Nas obras principais de Hardouin (Chronologiae ex nummis antiquis restitutae, a partir de 1693/1696, e os Prolegomena ad censuram veterum scriptorum, publicados postumamente em 1766), ele listou de exceções (os únicos textos “pagãos” verdadeiramente antigos). Nos Prolegomena, ele resume explicitamente: a Antiguidade preservou, dos latinos, Plauto, Plínio, as Éclogas e Geórgicas de Virgílio, e as Sátiras e Epístolas de Horácio; dos gregos, a Ilíada e a Odisseia de Homero e nove livros de Heródoto.
Ele também rejeitava a maioria das obras de arte antigas, moedas, inscrições, a Eneida, as Odes de Horácio, Hesíodo, e quase toda a literatura latina além de poucas exceções. Estendia a falsificação aos Padres da Igreja (incluindo grande parte de Agostinho), concílios pré-Trento, escolásticos (como Tomás de Aquino) e até versões gregas da Bíblia (Septuaginta e Novo Testamento, que ele acreditava originalmente em latim).
Hardouin não entra em comentários detalhados e específicos sobre cada autor individual (como “Tucídides errou nisto” ou “Aristóteles inventou aquilo”). Sua crítica é sistêmica: o estilo inferior e homogêneo, as contradições factuais com os poucos textos “genuínos” e com as moedas, e a ausência de evidências materiais confiáveis provariam a fabricação em massa no mesmo período (séculos XIII–XIV). Os falsários teriam usado os textos autênticos como base e inventado o resto para criar uma história antiga coerente (mas, segundo ele, cheia de erros).

As ideias aparecem de forma inicial em obras de numismática (como De nummis Herodiadum, 1693) e de forma mais elaborada nos Prolegomena. Hardouin foi obrigado a uma retratação pública em 1708/1709 pelos superiores jesuítas, mas manteve as opiniões em privado (os Prolegomena foram publicados após sua morte).
Contemporâneos (como Tournemine) e estudiosos posteriores consideraram suas teorias delirantes ou “patológicas”, embora ele tenha sido um editor competente de Plínio e um numismata respeitado em outros aspectos. Sua teoria influenciou revisionistas cronológicos modernos, como a Teoria da Nova Cronologia do matemático russo Anatoly Fomenko (nascido em 1945), professor da Universidade Estatal de Moscou.
A nova cronologia e o modus operandi
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A extensão artificial do tempo: No século XX e XXI, modelos como a Nova Cronologia (proposta por Nikolay Morozov e continuada pelo matemático Anatoly Fomenko) retomaram argumentos semelhantes. Defende-se que cronologistas dos séculos XVI e XVII, como Joseph Scaliger e Dionysius Petavius (este último também jesuíta), codificaram uma linha do tempo estendida artificialmente em mais de mil anos.
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Personagens projetados do século médio: Na leitura dos revisionistas, a maioria dos historiadores e filósofos gregos seriam pseudônimos ou compilações de cronistas medievais e renascentistas. Os eventos “antigos” descritos por eles seriam, na verdade, relatos duplicados de guerras, cruzadas e reinados da Idade Média e do Renascimento transpostos para um passado fictício.
Interpretação nos círculos de história oculta
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Apagamento de civilizações pré-existentes: Em fóruns alternativos e estudos de sociedades secretas, essa reescrita do passado é vista como o maior controle de narrativa da história humanitária. Sustenta-se que o objetivo do Vaticano e da Companhia de Jesus foi apagar registros de civilizações ou impérios anteriores (como Tartária ou impérios eurasianos pré-católicos).
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Controle da matriz histórica ocidental: Ao criar uma linha contínua que vai da “Grécia Berço da Democracia” e “Roma Imperial” até o Papado, a elite oculta teria monopolizado a definição de civilização, ciência e filosofia, forçando todas as narrativas globais a convergirem para o modelo romano-vaticano.
A “cabala” apontada por Jean Hardouin não era composta por jesuítas, mas por uma suposta guilda secreta de monges beneditinos do século XIII, a quem ele chamava de impia factio ou maudite cabale.
Hardouin, ele próprio um jesuíta católico ultraortodoxo, sustentava que quase toda a literatura da Antiguidade, profana e cristã, fora inventada por esse grupo sob a liderança de um fictício “Severus Archontius”.
Seu objetivo final seria introduzir heresias e o ateísmo na Igreja oculta sob o disfarce de textos históricos clássicos e escritos dos Pais da Igreja.
A “Cabala de intelectuais”: Quem eram segundo Hardouin?
Ao contrário das teorias revisionistas modernas que acusam a Companhia de Jesus, Jean Hardouin defendia a Igreja e atacava o que via como contaminação pagã e herética:
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Os monges beneditinos (Século XIII): Hardouin afirmava que essa conspiração teve origem por volta do século XIII na França e na Alemanha. A cabala consistia em uma rede clandestina de monges copistas e eruditos (associados principalmente à Ordem Beneditina).
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Severus Archontius: Ele cunhou o nome Severus Archontius (“Severo, o Governante”) para designar o suposto líder dessa sociedade secreta de eruditos medievais que teria concebido o plano de criação dos clássicos.
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A motivação “ateísta” e herética: Para Hardouin, a motivação dessa fraude massiva era propagar ideias contrárias ao dogma católico. Segundo ele, ao inventar textos teológicos atribuídos a Pais da Igreja (como Santo Agostinho) e obras pagãs de filosofia, a cabala infiltrara no pensamento europeu doutrinas que prepararam o terreno para o ateísmo, o racionalismo e a Reforma Protestante.

O que mais Hardouin afirmava sobre a falsificação da Antiguidade?
A tese radical de Jean Hardouin, exposta principalmente em suas obras Chronologiae ex Nummis Antiquis Restitutae (1696) e Prolegomena ad Censuram Veterum Scriptorum (1729), desconstruía grande parte do conhecimento clássico:
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Os poucos textos “autênticos”:
Hardouin rejeitava quase 95% do acervo antigo, mas abria raras exceções. Ele considerava autênticos apenas:
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Grego: As poemas épicos de Homero (Ilíada e Odisseia).
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Latim: As Geórgicas de Virgílio, as Sátiras e Epístolas de Horácio, a História Natural de Plínio, o Velho, e os discursos de Cícero.
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O resto (incluindo Platão, Aristóteles, Tucídides, Tácito, Tito Lívio, Virgílio da Eneida e Horácio das Odes) era, segundo ele, invenção medieval da cabala.
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Apagamento e falsificação dos pais da Igreja:
Um dos aspectos mais polêmicos de sua teoria foi afirmar que textos vitais do cristianismo primitivo, como as obras de Santo Agostinho, São Jerônimo e São João Crisóstomo, também eram falsificações criadas pelos monges medievais para solapar a autoridade do Papado e introduzir contradições doutrinárias.
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Invenção do aramaico e do hebraico vulgar:
Hardouin defendia que os textos em grego e os escritos rabínicos/aramaicos posteriores eram construções tardias da Cabala. Ele sustentava que o texto em latim da Bíblia (a Vulgata) e a liturgia latina eram as únicas fontes primordiais divinamente preservadas.
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Moedas e artefatos como única fonte neutra:
Para rebater os historiadores de sua época, o jesuíta afirmava que a única evidência confiável da antiguidade eram as moedas antigas (numismática) e inscrições em pedras. Em sua visão, as moedas não podiam ser falsificadas em larga escala como os manuscritos em pergaminho. Toda a história da Grécia e de Roma deveria ser reconstruída exclusivamente a partir do cunho monetário.
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A origem do dogma conspiratório moderno:
Apesar de ter sido amplamente ridicularizado pela academia de seu tempo e repreendido por seus superiores na Ordem Jesuíta, a metodologia hipercrítica de Hardouin serviu de molde para as teorias de historiadores alternativos posteriores (como Edwin Johnson no século XIX e Anatoly Fomenko no século XX). A diferença é que os revisionistas modernos inverteram o papel da Companhia de Jesus na narrativa: em vez de Hardouin defender o Vaticano contra a Cabala monástica beneditina, os teoristas modernos passaram a apontar o próprio Vaticano e os jesuítas como os executores da falsificação.

Jean Hardouin declarou abertamente que Platão e Aristóteles foram totalmente inventados por sua suposta “cabala medieval de intelectuais”. Sobre figuras como Pitágoras e Sócrates, que não deixaram escritos diretos, Hardouin sustentava que suas biografias e filosofias são mitos construídos pelos mesmos forjadores. Em sua tese, o objetivo dessas criações era introduzir o ateísmo e a filosofia pagã sob uma falsa fachada de antiguidade venerável.
Platão e Aristóteles: As “lentes ateístas” da Cabala
Em sua obra Prolegomena ad Censuram Veterum Scriptorum, Hardouin dedica críticas diretas aos maiores filósofos da Grécia Clássica:
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Invenção do século XIII: Hardouin afirmava que os diálogos de Platão e os tratados sistemáticos de Aristóteles foram redigidos por monges e eruditos medievais. Para ele, os textos em grego e as traduções em latim surgiram quase ao mesmo tempo durante o Renascimento e a Baixa Idade Média.
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Intenção Herética: Ele acusava o sistema filosófico aristotélico (e o platonismo) de ter sido desenhado para substituir a Teologia Revelada pelo Panteísmo e Racionalismo. Na visão ultracatólica de Hardouin, inventar Platão e Aristóteles permitiu à Cabala introduzir o “ateísmo velado” dentro da própria filosofia cristã (atacando diretamente a Escolástica de São Tomás de Aquino, que utilizava Aristóteles).
Sócrates e Pitágoras: Mitologia construída
Como nem Sócrates nem Pitágoras deixaram registros escritos de próprio punho, Hardouin tratava a existência histórica e o legado de ambos como pura invenção literária:
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Sócrates: Para Hardouin, o “Sócrates” descrito nos diálogos inventados pela Cabala monástica era apenas um recurso dramático para personificar o ceticismo e questionar os dogmas religiosos tradicionais.
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Pitágoras: O misticismo pitagórico, a metempsicose (transmigração das almas) e a matemática oculta eram interpretados por Hardouin como fabricações tardias feitas para dar a impressão de que doutrinas esotéricas pré-datavam a Revelação Cristã.
A lógica do ateísmo “anacrónico”
Hardouin cunhou a tese de que a Cabala criou um panteão de pensadores pagãos brilhantes (Platão, Aristóteles, Sócrates, Pitágoras) com o propósito explícito de passar a seguinte mensagem implícita ao mundo ocidental:
“A razão humana, a moralidade e a filosofia avançada já existiam em nível supremo antes de Cristo, provando que o Cristianismo e a autoridade da Igreja não eram necessários para a virtude ou o conhecimento do homem.”
Por esse motivo, na mente conspiratória de Hardouin, denunciar Platão e Aristóteles como personagens fictícios não era apenas uma análise filológica, mas um dever religioso para desacreditar as bases do racionalismo ocidental. Segundo o padre Jean Hardouin, praticamente toda a literatura, historiografia e filosofia da Grécia Antiga foi forjada do zero pela Cabala monástica do século XIII.
Com exceção das obras poéticas de Homero, Hardouin afirmava que grandes nomes da história grega (como Estrabão, Diodoro Sículo, Plutarco, Políbio, Tácito, Tucídides e Xenofonte.) e da filosofia (como Pitágoras, Sócrates, Platão, Aristóteles e os pré-socráticos) nunca existiram ou, se existiram, não escreveram os textos que lhes são atribuídos, sendo tudo fruto de criações medievais.
Historiadores grego-romanos inventados (segundo Hardouin)
Para Hardouin, a narrativa da história antiga grega foi uma invenção literária medieval criada para dar estofo cultural e político a civilizações fictícias ou distorcidas:
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Tucídides: Suas crônicas sobre a Guerra do Peloponeso foram apontadas como invenção medieval para simular disputas militares complexas no passado grego.
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Xenofonte: As obras históricas e os relatos sobre Sócrates atribuídos a ele foram considerados criações da guilda.
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Políbio e Diodoro Sículo: Historiadores do período helenístico cujas cronologias e relatos de impérios eram vistos como fraudes. Ao contrário de Heródoto, Hardouin classificava a Biblioteca Histórica de Diodoro como um texto forjado. Ele sustentava que esse e quase todos os outros relatos históricos da Grécia Antiga tinham sido inventados por eruditos por volta do século XIV para estender o tempo histórico.
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Plutarco: As famosas Vidas Paralelas foram classificadas como biografias fictícias projetadas para criar heróis e vilões morais no imaginário ocidental.
- Estrabão e a Geografia Antiga: Seguindo a mesma regra de descarte, Hardouin considerava a Geografia de Estrabão (assim como a maioria dos cronistas e geógrafos clássicos e helenísticos) uma construção posterior apócrifa. Para Hardouin, os mapas, itinerários e narrativas geográficas atribuídos a esses autores antigos foram elaborados para dar suporte à falsa História Antiga fabricada durante o período medieval.
Filósofos e pensadores grego-romanos inventados
Hardouin sustentava que a filosofia pagã fora forjada para introduzir conceitos heréticos e racionalistas no cristianismo sob o disfarce de “sabedoria antiga”:
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Platão e Sócrates: Os diálogos platônicos seriam invenções medievais para disseminar o panteísmo e ideias filosóficas anticristãs.
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Aristóteles: Toda a vasta obra lógica, metafísica e ética atribuída a Aristóteles foi considerada uma criação da Cabala monástica. Hardouin atacava fortemente a escolástica medieval por ter adotado um “falso pensador pagão”.
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Pré-socráticos e outras escolas: Pensadores como Heráclito, Parmênides, Epicuro e os estóicos eram vistos como personagens literários concebidos para simular correntes de pensamento antigo.
A exceção grega
- Heródoto: Ao expor sua tese em obras como Chronologiae ex nummis antiquis restitutae e Prolegomena, Hardouin colocou a obra do historiador grego Heródoto no seletíssimo grupo de textos clássicos genuínos (ao lado dos escritos de Cícero, das obras de Homero e de partes de Virgílio e Horácio).
- Plínio, o Velho: A obra História Natural de Plínio foi a base dos estudos acadêmicos de Hardouin. Ele dedicou cinco anos preparando uma edição comentada e minuciosa desse texto para a série Ad usum Delphini. Hardouin considerava História Natural uma das raríssimas obras em prosa da Roma Antiga verdadeiramente autênticas que sobreviveram intactas.
- Homero: Em meio a essa rejeição massiva, Hardouin considerava a Ilíada e a Odisseia como obras autênticas da antiguidade grega. No entanto, ele argumentava que esses poemas deviam ser lidos como mitologia e poesia pura, e não como registros históricos ou filosóficos rigorosos.
- Virgílio: as Geórgicas (e, nos Prolegomena, também as Éclogas; ele rejeitava a Eneida como falsa).
- Horácio: as Sátiras e as Epístolas (rejeitava as Odes, Epodos, Carmen Saeculare e Ars Poetica).
- Às vezes Plauto (comédias).
- Em versões iniciais: Cícero (depois removido nos Prolegomena, onde Hardouin o considerou também obra dos conspiradores).
Os pesquisadores de sociedades secretas e ocultismo Jordan Maxwell, Michael Tsarion e Leo Zagami não defendem a tese de Jean Hardouin ou Anatoly Fomenko de que os autores clássicos gregos e romanos foram puramente “inventados” no Renascimento ou na Idade Média. No entanto, todos os três defendem que a narrativa da Antiguidade foi profundamente distorcida e falsificada ideologicamente pelo Vaticano e por elites ocultas.
Para eles, a antiguidade greco-romana existiu de fato, mas foi reescrita para esconder a verdadeira história da humanidade (como origens druídicas/atlantes, mitologias astroteológicas e controle social da Roma Papal).
Michael Tsarion: A falsificação geográfica e o roubo do conhecimento
Michael Tsarion aborda diretamente a ideia de que a “história oficial antiga é uma ficção”, mas a partir da teoria do Revisionismo Britânico/Irlandês (influenciado por autores como Conor MacDari e Comyns Beaumont):
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A tese central: Tsarion argumenta em obras como The Irish Origins of Civilization que a alta civilização, a filosofia, os mistérios e a astronomia não nasceram na Grécia, em Roma ou no Egito, mas sim na Irlanda (os antigos Druidas e Atlantes).
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A falsificação das fontes: Segundo Tsarion, a elite romana e a Igreja Católica posterior apropriaram-se do conhecimento dos druidas, traduziram suas tradições, forjaram localidades históricas e criaram uma versão da antiguidade (“Grécia e Roma como berços do saber”) para apagar a primazia da Europa do Norte e do saber druídico.
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O que ele diz das obras antigas: Ele considera que autores e cronistas romanos (como Eusébio e Jerônimo) alteraram datas, nomes e biografias para encaixar o Império Romano e a Igreja Romana no centro do mapa do mundo pós-cataclismo.
Jordan Maxwell: A codificação astroteológica e a continuação de Roma
Jordan Maxwell (1940–2021) não afirmava que Heródoto ou Tácito foram personagens fictícios inventados, mas sustentava que a história antiga foi codificada em alegorias solares e astroteológicas para manipular o público:
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Simbolismo e linguagem clássica: Maxwell focava em etimologia e iconografia mística. Para ele, os pantões grego e romano (como Zeus, Júpiter e o panteão de deuses) e os registros de seus historiadores foram adaptados pelo Império Romano para criar cultos sob controle imperial.
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Império Romano nunca caiu: Uma das maiores teses de Maxwell era que a “Antiguidade Romana” não acabou; o Império Romano do Ocidente apenas mudou de veste, transformando os imperadores em papas (Vaticano) e o Direito Romano no Direito Marítimo/Corporativo moderno.
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Falsificação religiosa: Em vez de inventar a história do zero, ele afirmava que Roma incorporou o conhecimento clássico grego e babilônico para estruturar a religião institucionalizada e o controle globalizado.
Leo Zagami: O conhecimento oculto do Vaticano e da Maçonaria
Leo Zagami (ex-membro do Grande Oriente da Itália e autor sobre o Vaticano e os Illuminati) aborda o tema sob a ótica da guarda e supressão de documentos históricos:
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A Biblioteca Secreta do Vaticano: Zagami sustenta que o Vaticano retém os verdadeiros manuscritos e relatos da antiguidade, escondendo os originais das massas em sua vasta biblioteca subterrânea.
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Revisão e censura, não invenção completa: Na visão de Zagami, o Vaticano não inventou a Grécia e Roma a partir do nada no século XIV ou XVI; em vez disso, a Igreja e as ordens monásticas (como os Jesuítas) filtraram, traduziram seletivamente e reescreveram trechos desses historiadores para garantir que a história se alinhasse com o controle da Santa Sé.
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Preservação de rituais pagãos: Zagami enfatiza que as sociedades secretas que operam dentro de Roma perpetuam os mistérios pagãos greco-romanos reais (como o culto a Mitra e ritos teúrgicos), o que só faz sentido se a antiguidade pagã e suas instituições tiverem existido historicamente.
Comparativo da Abordagem sobre a Antiguidade
| Autor | Posição sobre a Grécia e Roma Antigas | Onde ocorreu a “Falsificação”? |
| Jean Hardouin (Século XVII) | A antiguidade grega/romana e seus autores foram inventados no século XIII por monges e eruditos medievais. | Fabricação textual total dos autores. |
| Michael Tsarion | Roma e Grécia existiram, mas roubaram/encobriram a história original druídica. | Alteração de mapas, nomes e origens culturais. |
| Jordan Maxwell | Roma e Grécia existiram; a história foi codificada em astroteologia e religião governamental. | Uso da linguagem e mitos para controle das massas. |
| Leo Zagami | Existiram; o Vaticano restringiu os manuscritos reais e liberou versões editadas. | Censura monástica e retenção em arquivos secretos. |






































